Doom entra para lista do Washington Post como uma das 25 obras mais influentes da cultura americana

O jogo Doom, lançado em 1993 pela id Software, foi selecionado pelo jornal The Washington Post como uma das 25 obras mais influentes da cultura americana. A lista foi montada para celebrar os 250 anos dos Estados Unidos e inclui ícones como o panfleto Common Sense, de Thomas Paine, o hino Star Spangled Banner, a autobiografia de Frederick Douglass, o jeans Levi’s, o Mickey Mouse e as gravações do bluesman Robert Johnson. Cada década da história americana é representada por uma obra, e Doom foi o escolhido para o período de 1986 a 1995, superando concorrentes como O Clube da Sorte, de Amy Tan, o filme Faça a Coisa Certa, de Spike Lee, Os Simpsons, Seinfeld e o reality show The Real World, da MTV.

O crítico de videogames do Washington Post, Gene Park, escreveu que, em dezembro de 1993, a id Software disponibilizou gratuitamente parte do novo jogo pela internet. As redes de universidades não suportaram o tráfego e os fóruns online ficaram lotados. O game acabou sendo instalado em mais computadores do que o Microsoft Windows 95 na época. Park destacou que Doom foi fundamental para o entretenimento digital: um mundo 3D visto em primeira pessoa, autopublicado, sem intermediários e sem lojas físicas, que deu origem ao conteúdo gerado por usuários antes mesmo de esse conceito ter um nome. O programador John Carmack entregou ao público as ferramentas para construir seus próprios cantos do inferno.

Park também abordou as percepções negativas que cercaram Doom ao longo dos anos. O jogo foi usado como bode expiatório para o massacre de Columbine, em 1999, no Colorado, que Park chamou de epicentro do pesadelo contínuo dos EUA. Ele afirmou que foram pessoas com armas, e não um jogo, que tiraram vidas, e que uma nação enlutada temia uma nova forma de entretenimento que não compreendia. Audiências foram realizadas sobre jogos e música, um modelo que se repetiria após quase todos os tiroteios em massa desde então.

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Fonte da imagem: Pcgamer

Na visão de Park, Doom representa os Estados Unidos. O espírito de compartilhamento e comunidade do jogo, junto com sua abordagem pioneira de guiar jogadores por ambientes abstratos em 3D, está enraizado na formação do designer John Romero, que é nativo americano (Yaqui, Cherokee) e mexicano. Park citou Romero: Muito do design de Doom, especialmente o design de níveis, foi realmente influenciado por essa compreensão do ambiente, do mundo, e isso vem do meu pai, da minha avó, de todo mundo — gerações, segundo ele, onde as pessoas viviam na terra que acreditavam ser compartilhada.

O cofundador da id Software, John Romero, celebrou a conquista nas redes sociais, assim como Tom Hall, outro cofundador. A lista do Washington Post não é um ranking de melhores, mas uma série de marcos históricos que definem cada época. O crítico cultural do jornal, Philip Kennicott, explicou que nenhuma década pode ser resumida, mas que, se fosse escrita uma autobiografia não com palavras, mas com obras — livros, música, arte, ideias, moda e cultura —, essas 25 estariam entre as mais marcantes. Ele ressaltou que não são necessariamente os momentos de maior orgulho, mas atos definidores da cultura, e que a lista é imperfeita e incompleta, assim como os Estados Unidos.

Esta é a segunda vez que Doom é reconhecido como uma obra culturalmente importante nos últimos meses. Em maio, a trilha sonora do jogo foi adicionada à playlist nacional do país na Biblioteca do Congresso dos EUA.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/fps/the-washington-post-selects-doom-as-one-of-the-25-most-influential-works-of-american-culture/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-07-15 23:13:00

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