Remake de Halo resgata a era de ouro do Xbox, mas escancara crise da Microsoft

É impossível falar de um novo jogo do Xbox sem mencionar a situação atual da divisão de games da Microsoft. Em queda livre, a empresa enfrenta demissões em massa, estúdios fechados e estratégias confusas, resultado de anos de más decisões e aquisições bilionárias. Mas nem sempre foi assim. Nas duas primeiras gerações, o Xbox competiu de igual para igual com Nintendo e Sony, e um dos grandes motivos foi Halo. O tiro em primeira pessoa da Bungie uniu uma história de ficção científica grandiosa com uma ação quase perfeita, criando sozinho uma razão para comprar o console. Agora, o jogo ganhou um remake completo, que reconstrói a mesma experiência central para o público moderno. Prova do design original, Halo continua empolgante mais de duas décadas após seu lançamento. Mas o remake também serve como lembrete do quanto o Xbox se afastou de sua promessa inicial.

Chamado Halo: Campaign Evolved, o remake é exatamente o que o nome sugere: uma reformulação moderna da campanha original. O jogador assume o papel do supersoldado Master Chief, liderando as forças humanas em uma guerra contra a aliança alienígena Covenant, antes de ser arrastado para um conflito muito maior, com o destino da galáxia em jogo. A história de Halo nunca foi a mais original, bebendo de influências óbvias como Aliens, mas é bem construída, com reviravoltas dramáticas que incentivam o jogador a avançar pelas batalhas. O jogo é especialmente bom em alternar tons: começa na linha de frente de uma guerra em larga escala em um mundo alienígena e depois migra para algo próximo do horror, com tiroteios claustrofóbicos contra monstros perturbadores. Campaign Evolved torna a narrativa um pouco mais cinematográfica com cenas expandidas que aprofundam o histórico e os personagens, mas ainda assim curtas e concisas.

A diferença mais notável no remake são os gráficos atualizados. Construído com Unreal Engine 5, o jogo parece um tiro em primeira pessoa de 2026. Tudo é muito mais detalhado e os cenários são mais grandiosos. Na superfície do Halo, a sensação é de estar no meio de uma enorme batalha, com explosões por todos os lados e destroços de veículos e naves espalhados pela paisagem. Esse nível extra de detalhe melhora a experiência no meio do jogo, quando o jogador encontra o Flood, uma raça de parasitas alienígenas que transformam cadáveres em zumbis. Agora, os combates em espaços fechados são muito mais assustadores: os alienígenas explodem de maneiras grotescas, as paredes são cobertas por crescimentos viscosos, e o clarão dos tiros ilumina lugares escuros e os horrores que neles se escondem. É possível questionar algumas decisões artísticas — o texto original menciona sentir falta da arquitetura alienígena mais brutalista do original —, mas no geral o jogo está ótimo visualmente.

Andrew
Fonte da imagem: The Verge

Há também mudanças na jogabilidade. Algumas são pequenas, como a nova habilidade de sequestrar veículos inimigos ou o arsenal maior de armas. A maior alteração, porém, é algo que parece simples: a adição de um botão de correr. Os primeiros Halo não permitiam que Master Chief corresse, e a inclusão em Campaign Evolved torna a ação muito mais rápida e fluida, especialmente útil para fugir de inimigos maiores. O remake também introduz três novas missões e faz alterações em algumas existentes. O autor do texto original admite não ter conhecimento enciclopédico de Halo para apontar exatamente o que mudou, mas afirma que, assim como os remakes de Shadow of the Colossus e Resident Evil 4, Campaign Evolved reproduz a versão romantizada de Halo que ele guardava na memória — exatamente o que se espera de um projeto assim. As mudanças aprimoram algo que já era ótimo e suavizam a maioria dos pontos ásperos. O jogo também suporta cooperativo para até quatro jogadores.

Apesar de excelente, o remake chega em um momento muito complicado, poucas semanas depois de a nova CEO do Xbox, Asha Sharma, iniciar um “reset” que resultará na demissão de mais de 3 mil pessoas ao longo do próximo ano e na redução drástica de estúdios icônicos, como a id Software, desenvolvedora de Doom. De muitas formas, a franquia Halo ilustra a queda do Xbox. Desde que a Microsoft assumiu total responsabilidade pela série por meio de sua Halo Studios (antiga 343 Industries), o intervalo entre novos lançamentos só aumentou, enquanto a empresa tentava expandir Halo com empreendimentos mal-sucedidos, como uma série de TV e uma aposta em serviço ao vivo. O próprio Campaign Evolved reflete essa desordem: é o primeiro jogo novo de Halo desde 2021 e também chegará ao PS5, além de Xbox e PC, como parte da confusa estratégia de exclusividade da Microsoft.

Assim, por mais que o autor tenha aproveitado para enfrentar as hordas do Flood mais uma vez, ele não consegue deixar de ver Campaign Evolved dentro do contexto maior do Xbox. O Halo original era ousado, provando que ação e narrativa podiam ser forças complementares, e influenciou uma geração de jogos de tiro. Com o tempo, a proeminência da franquia diminuiu, a ponto de a Microsoft agora tentar revitalizá-la voltando ao início, em vez de fazer algo realmente novo. Cinco anos após Halo Infinite, em vez do próximo título da série, o Xbox optou pelo caminho seguro com um remake. E Campaign Evolved chega em um momento em que o futuro do lineup do Xbox parece cada vez mais incerto, dados os cortes drásticos nos estúdios.

Campaign Evolved faz um trabalho notável ao recriar a experiência de jogar Halo pela primeira vez. Mas isso não é suficiente para fazer Halo — ou o Xbox — parecer tão essencial quanto já foi. Halo: Campaign Evolved será lançado em 28 de julho para Xbox, PS5 e PC, com acesso antecipado em 23 de julho para quem fez a pré-compra.

Leia mais aqui em inglês: https://www.theverge.com/entertainment/969563/halo-campaign-evolved-review-xbox-ps5-pc.

Fonte: The Verge.

Gaming | The Verge.

2026-07-23 15:00:00

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