Yuri!!! On Ice: o anime que abriu caminho para o BL e a representação queer na cultura pop

Quando o último episódio de Yuri!!! On Ice foi ao ar, em 21 de dezembro de 2016, a demanda para assistir e comentar o finale foi tão alta que Crunchyroll e Tumblr saíram do ar. O momento coroava 12 semanas de um fenômeno que começou com expectativa cautelosa em outubro daquele ano e cresceu até virar um dos assuntos mais comentados da temporada. Dez anos depois, a série segue sendo um marco — e não só para fãs de anime.

A trama acompanha Yuri Katsuki, um patinador artístico de 23 anos que lida com ansiedade e depressão e volta para o litoral do Japão após uma temporada humilhante. Ele pensa em largar o esporte quando seu ídolo, o russo Victor Nikiforov, aparece no onsen da família e se oferece para ser seu novo técnico. Ao longo dos 12 episódios, Yuri reconstrói a confiança como atleta e como pessoa, e se apaixona por Victor no processo.

O que explica o impacto? Parte do público chegou pelo tema patinação artística, algo incomum em animes esportivos. Outra parte veio pelo design de personagens, animação e música dos trailers, ou por já acompanhar a diretora Sayo Yamamoto, que comandou Michiko & Hatchin e Lupin the Third: The Woman Called Fujiko Mine. Yamamoto codirigiu a série ao lado de Jun Shishido e assinou o roteiro com Mitsurō Kubo.

Mas o ponto que mais pesou foi a representação queer. Em 2016, era mais comum a cultura pop apostar em queerbait do que mostrar relacionamentos explícitos. Antes da estreia e na primeira metade da série, muita gente assumia que qualquer romance entre Yuri e Victor ficaria no subtexto. O beijo do episódio 7, ainda que parcialmente encoberto pelo braço de Victor, foi tratado pelos fãs como canônico e virou o gatilho que levou muita gente a dar uma chance ao anime.

O alcance foi enorme. Yuri!!! On Ice foi o anime mais comentado da temporada de outono de 2016 no Twitter, com 1.440.596 menções, contra 348.109 de Haikyu!!, o segundo colocado. O crescimento da Crunchyroll naquele período ajudou: o serviço viu um salto de 36% em assinantes pagos em 2016 e chegou a 1 milhão em 2017. Para muitos espectadores do Ocidente, especialmente mulheres e pessoas queer, a série mudou a percepção do que um anime podia ser e para quem ele era feito.

A produção também levou a patinação a sério. O japonês Kenji Miyamoto foi contratado para coreografar as rotinas, e as gravações dele servindo de referência também alimentaram o design de som — os rasgos e giros ouvidos na série são dele. O cuidado rendeu reconhecimento de nomes reais do gelo, como Johnny Weir, Adam Rippon e Evgenia Medvedeva.

Publicação no X/Twitter citada na matéria:
https://twitter.com/Crunchyroll/status/811665566603694080

Visão Gamer: Yuri!!! On Ice não é um jogo, mas o caso ajuda a entender como uma obra pode furar a bolha de nicho e virar fenômeno de comunidade. Para quem acompanha cultura pop e games, a lição é sobre alcance: quando uma produção trata seu tema com autenticidade e não esconde suas personagens, o público responde — e os números de engajamento mostram isso.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/before-there-was-heated-rivalry-there-was-yuri-on-ice.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-10-22 12:00:00

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