Em um cenário onde produções de super-herói dominam o entretenimento, é difícil imaginar uma época em que o gênero era visto como nicho. Mas antes de o Universo Cinematográfico Marvel tornar heróis de quadrinhos um assunto popular, uma série de TV conseguiu capturar tudo o que há de melhor no gênero e transformar em uma temporada perfeita. Essa série é ‘Heroes’, que voltou ao catálogo da Netflix em 1º de julho, após ficar fora da plataforma desde 2016.

Criada por Tim Kring, ‘Heroes’ estreou em 2006 na NBC, dois anos antes de ‘Homem de Ferro’ dar início ao MCU. Com 23 episódios em sua primeira temporada, a série teve espaço para apresentar um elenco amplo de personagens com diferentes superpoderes: uma líder de torcida invencível, um viajante do tempo de Tóquio, um enfermeiro com um poder desconhecido, uma mãe com lapsos de memória e força descomunal, entre outros.

Ao todo, mais de dez personagens principais são introduzidos, vindos de várias partes do mundo e com origens diversas. Além de lidar com seus poderes recém-descobertos, cada um enfrenta dramas pessoais — relacionamentos, problemas familiares ou complicações no trabalho. Em certo sentido, qualquer um deles poderia protagonizar sua própria série. Eu estava interessado no que exatamente é um herói, disse Kring em entrevista ao Inverse. Aqueles eram os anos Bush, quando éramos meio brutais no mundo, então era importante ter um elenco internacional, com pessoas de todo o mundo se unindo.
A trama começa com um eclipse solar que desperta as habilidades dos personagens. Eles são unidos por um idealismo e um propósito maior: impedir uma explosão que devastaria a cidade de Nova York. Parte do fascínio da série está em ver como essas histórias aparentemente desconexas se entrelaçam, resultando em cenas e arcos recompensadores quando os personagens favoritos finalmente se encontram. Ao longo da primeira temporada, Kring e sua equipe de roteiristas acrescentam reviravoltas e motivos para que as vidas dos personagens se cruzem repetidamente, incluindo um assassino em série que caça pessoas com superpoderes e a influência de uma organização misteriosa chamada Companhia.

‘Heroes’ é um exemplo do poder da TV serializada, típica daquela época, em que os roteiristas tinham espaço para explorar personagens em profundidade, levantando questões instigantes que desafiavam o meio. Não por acaso, ‘Lost’ também estava no ar naquele período, surpreendendo o público a cada novo episódio. No caso de ‘Heroes’, o formato de rede de TV se mostrou ideal para histórias de super-heróis, com episódios e temporadas construídos em arcos, espelhando as revistas em quadrinhos.

A série terminou em 2010, com quatro temporadas no total. Foi cancelada na última, deixando um gancho doloroso que não oferece encerramento e não revela o destino dos personagens. Embora mais heróis, vilões e dramas sejam introduzidos ao longo das temporadas, houve um declínio constante na qualidade. Cada nova temporada é pior que a anterior, perdendo um pouco do que tornou a primeira tão especial. Kring também produziu uma série-evento intitulada ‘Heroes Reborn’, exibida em 2015 com 13 episódios. Não é um reboot nem uma sequência direta do original, mas se passa no mesmo universo.
Ainda assim, a primeira temporada pode fazer com que o espectador se torne um verdadeiro crente, e talvez queira continuar assistindo ao que acontece com os demais personagens. Ou talvez fique satisfeito em parar nos 23 episódios iniciais. De qualquer forma, não há maneira melhor de passar o fim de semana do que preenchendo essa lacuna na história da cultura pop.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/heroes-nbc-netflix-streaming-superhero/.
Fonte: Polygon.
2026-07-10 16:00:00








Deixe um comentário