Young Washington: o épico histórico de Angel Studios que tenta, mas não decola

Young Washington, o mais novo lançamento da Angel Studios, chega aos cinemas com a ambição de ser um épico histórico sobre os anos formativos do primeiro presidente dos Estados Unidos. Dirigido por Jon Erwin, o filme narra a juventude de George Washington (interpretado por William Franklyn-Miller) e os eventos que forjaram seu caráter e habilidades de liderança, duas décadas antes de ele se rebelar contra o Império Britânico e se tornar um dos pais fundadores da América. No entanto, apesar da sinceridade de sua abordagem, a produção sofre com um roteiro formulaico e limitações orçamentárias evidentes — incluindo efeitos digitais que variam entre CGI rudimentar e o uso direto de inteligência artificial —, o que a mantém no nível de um filme para TV decente, mas genérico.

Comparado a outro recente biográfico presidencial da Angel Studios, Reagan (que, apesar da atuação dedicada de Dennis Quaid, foi descrito como piegas e mal escrito), Young Washington se sai melhor. Suas cenas de batalha e a representação da sobrevivência na fronteira americana — filmadas na Irlanda, que substitui a América colonial — conferem mais aspereza e ação do que a maioria dos filmes do subgênero de biografias presidenciais. William Franklyn-Miller, no papel-título, tem a altura e a presença associadas a George Washington, mesmo que não se pareça fisicamente com ele. O ator tenta encontrar camadas no personagem, e o público se importa com George, mas a história não lhe permite muita introspecção além do momento em que ele fracassa em 1754, em Fort Necessity.

A trama acompanha a trajetória de Washington de um aspirante a aristocrata e oficial do Exército de Sua Majestade até a percepção de que seu objetivo de ingressar na nobreza britânica ou receber uma comissão militar real é ingênuo e inatingível. Sua ambição o leva a buscar benfeitores nas figuras de Lord Fairfax (Kelsey Grammer, em seu terceiro projeto sobre Washington) e do vice-governador da Virgínia, Robert Dinwiddie (interpretado de forma burocrática por Sir Ben Kingsley). Andy Serkis surge mais tarde em uma atuação chamativa e distrativa como o general Braddock, que tardiamente reconhece o valor de Washington. Embora nascido na classe dos plantadores da Virgínia, Washington é tratado pela maioria dos britânicos como um colonial inferior, ao contrário de seu meio-irmão mais velho, Lawrence (John Foss, em atuação amável), que é aceito por possuir terras e ter sido educado na Inglaterra.

Quando surge a oportunidade de explorar a fronteira do Ohio, Washington se voluntaria, apenas para descobrir que a França, rival da Grã-Bretanha, já está lá com seus próprios planos imperiais. É nesse cenário que ele encontra o líder Seneca Tanacharison (Ryan Begay, imponente), a quem os europeus chamam de Meio-Rei. Esse encontro leva Washington diretamente aos eventos que desencadeiam o conflito global conhecido como Guerra Franco-Indígena. Esta é a parte mais forte do filme, mostrando a inexperiência e o orgulho de George o conduzindo ao desastroso erro de Fort Necessity. Após essa derrota evitável e notória, o filme mostra Washington engolindo um pedaço amargo de humildade, enquanto lida com sua fé em si mesmo e no que achava que Deus queria dele.

A questão da fé permeia a narrativa — afinal, este é um filme da Angel Studios —, com a mãe de George, Mary (Mary-Louise Parker, bem-vinda), uma mulher severa e piedosa, e até mesmo os nativos que não conseguiram matá-lo em combate acreditando que a Providência o protege para um propósito maior. O desfecho do filme, quando George troca seu uniforme vermelho real pelo azul colonial, funciona como o clímax de uma história de origem de super-herói, onde o protagonista finalmente ganha seu traje icônico. É um momento óbvio e apelativo, mas que agrada.

O crítico Jim Vejvoda, do IGN, que se declara um entusiasta da história e não um historiador, aponta que o filme toma grandes liberdades criativas com os fatos. Por exemplo, um personagem importante morre em Fort Necessity anos antes de sua morte real, enquanto outro aparece em cenas que ocorrem depois de sua morte histórica. Vejvoda reconhece a necessidade dramática dessas decisões, mas não deixa de apontar os erros. Além disso, embora o filme deixe claro que Washington vem de uma família proprietária de escravos, a escravidão é relegada ao segundo plano, com apenas algumas cenas pequenas em que a situação dos escravizados é reconhecida por personagens coadjuvantes, mas a história rapidamente avança sem explorar os pensamentos do próprio Washington sobre o assunto.

No fim, Young Washington evita qualquer exploração moral da era complicada em que se passa, optando por uma visão menos dimensional e mais romântica do jovem Washington como um herói de ação com um futuro brilhante e predestinado. O filme está em cartaz nos cinemas.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/young-washington-review.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-07-04 19:28:00

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