O que acontece quando um jogo de corrida espacial inspirado em Star Wars resolve incorporar mecânicas de MOBA? No caso de Star Wars: Galactic Racer, o resultado é um modo multiplayer caótico, viciante e surpreendentemente funcional. O título, desenvolvido pela Fuse Games — estúdio formado por veteranos da franquia Burnout —, chega em 6 de outubro e promete agitar o gênero com uma proposta ousada.
Em uma sessão recente de preview, o jornalista Harvey Randall, do PC Gamer, pôde experimentar o modo tour, que se destaca por mesclar elementos típicos de MOBAs — como construção de build, progressão específica da partida e economia pessoal — com a velocidade e a adrenalina de uma corrida arcade. A comparação com o modo Stadium, de Overwatch, é inevitável: ambos usam a itemização familiar dos MOBAs sem a necessidade de rotas ou torres.
Apesar de o jogo contar com outros modos online mais tradicionais, o tour é claramente o carro-chefe que a Fuse Games quer mostrar. E não é para menos: a experiência é genuinamente única. Em cada tour, 12 jogadores (ou oito, no caso das corridas de podracer) disputam provas em seis planetas diferentes. A diversidade começa já na seleção de personagem, com os chamados racers — kits iniciais com loadouts distintos. Um exemplo citado é o loadout Survivor, que concede um escudo, um bônus de velocidade que se perde no primeiro acidente e um impulso extra quando o escudo quebra.
A estrutura por rodadas também adiciona camadas de estratégia. Ao final de cada corrida, os jogadores podem melhorar as estatísticas base de seus veículos e escolher entre uma variedade de peças, emprestadas da campanha single-player de roguelike. Essa mecânica permite montar combinações sinérgicas ao longo do tour. O próprio Randall relatou ter montado uma build focada em ramjet — um impulso duradouro que dificulta o controle do veículo — com habilidades que reduziam o cooldown e recarregavam instantaneamente outros boosts, criando um ciclo de aceleração quase infinito.
Além das peças, há habilidades ativas, como escudos, torpedos e lança-chamas, além de partes que concedem resistências elementais — um fator que pode ser decisivo dependendo dos planetas visitados no tour. Para adquirir esses itens, é preciso créditos, obtidos de duas formas: pela colocação nas corridas ou por apostas em si mesmo, prevendo se você terminará entre os três, seis ou nove primeiros (em corridas de 12 participantes). No modo podracer, ainda há recompensas (bounties) que incentivam estilos de jogo específicos, como eliminações.

Por trás dessa complexidade está a visão do diretor criativo Kieran Crimmins, que busca equilibrar agência do jogador e profundidade mecânica. Agência do jogador significa que cada escolha que você faz — o veículo, o upgrade, o aumento permanente de atributos, as peças, o personagem no multiplayer ou o estilo de jogo — tem que fazer diferença real na vitória ou derrota, explicou Crimmins. É isso que cria a sensação de que, se você errar, a culpa é sua, e o jogo não está sabotando você. Também permite que você elabore estratégias e seja competitivo de uma forma que não seria possível em outros jogos de corrida.
Sobre a profundidade dos sistemas, ele completou: O jogo precisa ser fácil de aprender para que você jogue e se divirta imediatamente. Mas todos esses sistemas têm que ter profundidade física e mecânica. E, pelo que foi apresentado, há bastante espaço para domínio.
Apesar do caos, o modo tour se mostrou extremamente divertido. O único ponto negativo, além das derrotas acachapantes, foram os fatores ambientais: em algumas corridas, poços de ácido podiam arruinar a corrida com um mero toque; em outros planetas, um efeito de congelamento podia ser removido ao passar por dutos de calor estreitos. Esses detalhes adicionam ainda mais imprevisibilidade às disputas.
O produtor executivo da Lucasfilm Games, Craig Derrick, reforçou que a complexidade não é obrigatória: Acho que algumas pessoas querem entrar e simplesmente jogar com os amigos, disse. Isso é inerente ao DNA do jogo, e é tão importante quanto ter uma experiência divertida contra outros e ver quem sai vencedor.
Com lançamento marcado para 6 de outubro, Star Wars: Galactic Racer promete ser uma adição ousada ao gênero de corrida, unindo a nostalgia da franquia com mecânicas modernas e um multiplayer que desafia convenções. Resta saber se o equilíbrio final estará à altura das expectativas — mas, pelo que foi visto, a Fuse Games está no caminho certo.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/racing/star-wars-galactic-racers-multiplayer-tour-mode-is-a-chaotic-arcade-racer-spliced-with-a-moba-and-that-somehow-works-brilliantly/.
Fonte: PC Gamer.
PCGamer latest.
2026-08-18 13:57:00








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