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A MAD Magazine publicou suas páginas entre 1952 e 2018 e ficou marcada por satirizar política, atualidades e, principalmente, a cultura pop. Com artistas como Mort Drucker e roteiristas como Dick DeBartolo, a revista transformava filmes bons e ruins em paródias em quadrinhos de várias páginas, onde nada era sagrado. Os anos 90 são apontados como um dos grandes momentos da publicação, e cinco paródias dessa década continuam funcionando bem — algumas até melhoraram com o tempo, graças ao cenário político americano atual.
A edição número 331, de 1994, trouxe uma sátira de Os Flintstones assinada pelo artista Angelo Torres e pelo roteirista Dick DeBartolo, aproveitando o lançamento do filme estrelado por John Goodman como Fred Flintstone. Entre as piadas, está o ressentimento de Dino com Barney, o Dinossauro, mas a melhor é a que lembra o quanto a série original devia à sitcom The Honeymooners, dos anos 50: os personagens trocam os nomes uns dos outros pelos daquele programa sem perceber.
Já a edição número 298, de outubro de 1990, atacou As Tartarugas Ninja, no filme de 1990, com arte de Sam Viviano e roteiro de Dick DeBartolo. A paródia explora a semelhança dos personagens com figuras de Star Wars — Splinter lembrando Yoda, Destruidor lembrando Darth Vader —, mas brilha mesmo ao zombar da avalanche de produtos licenciados. Na primeira página, Splinter repreende Raphael por agredir um vendedor de pretzels, já que as Tartarugas deveriam agir nas sombras: “Não podemos ser vistos em lugar nenhum!”, grita ele, “exceto em lancheiras licenciadas, moletons, chapéus, bonecos flexíveis, relógios, e no nosso desenho de sábado e nos jogos de Nintendo!”.
Ainda na edição 298, Mort Drucker e Stan Hart pegaram Gremlins 2. Mesmo sendo um filme que já brinca com o próprio gênero, a paródia de cinco páginas conseguiu piadas que funcionam melhor hoje do que em 1990. O motivo é o personagem Daniel Clamp, vivido por John Glover, que já era uma paródia óbvia de Donald Trump no longa. Na revista, ele vira “Donald Chump” e ganha a aparência exata de Trump, com piadas sobre ser um sujeito nojento e ganancioso. A melhor vem de um quadro em que a Gremlin fêmea se torna secretária de Chump e ele pensa em como seria fácil se aproveitar dela na festa de Natal da empresa.
A edição número 300, de janeiro de 1991, fez uma versão anos 90 de O Mágico de Oz, escalando celebridades da época. Algumas ainda são reconhecíveis, como Vanna White como a Bruxa Boa do Norte, enquanto outras praticamente sumiram da memória, como Tammy Faye Bakker como a Bruxa Má. O melhor acerto de elenco fica para o Mágico, interpretado por Donald Trump. No fim da história, em vez de dar presentes fantasiosos como no filme, ele distribui conselhos detestáveis, como incentivar o Espantalho a vender títulos podres.
Fechando a lista, a edição número 304, de 1991, trouxe Edward Mãos de Tesoura nas mãos de Angelo Torres e Dick DeBartolo. A paródia aponta as esquisitices do filme, como o motivo de Edward ter lâminas no lugar das mãos ou por que aquela mulher o levaria para casa. Uma piada recorrente mostra Edward cortando as cercas vivas em formatos de personagens licenciados, como os Simpsons e o Pica-Pau, mas a melhor surge em um flashback da morte do personagem de Vincent Price, o Inventor. Na versão da MAD, ele começa a engasgar e Edward tenta aplicar a manobra de Heimlich, cortando-o ao meio.
Visão Gamer: as paródias da MAD mostram como a cultura pop e os games se misturavam já nos anos 90, com referências diretas a jogos de Nintendo e ao merchandising das Tartarugas Ninja. Para quem cresceu jogando nessa época, as piadas funcionam como um retrato bem-humorado de como esses personagens estavam em todo lugar — dos consoles às lancheiras.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/mad-magazine-parodies-1990s-aged-perfectly/.
Fonte: Polygon.
2026-09-29 00:00:00








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