Croteam revela novos detalhes sobre o final esperançoso de The Talos Principle 3

A Croteam, conhecida pela série Serious Sam, está finalizando a trilogia The Talos Principle com um terceiro jogo que promete encerrar a história com uma mensagem de otimismo, mesmo em meio ao atual cenário de ansiedade em torno da inteligência artificial generativa. Em entrevista ao Polygon, o diretor de criação Davor Hunski e os roteiristas Verena e Jonas Kyratzes detalharam o que esperar do desfecho da série, que começou em 2012 como um experimento acidental.

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A origem de The Talos Principle remonta a uma tentativa de resolver um problema específico em um novo jogo de Serious Sam: como criar uma forma divertida de destravar portas sem usar cartões-chave. Hunski começou a testar um dispositivo que permitia aos jogadores travar portas, e a ideia rapidamente evoluiu para algo maior. Inspirado por jogos como Flow, o conceito ganhou vida própria e foi apresentado à Devolver Digital, que, apesar de esperar ver Serious Sam 4, aprovou entusiasticamente o projeto.

O primeiro jogo, lançado em 2012, foi aclamado pela crítica por seus quebra-cabeças desafiadores e pela história reflexiva sobre transumanismo. A sequência, The Talos Principle 2, chegou em 2023, e um remake do original, intitulado The Talos Principle: Reawakened, foi lançado em 2025. Agora, a Croteam se prepara para concluir a série com The Talos Principle 3, que teve apenas um pequeno teaser trailer divulgado até o momento.

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Segundo Verena Kyratzes, a trilogia foi concebida como uma exploração do ciclo da vida: O primeiro jogo é sobre o nascimento. O segundo é sobre a vida. E o último é sobre o que vem depois. A trama se passa em A Anomalia, um espaço misterioso onde as leis da física não se aplicam. Androides são atraídos para lá, alguns acreditando que encontrarão Deus. O jogador controla um membro de uma expedição que deu errado, ficando preso na Anomalia e observando suas experiências passadas sendo recriadas pelo local.

A discussão central do jogo gira em torno da vida após a morte e da continuidade da alma. O que me atraiu na história é essa discussão: você acredita em vida após a morte ou não? É algo a ser temido, ou você pode encontrar esperança nisso?, questiona Verena. Ela não afirma acreditar nisso, mas considera um debate interessante: Talvez, se você viveu uma boa vida, o próximo passo não seja tão assustador.

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A conversa com a equipe rapidamente se desviou para debates filosóficos. Jonas Kyratzes abordou a imortalidade como conceito, perguntando se os jogadores escolheriam viver para sempre se a humanidade descobrisse como. Quando o entrevistador brincou que não gostaria de viver mais do que o necessário, Hunski rebateu: Você vai envelhecer. Vai mudar de ideia. Jonas completou: Muitas vezes as pessoas dizem: ‘Ah, não quero viver mil anos porque teria que trabalhar por mil anos’. O problema é o seu emprego! O problema é que você está extremamente alienado do seu trabalho! O problema não é que você não quer viver mil anos!.

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A ascensão da inteligência artificial generativa colocou The Talos Principle em uma posição estranha. O que antes era ficção científica pura agora se tornou uma ansiedade inescapável, e a Croteam se vê frustrada por ver seu tema sendo interpretado como um comentário sobre a tecnologia atual. Jonas Kyratzes admite que isso o incomoda desde o primeiro jogo: As pessoas têm me irritado com isso desde o primeiro jogo. Para ele, a série não está interessada em como a tecnologia funciona, mas em usá-la para fazer perguntas sobre a humanidade, como se a consciência pode ser criada ao organizar a matéria na ordem correta.

Apesar das interseções indiretas com os debates atuais, Jonas afirma que The Talos Principle 3, assim como o segundo jogo, é sobre imaginar um mundo melhor e melhores aplicações da tecnologia. Os androides da série vivem vidas relativamente comuns, e a ideia de que uma inteligência artificial seria algo muito alienígena é algo que os jogos contestam. Há um conceito recorrente nos jogos de que o que eles estão tentando fazer não é ser mais que humano, mas ser mais humano, explica.

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A equipe da Croteam mantém um otimismo que contrasta com o cenário distópico atual. Inspirada por Star Trek e pelo astrônomo Carl Sagan, a série não apresenta sua civilização robótica como uma distopia. Jonas Kyratzes ressalta que os seres humanos fazem coisas belas o tempo todo e ainda são capazes de bondade, com exceção de alguns poucos danificados pelo mundo. Ele defende que os sistemas produzem indivíduos e os colocam em posições de poder, o que é assustador, mas também esperançoso, pois significa que não são as pessoas individualmente que são culpadas, mas sim que todos estão presos nessa maquinaria.

Verena Kyratzes relembra uma conversa com seu pai sobre IA, que dizia não querer que ela existisse porque seria má, já que as pessoas que a programariam seriam más. Ela contra-argumentou: Mas e se não fossem?. Essa pergunta, seja otimismo ou ingenuidade, é o que impulsiona a série. A Croteam se recusa a admitir derrota e não vai recuar em sua filosofia com The Talos Principle 3. Pelo contrário, o estado sombrio do mundo só deu mais motivos para a equipe dizer o que quer dizer. Contamos essa história porque achamos que muitas pessoas não têm esperança, porque não veem a esperança, afirma Verena. Grande parte da narrativa por aí — não apenas em jogos, mas em filmes, livros etc. — é distópica. Se não contarmos essas histórias, as pessoas não acreditarão que ainda há esperança. Eu olho lá fora e também penso: ok, estamos ferrados. Mas e se não estivéssemos? E se pessoas suficientes pudessem esperar novamente para que algo pudesse mudar? Sei que Talos Principle é apenas um jogo contra essa enxurrada gigante de narrativas distópicas, mas temos que começar em algum lugar.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/the-talos-principle-3-interview/.

Fonte: Polygon.

2026-07-06 12:00:00

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