A Electronic Arts (EA) entrou em uma nova era. No último mês, a maior compra alavancada da história do private equity foi concluída, e a gigante dos games agora pertence a um consórcio formado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e pelas firmas de investimento Silver Lake e Affinity Partners. Com a transação, a empresa assumiu uma dívida de US$ 20 bilhões, e os funcionários já se preparam para o pior. A grande questão é: o que muda no modelo de negócios da EA com os novos donos? E, para os fãs de RPG, um temor específico: o próximo Mass Effect realmente vai sair?
Para tentar responder a essas perguntas, o PC Gamer conversou com Emmanuel Rosier, diretor de inteligência de mercado da Newzoo, analista da indústria que passou nove anos como gerente sênior na própria EA. Para ele, o cenário é de total incerteza. Acho que tudo está em aberto neste momento, diz Rosier. Suspeito que os esportes continuarão sendo o foco principal da EA, especialmente o futebol europeu, por causa da importância desse esporte na Arábia Saudita e nos territórios do Oriente Médio. Você vê muitas sinergias nesse contexto.
O analista também aposta em um reforço no setor de esports, dado o crescimento dessa modalidade na região. Você também pode esperar que eles invistam ainda mais em esports, também por causa da popularidade dos esports na Arábia Saudita e em outros territórios, afirma. Mas, enquanto os esportes e os esports devem permanecer no centro das atenções, o destino das franquias de segundo e terceiro escalão da EA é uma incógnita. O ponto de interrogação provavelmente são os IPs de segundo ou terceiro nível no portfólio da EA, completa.
E é exatamente nesses IPs menos badalados que mora o interesse de muitos jogadores. A EA possui uma vasta biblioteca de franquias adormecidas, que não recebem um novo título há anos. Rosier cita exemplos como Ultima e Wing Commander, que estão completamente parados. Eles têm muitos IPs adormecidos que não são usados há muitos anos, explica. Você sabe, eles têm IPs como Ultima, têm IPs como Wing Commander, e isso e aquilo, e não estão sendo usados. Então a questão é: alguns deles seriam vendidos, ou eles contratariam estúdios para aproveitar esses IPs? Porque vemos todos os dias a importância dos IPs.

A ideia de um retorno de Ultima e Wing Commander, no entanto, carrega um certo risco. O próprio autor do artigo lembra de Lord of Ultima, um jogo de navegador lançado em 2010, que tentou surfar na onda de jogos de estratégia como Evony, mas durou apenas quatro anos antes de ser desligado. Um remake caprichado de Ultima 4 ou um remaster de Wing Commander Privateer seriam bem-vindos, mas dependeriam de alguém na EA que se importasse com esses jogos além do valor como propriedade intelectual. E Rosier é direto ao responder sobre essa possibilidade: Acho que existem muitos IPs como esse na EA pelos quais ninguém se importa neste momento, diz. Provavelmente eles vão aproveitar isso vendendo ou tentando encontrar estúdios externos que possam trabalhar nisso. Talvez jogos para celular.
Entre os blockbusters de serviço ao vivo e os jogos esquecidos adquiridos em um passado distante, a EA também é dona de algo que muitos consideram especial: os IPs da BioWare. E é justamente aí que mora o maior temor. No meio, você tem esses IPs como os da BioWare, diz Rosier. Eles têm lutado como estúdio, como marca, nos últimos anos, e não sei se vão continuar financiando isso. Acho que essa é a maior interrogação para mim.
A BioWare, responsável por franquias como Dragon Age e Mass Effect, tem passado por dificuldades. Dragon Age sempre foi uma série irregular, marcada por reinvenções constantes e altos e baixos. Mass Effect teve uma era de ouro que durou dois jogos e meio, uma base sólida para se construir algo novo. Mas será que a nova EA vai dar essa chance? Vou acreditar quando eu ver, o próximo jogo de Mass Effect, vamos colocar dessa forma, responde Rosier, cético.
A BioWare não tem dado muitas notícias sobre o desenvolvimento do próximo Mass Effect, mas isso pode ser porque o estúdio está trabalhando duro, de cabeça baixa. Rosier, que passou mais de quatro anos como gerente sênior de planejamento de demanda de franquias na EA, conhece bem o ritmo do estúdio. Trabalhei muitos anos com a BioWare, às vezes pode levar anos e anos até que algo saia, conta. Acho que tudo pode acontecer neste momento. Eles podem puxar o plugue com muita facilidade. E se o novo investidor não tiver muitos sentimentos sobre a história do portfólio, eles provavelmente tomarão a decisão financeiramente mais sólida.
Com uma dívida de US$ 20 bilhões e novos donos focados em retorno financeiro, o futuro da EA é incerto. A prioridade para os esportes e esports é quase certa, mas o destino de franquias amadas como Mass Effect e Ultima pode depender de algo tão imprevisível quanto o capricho dos novos acionistas. Para os fãs, resta a esperança e a expectativa, enquanto a EA decide se vai apostar em nostalgia ou apenas no que dá mais dinheiro.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/gaming-industry/will-the-next-mass-effect-actually-release-under-eas-new-owners-ill-believe-it-when-i-see-it-says-former-ea-manager-turned-newzoo-analyst/.
Fonte: PC Gamer.
PCGamer latest.
2026-08-20 06:29:00








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