A Disney realizou nesta terça-feira uma nova rodada de demissões em massa que atingiu centenas de funcionários em várias divisões, incluindo National Geographic e ESPN. O estúdio de animação Pixar foi um dos mais afetados, com estimativas apontando a saída de cerca de 100 a 150 pessoas, de acordo com informações do Deadline e do TheWrap. Os cortes representam uma fatia significativa do quadro de 1.100 funcionários do estúdio, concentrando-se principalmente nas equipes de produção e operações. Ainda não está claro se executivos de alto escalão também foram demitidos.
Esta é a maior onda de demissões na Pixar desde maio de 2024, quando 14% do quadro — aproximadamente 175 pessoas — foram dispensadas. O movimento recente ocorre em meio a um desempenho irregular do estúdio nas bilheterias desde a pandemia de Covid-19, com filmes originais enfrentando dificuldades para atrair público enquanto franquias consolidadas continuam a gerar receitas expressivas.

Segundo fontes do TheWrap, as demissões na Pixar são atribuídas ao desempenho abaixo do esperado de Hoppers, longa-metragem lançado em março. Apesar de ter recebido críticas majoritariamente positivas — 94% de aprovação no Rotten Tomatoes —, o filme arrecadou cerca de US$ 390 milhões mundialmente, um valor considerado modesto para os padrões do estúdio. Em contraste, Toy Story 5 já acumulou US$ 957 milhões em bilheteria global, reforçando a força das franquias estabelecidas.
A trajetória da Pixar nos anos 2020 tem sido marcada por altos e baixos. Enquanto Divertida Mente 2 (Inside Out 2) alcançou impressionantes US$ 1,7 bilhão, o filme original Elio ficou com apenas US$ 154 milhões. Outros títulos originais do período, como Luca e Red: Crescer é uma Fera (Turning Red), foram lançados diretamente no Disney+, sem passar pelos cinemas. A Variety reporta que executivos da Disney acreditam que essa estratégia treinou inadvertidamente o público a esperar pelos filmes da Pixar em casa, em vez de ir às salas de exibição.

A decisão de priorizar o streaming para alguns lançamentos parece ter impactado negativamente a percepção do público sobre a necessidade de ver os filmes originais no cinema. Em retrospecto, isso explica por que as sequências de franquias como Divertida Mente e Toy Story continuam a performar bem, enquanto produções inéditas lutam para encontrar audiência, como ocorreu com Elio.
Apesar do cenário desafiador, a Pixar mantém projetos ambiciosos no horizonte. O próximo lançamento do estúdio será Gatto, um filme original com previsão de estreia para março do ano que vem. A animação será estrelada por Mark Ruffalo, que dará voz a um gato preto que vive em Veneza, na Itália. Além disso, a Pixar já trabalha em Os Incríveis 3 (The Incredibles 3), cuja estreia está programada para junho de 2028.
As demissões desta semana refletem a pressão contínua sobre a Disney para ajustar suas operações em um mercado de entretenimento em transformação, onde o equilíbrio entre produções originais e franquias consolidadas se tornou um desafio estratégico central. A Pixar, que já foi sinônimo de inovação e sucesso de bilheteria, agora busca reencontrar seu caminho em meio a um público que, treinado pela pandemia, parece preferir consumir animações no conforto de casa.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/pixar-disney-layoffs-toy-story-5-hoppers/.
Fonte: Polygon.
2026-07-21 19:33:00








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