YouTuber cria pior pendrive do mundo com memória magnética dos anos 1950; capacidade é de apenas 64 bits

Em tempos de data centers de IA consumindo toda a memória disponível, um engenheiro criativo resolveu olhar para o passado em busca de alternativas. O youtuber Polymatt, conhecido por seus projetos de tecnologia retrô, construiu o que ele mesmo chama de “pior dispositivo USB do mundo”. O motivo? Em vez de usar chips modernos, ele recorreu à memória de núcleo magnético, tecnologia que dominou os anos 1950 e 1960, antes da era do silício.

O dispositivo, apresentado em um vídeo recente no canal do Polymatt, é um pendrive que armazena apenas 64 bits de informação. Para efeito de comparação, um arquivo de texto simples de 1 KB (8.192 bits) já seria grande demais para ele. Mas a graça está justamente na engenharia por trás: cada bit é armazenado em um minúsculo anel de material ferrimagnético, entrelaçado por fios que geram campos magnéticos para definir o valor 0 ou 1.

Memory
apacity than anything you could achieve with magnetic-core memory, but a handful of chips on a PCB just doesn’t have the same vibe. Crédito da imagem: Pcgamer Apesar da capacidade irrisória, o projeto chama atenção pela estética e pelo resgate de uma tecnologia que foi fundamental para a computação
Fonte da imagem: Pcgamer

A memória de núcleo magnético foi usada em máquinas icônicas como o ENIAC, o IBM 704 e o computador de bordo da Apollo (Apollo Guidance Computer). Diferente da memória RAM moderna, ela é não volátil: não precisa de energia para manter os dados, assim como os pendrives atuais. O problema é que, mesmo usando anéis cerâmicos muito pequenos, Polymatt conseguiu montar apenas 64 deles — o que limita a capacidade a 64 bits.

Para dar uma ideia do tamanho do desafio, o vídeo mostra o processo minucioso de tecer os fios através dos anéis, uma tarefa que exige paciência e precisão cirúrgica. O youtuber usou um microcontrolador Espressif ESP32 para gerenciar a interface USB e a leitura/escrita dos dados. Ironicamente, o próprio ESP32 tem memória flash embutida milhões de vezes maior que o dispositivo de núcleo magnético.

Em 1957, a IBM lançou uma unidade de memória de núcleo magnético com capacidade de 147.456 bits — mais de 2.000 vezes o que Polymatt conseguiu. Mas ela pesava várias centenas de quilos e custava US$ 6 mil por mês de aluguel (corrigido pela inflação, algo como US$ 65 mil mensais em valores atuais). O pendrive do Polymatt, por outro lado, cabe na palma da mão.

Seagate
Fonte da imagem: Pcgamer

Apesar da capacidade irrisória, o projeto chama atenção pela estética e pelo resgate de uma tecnologia que foi fundamental para a computação. O editor do PC Gamer, Nick Evanson, que escreveu sobre o feito, afirma: “Algo se perdeu com o armazenamento em silício. É muito mais rápido e com capacidades muito maiores, mas um punhado de chips em uma placa de circuito não tem a mesma vibe.”

O vídeo de Polymatt já acumula milhares de visualizações e muitos comentários de entusiastas que querem tentar construir o próprio dispositivo. O youtuber brinca que, para ter um pendrive de 1 GB, seria necessário 16 milhões de vezes mais anéis — algo impraticável, mas que mostra o abismo entre a tecnologia dos anos 1950 e a atual.

Para quem quiser ver o projeto em detalhes, o vídeo completo está disponível no canal Polymatt no YouTube. A descrição inclui links para os componentes usados e um diagrama do circuito. Enquanto isso, os melhores SSDs externos de 2026, como o Adata SD810, Crucial X9 e Samsung T9, continuam oferecendo terabytes de armazenamento em dispositivos que cabem no bolso — mas, convenhamos, nenhum deles tem o charme de 64 anéis magnéticos tecidos à mão.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/hardware/storage/the-maker-calls-it-the-worlds-worst-usb-drive-but-to-my-eyes-its-far-more-impressive-than-any-external-ssd-you-can-buy-right-now/.

Fonte: PC Gamer.

PCGamer latest.

2026-07-01 14:41:00

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