Christopher Nolan finalmente lança seu aguardado épico ‘Odisseia’ neste fim de semana, mas o colunista Christopher Livingston, do PC Gamer, não conseguirá assistir na estreia — o IMAX perto de sua casa está lotado, restando apenas os assentos horríveis da primeira fila. Para não ficar de fora, ele decidiu ter um gostinho da história de outra forma: jogou a versão point-and-click de 2012, ‘The Odyssey’, desenvolvida pela Crazysoft e lançada no Steam em 2016. E a experiência rendeu uma previsão bem-humorada sobre o que esperar do filme de quase três horas.
Livingston jogou exatamente as 2 horas e 53 minutos de duração do longa e, se o filme seguir o roteiro do game — e ele não tem motivos para acreditar que não seguirá —, o público vai testemunhar Matt Damon, no papel de Odisseu, passando a primeira hora inteira tentando operar um tear. Acabei de economizar uns 25 dólares para você. De nada, brinca o jornalista.

A trama começa como no poema original: Odisseu está preso na ilha de Calipso, e Hermes aparece para convencê-la a libertá-lo. No game, a primeira tarefa é construir uma jangada. Odisseu, que nunca pensou nisso antes, precisa pedir instruções passo a passo para Calipso. O problema é que nada é simples: Matt Damon (no jogo, o personagem) fica andando de um lado para o outro, pegando punhados de lama, tocando vasos e encarando objetos, sem conseguir realizar tarefas básicas como usar um machado para derrubar uma árvore.

Este jogo é a definição de ‘caça ao pixel’: é extremamente difícil distinguir o que é clicável do que não é, explica Livingston. Por exemplo, a razão pela qual não consigo cortar a árvore com o machado é porque ainda não peguei um galho da árvore, e esse galho leva, sem brincadeira, vários minutos de cliques em cada centímetro quadrado da árvore para ser localizado. Ele não se destaca do resto da árvore.
A parte mais frustrante, segundo o colunista, é o tear. Para tecer uma vela, ele precisa pressionar uma alavanca e um pedal específicos, mas Calipso só diz que apenas um de cada deve ser acionado, sem especificar quais. Como já havia mexido nos controles antes de perguntar, Livingston não sabe em que estado eles estão e precisa testar todas as combinações possíveis. Isso é parecido com o que Matt Damon fará em breve: usar cada item do inventário, inclusive um punhado de lama, em todos os outros objetos da tela, incluindo ele mesmo e Calipso.

Depois de finalmente conseguir a vela, Odisseu precisa de dois pedaços longos e resistentes de madeira para a jangada. Mesmo tendo derrubado uma floresta inteira com o machado, ele não os encontra em lugar nenhum. A solução? Quebrar pedaços de madeira do próprio tear. Sei que Calipso o manteve prisioneiro por anos, mas ainda assim é falta de educação destruir o único tear dela antes de dar o fora, ironiza Livingston.

Na segunda hora, o desafio muda para identificar constelações. Odisseu recebe 12 estatuetas com imagens gravadas e precisa combiná-las com 12 constelações no céu. Parece fácil: clicar na constelação, obter informação, clicar na estatueta correspondente. Mas não funciona. Depois de tentar todas as combinações, Livingston descobre, por acaso, que é preciso esfregar a estatueta no tronco da jangada para que símbolos apareçam. Ninguém disse a Matt Damon que esfregar pedras na jangada fazia parte do enigma. Ninguém — nem o pássaro falante, nem Calipso, nem o peixe idiota que joguei no oceano idiota — deu a Matt Damon a menor ideia de que isso poderia ser parte da solução. E nem é necessário! Eu já sabia qual estatueta e constelação correspondiam a Orion, Zeus, Câncer e todo o resto! Matt Damon está furioso.

Na terceira e última hora, Odisseu precisa fazer chá para que Atena o torne invisível e ele possa entrar no palácio do rei. Livingston consegue encontrar uma tigela e uma folha de hortelã, acende uma fogueira, mas não consegue ferver a água sem um fole que um soldado se recusa a emprestar. A solução, descoberta com a ajuda de um guia (que ele chama de pergaminho), é absurda: pegar um pedaço de madeira, encontrar uma faca embaixo dele, cortar uma corda pendurada na parede, amarrá-la no tridente de uma estátua de Poseidon e puxá-la para fazer o tridente se mover, convencendo o soldado de que um milagre está ocorrendo — e, enquanto ele se distrai, roubar o fole. Claro. É uma solução tão intuitiva, porque estátuas sempre têm partes móveis e soldados historicamente não enxergam cordas!, ironiza.
Atena envolve Odisseu em névoa para torná-lo invisível, mas o tempo acaba: 2 horas e 53 minutos se passaram, e o jogo termina. Pelo guia, Livingston calcula que completou apenas um terço da aventura — um jogador no Steam relatou mais de 50 horas de jogo e não o recomenda. Se você for assistir ‘Odisseia’ neste fim de semana, por favor, divirta-se vendo Matt Damon eventualmente descobrir como um tear funciona, ficar furioso com estrelas e fazer chá. Parece um vencedor do Oscar para mim, conclui o colunista.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/movies-tv/if-the-the-odyssey-film-is-anything-like-the-odyssey-adventure-game-from-2012-matt-damon-will-spend-the-entire-first-hour-trying-to-solve-a-single-loom-puzzle/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-07-15 23:04:00








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