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O mercado de hardware para jogos vive um dos momentos mais caros de sua história, e a perspectiva para o futuro não é nada animadora. Para quem esperava que a crise de memória RAM, que elevou os preços de consoles e PCs, fosse passageira, a notícia é desanimadora: mesmo quando a escassez de chips terminar, a era dos consoles lançados por US$ 500 parece ter ficado para trás. A tendência é que o PlayStation 6 e o próximo Xbox, conhecido internamente como Project Helix, cheguem ao mercado com preços próximos de US$ 1.000.
Durante as últimas duas décadas, o preço de entrada para o mundo dos consoles girou em torno de US$ 500. As gerações anteriores de Xbox e PlayStation foram lançadas na faixa de US$ 400 a US$ 500, e, com o tempo, os preços caíam graças a versões mais baratas, como os modelos Slim, e a descontos de fim de ano. Essa dinâmica, no entanto, não se repetiu na geração atual. O PS5 e o Xbox Series X chegaram em 2020 com preço sugerido de US$ 500, mas, em quase seis anos, só ficaram mais caros.
O primeiro grande obstáculo foi a pandemia de COVID-19, que desorganizou as cadeias de suprimentos e causou uma escassez de estoque que manteve os preços acima do valor de tabela por mais de dois anos. Quando a oferta finalmente começou a se equilibrar com a demanda, por volta do terceiro ano do ciclo, a expectativa era de que os preços começassem a cair, como costuma acontecer no meio da geração. Mas aí veio o pacote de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump, que abalou a economia global e forçou Sony e Microsoft a aumentarem seus preços. Até a Nintendo, conhecida por seus consoles mais acessíveis, teve que lançar o Switch 2 por US$ 449.
E não parou por aí. A crise dos chips, alimentada pela enorme expansão da infraestrutura de data centers para inteligência artificial, causou uma escassez de memórias usadas em placas de vídeo, armazenamento e RAM. Essa crise é a responsável direta por preços como os US$ 899 do PS5 Pro, os US$ 749 do Xbox Series X e os US$ 1.049 do Steam Machine, que antes custaria US$ 750. A Valve já declarou que a crise de memória “está piorando”, e o CEO da fabricante de memórias Micron prevê que a escassez deve durar até 2028.
Diante desse cenário, a pergunta natural é: será que em 2029, quando a crise passar, veremos um console por US$ 500 novamente? A resposta, segundo a análise, é não. Os dias do console de US$ 500 estão, muito provavelmente, encerrados. Quando a próxima geração chegar, por volta de 2029, o mercado já terá se ajustado aos novos patamares de preço. Mesmo que as cadeias de suprimentos se normalizem, as tarifas sejam revogadas e a crise de RAM seja resolvida, os consumidores já estarão acostumados a pagar perto de US$ 1.000 por hardware de jogos. Com isso, Sony e Microsoft terão pouco incentivo para lançar seus novos consoles por um valor menor.
O histórico do mercado de GPUs reforça essa preocupação. Em 2017 e novamente em 2020, o boom da mineração de criptomoedas causou escassez de placas de vídeo e preços inflados por cambistas. Quando a oferta se normalizou, as gerações seguintes de GPUs chegaram com preços de lançamento bem mais altos, refletindo o valor que os consumidores já estavam acostumados a pagar. Não há razão para acreditar que o mercado de consoles siga caminho diferente.
A demanda por consoles mais caros, no entanto, parece garantida. O Switch 2, por exemplo, tornou-se o segundo console mais vendido da história dos Estados Unidos, mesmo com um preço de lançamento mais alto. Por outro lado, o Steam Deck viu sua demanda despencar após grandes aumentos de preço, mas isso se deve, em parte, à existência de opções melhores e mais baratas no mercado. Ainda assim, a tendência é de que os consumidores aceitem pagar mais.
Outro fator que contribui para a alta é a falta de concorrência para segurar os preços. A Sony já afirmou que não pretende subsidiar o custo do PS6, e o futuro do Xbox é incerto, com o Project Helix parecendo mais um PC do que um console tradicional. E as placas de vídeo para PC não estão ficando mais baratas. Além disso, a inflação nos Estados Unidos atingiu uma alta recorde em 40 anos em 2022 e permaneceu acima do normal nos anos seguintes, encarecendo tudo.
Para colocar em perspectiva, o PS3 de 60 GB foi lançado por US$ 600 em 2006. Corrigido pela inflação, esse valor equivaleria a quase US$ 1.000 hoje. Ou seja, talvez tenhamos dado sorte de os consoles terem permanecido tão baratos por tanto tempo. Mas, como conclui a análise, a festa acabou: o console de US$ 500 está extinto, e a próxima geração deve custar bem mais caro, independentemente de quando a crise de componentes terminar.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-500-console-is-dead.
Fonte: IGN.
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2026-07-31 20:35:00








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