O novo filme de Resident Evil dirigido por Zach Cregger virou alvo de reclamação de parte dos fãs antes mesmo de chegar aos cinemas. Mesmo com trailers que chamaram atenção, a insatisfação gira em torno de dois pontos: o longa não adapta os jogos de forma literal e corre em paralelo aos eventos de Resident Evil 2, em vez de reproduzir cena a cena o que acontece no game. Além disso, o filme deve trazer interpretações mais livres sobre o que o T-vírus é capaz de fazer, o que também desagradou parte da comunidade.

A discussão sobre fidelidade, no entanto, esbarra em um detalhe que os próprios jogos já deixaram claro: a série nunca tratou o lore como algo imutável. Entre os remakes e os originais, detalhes importantes mudam para servir melhor à narrativa. Um exemplo é Krauser em Resident Evil 4. No original, ele trabalha para Wesker e é enviado para conseguir uma amostra do âmbar. No remake, ele está do lado de Saddler, atuando como um de seus capangas. A mudança se conecta a outra decisão do remake: tornar Saddler uma ameaça mais misteriosa e imponente.

Resident Evil Requiem também mexe com personagens de peso. O jogo dá uma reviravolta na figura de Spencer, transformando um dos vilões mais desumanos da série em um velho arrependido cuja última ação no mundo é desfazer o trabalho da própria vida tentando deixar o planeta em situação melhor. Outra decisão curiosa foi a criação de Zeno, um clone de Wesker geneticamente predisposto a usar sobretudo e óculos escuros. A impressão é que os desenvolvedores queriam trazer Wesker de volta, mas não conseguiram justificar a ressurreição, então apostaram no clone.

O ponto é que a franquia já provou que se prender a cada detalhe do lore não é o caminho para entregar uma boa história. Mudanças servem para fortalecer personagens, criar tensão e adaptar o material para outra mídia. Cobrar de Cregger uma imitação quadro a quadro dos jogos ignora que o próprio survival horror da série sempre se reinventou. A indústria também não foi totalmente afastada das adaptações depois dos filmes de Paul W. S. Anderson, o que abre espaço para tentativas com abordagens diferentes.

Visão Gamer: Para quem acompanha a franquia, o mais relevante é que o filme não tenta ser uma cópia dos jogos. Isso pode significar uma adaptação que explora o clima de survival horror sem ficar presa a eventos que os fãs já conhecem de cor. A discussão sobre fidelidade, no fim, reflete uma tensão antiga entre adaptar e recriar — e os próprios games já mostraram que mudar detalhes do lore pode funcionar quando a história pede.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/movies-tv/the-resident-evil-film-should-be-more-concerned-with-understanding-the-roots-of-its-survival-horror-than-adhering-to-strict-lore-accuracy/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-09-18 22:04:00








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