Veteranos da indústria dizem que a crise dos games é maior que os games: talvez tenhamos que consertar a realidade

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Fonte da imagem: Pcgamer

A crise que atravessa a indústria de videogames não é só sobre demissões, estúdios fechados e fusões bilionárias. Para vários veteranos do setor, o problema é estrutural — e vai muito além dos games. Em uma nova edição da newsletter Knowledge, originalmente publicada na Edge magazine, nomes como Harvey Smith, Tanya X. Short, Raph Koster e Sam Barlow compartilharam suas leituras sobre o momento.

Harvey Smith, ex-diretor criativo da Arkane Studios, é direto ao dizer que não enxerga a situação como um problema exclusivo da indústria de jogos. Para ele, tudo faz parte de um sistema maior, capturado por forças gananciosas. Smith cita Redfall, jogo que antecedeu o fechamento da Arkane Austin em 2024, e questiona a lógica de mercado: em vez de descartar equipes, talvez elas pudessem ter evoluído e criado outro Dishonored. Mesmo que acertassem um a cada três projetos, ele pergunta se não valeria a pena manter essas pessoas — e responde que, aparentemente, o dinheiro prefere ir para a IA, onde mesmo uma bolha faz as ações subirem.

Tanya X. Short, cofundadora da Kitfox Games, segue a mesma linha. Para ela, os modelos financeiros atuais não foram feitos para nutrir arte ou entretenimento. Não acho que a arte seja o que o capitalismo foi projetado para nutrir. Mas os humanos são, afirma.

Raph Koster, veterano de Ultima Online e Star Wars: Galaxies, cujo estúdio Playable Words lançou recentemente o MMO Stars Reach, aponta para dinâmicas sistêmicas. Segundo ele, sem regulação, o mercado caminha para concentração, depois cartéis e, por fim, monopólios. Isso é intrínseco ao funcionamento, diz.

Sam Barlow, conhecido por Her Story, Telling Lies e Immorality, resume o sentimento: No fim das contas, para consertar o que está quebrado na indústria de videogames, talvez tenhamos que consertar a realidade.

A leitura pessimista tem base em movimentos concretos. A indústria mainstream vive uma onda de fusões e aquisições multibilionárias que costumam resultar em demissões em massa e decisões criativas cada vez mais restritas. No início deste ano, a Devolver Digital, que abriu capital em 2021, anunciou a intenção de sair da bolsa porque o negócio de games simplesmente não é compatível com a exigência do mercado por crescimento previsível e sequencial — uma admissão dura de que o sistema atual não está funcionando.

Apesar do tom sombrio, Harvey Smith se declara otimista. Ele acredita que as pessoas vão continuar se reunindo para criar coisas legais. O modelo pode ser diferente, a estrutura pode ser diferente, mas tenho esperança de que sempre haverá mercado para isso, desde que as pessoas sejam brilhantes e criativas e queiram fazer um bom trabalho, afirma. Pode ser ruim por um tempo, podemos ter que depor alguns reis, mas vai ficar tudo bem.

O relatório completo da Knowledge, publicado originalmente na Edge, traz ainda comentários de outros veteranos, como Shawn Layden, Tim Sweeney, Craig Duncan e Amir Satvat, homenageado no The Game Awards 2024 por seu trabalho de apoio a desenvolvedores demitidos.

Visão Gamer: A discussão não muda lançamentos ou patches, mas ajuda a entender por que estúdios inteiros somem e franquias ficam mais conservadoras. Para quem joga, o recado é que a saúde da indústria — e a variedade do que chega às plataformas — depende de fatores que vão muito além do próximo grande lançamento.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/gaming-industry/industry-vets-behind-dishonored-ultima-online-her-story-and-more-agree-the-games-industry-crisis-goes-beyond-games-ultimately-to-fix-whats-broken-in-the-videogame-industry-we-might-have-to-fix-reality/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-09-18 21:35:00

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