A Nintendo é conhecida por jogos acessíveis e familiares, mas seu próximo grande exclusivo para o Switch 2 promete quebrar essa tradição. The Duskbloods, desenvolvido pela FromSoftware, criadora de Elden Ring, é um jogo multiplayer hardcore sobre vampiros, e após algumas horas de teste em Tóquio, o título já se mostra um dos lançamentos mais importantes para o novo console da Nintendo.
A parceria com a FromSoftware representa uma mudança significativa para a Nintendo, que historicamente depende de seus próprios franchises para vender consoles. Dados da própria empresa mostram que os jogos mais vendidos do Switch e do 3DS são títulos como Mario Kart, Pokémon e Animal Crossing. A colaboração com estúdios externos sempre foi um desafio para a Nintendo, e The Duskbloods surge como uma aposta ousada para ampliar o apelo do Switch 2.

Mas o que é exatamente The Duskbloods? O jogo se passa em um universo de vampiros que abrange múltiplos períodos históricos. Oito jogadores controlam personagens vampíricos chamados Bloodsworn, que descem a um cenário repleto de inimigos e chefes gigantes. Ao longo de várias fases, o grupo é reduzido até restarem poucos jogadores, que então lutam até sobrar apenas um. Não é um battle royale no estilo Fortnite, mas sim uma mistura de competição multiplayer com a fantasia de RPG característica da FromSoftware, presente em jogos como Dark Souls e Bloodborne.
O sistema central do jogo é chamado de virtude. Os jogadores acumulam pontos de virtude ao longo da partida realizando diversas ações: coletar itens, derrotar inimigos menores, enfrentar chefes como uma rã gigante com dentes humanos, explorar o mapa (que esconde cadáveres para descobrir) e, nas rodadas finais, derrotar outros jogadores em pontos específicos do mapa ou fazer uma promessa em um altar antes que outro jogador interfira.

Cada partida é dividida em quatro fases, e o número de jogadores diminui gradualmente através do que é chamado de culling (expurgo). Se um jogador não tiver virtude suficiente ao final de uma rodada, é eliminado. A quantidade necessária varia conforme o desempenho dos outros participantes. A ideia é que mesmo quem não é excelente no combate um contra um possa progredir e chegar à fase final, já que há muitas maneiras de ganhar pontos. Além disso, exceto na rodada final, os jogadores renascem imediatamente após a morte, mantendo sua virtude, o que incentiva a exploração e a experimentação.
Na prática, The Duskbloods pode ser uma experiência avassaladora, pelo menos no início. O sistema de pontos exige tempo para ser compreendido; em jogos multiplayer competitivos, matar outros jogadores costuma ser o caminho mais claro para a vitória, mas aqui não é bem assim, especialmente no começo. As primeiras rodadas são melhor aproveitadas explorando o mapa, derrotando inimigos mais fracos e fortalecendo o personagem com itens e experiência.

A complexidade do jogo vai além dos pontos. Há vários personagens vampíricos para escolher, cada um com estilos de jogo bem diferentes. Na versão testada, que é a mesma do teste de rede que ocorrerá no final de agosto, há seis personagens disponíveis. Entre eles, um senador envelhecido que usa uma rapieira que também é bengala, capaz de invocar um pássaro pré-histórico e se transformar em um dinossauro sanguinário; uma ninja com lâminas circulares; um homem misterioso que dispara colunas de fogo de uma pedra incrustada na mão; e um personagem excêntrico chamado Zork, que carrega um pedaço eletrificado de cabo submarino.
Cada personagem tem habilidades distintas e estilos de combate variados, desde os rápidos e ágeis até os mais lentos e poderosos. Durante a partida, é possível encontrar e invocar companheiros chamados kin, que ajudam em batalha e podem ser evoluídos. Esses companheiros podem ser samurais com espadas, lobos gigantes ou até uma soprano lutadora de wrestling, que suplexa inimigos enquanto canta uma música que melhora a defesa do jogador. Também é possível transformar certos inimigos em subordinados, sugando seu sangue e exercendo influência sobre eles.

Há eventos aleatórios que podem ocorrer, como um zepelim que bombardeia o cenário ou uma tempestade de raios que teleporta os jogadores. Os sigilos são itens equipáveis que dão tarefas específicas e às vezes estranhas, que podem render muita virtude. Por exemplo, um sigilo pode ser baseado em vingança, exigindo que o jogador encontre e mate um alvo específico, ou pode pedir que o jogador encontre outro personagem que é seu amor perdido e… proponha casamento no meio da partida. Esses sigilos oferecem maneiras adicionais de ganhar pontos e também um papel na história.
É importante notar que a versão testada não inclui todos os recursos do jogo final, como a maior parte da customização de personagens e elementos de história, que devem ser um grande atrativo para os fãs da FromSoftware. Além disso, embora todas as partidas jogadas tenham terminado em uma luta até a morte, haverá outras condições de vitória, como um grupo final se unindo para derrotar um chefe.

Após várias horas de jogo em dois dias, o autor sentiu que apenas começou a entender o funcionamento de tudo. The Duskbloods está longe da simplicidade de jogos online da Nintendo como Splatoon e Mario Kart, que são fáceis de aprender desde o primeiro contato. No entanto, o jogo tem potencial para algo significativo. Com Elden Ring, a FromSoftware conseguiu abrir um gênero intimidador para um novo público, e o jogo vendeu mais de 30 milhões de cópias, com sua expansão Shadow of the Erdtree vendendo 10 milhões, além de uma adaptação para o cinema em andamento. The Duskbloods tenta fazer o mesmo com o multijogador competitivo, oferecendo opções para quem não é necessariamente o melhor em combate.
O espaço de jogos como serviço pode estar em crise, mas os jogos multiplayer online ainda dominam o tempo de jogo das pessoas. A combinação de jogabilidade online com a renomada construção de mundos da FromSoftware pode atrair um novo tipo de jogador para o Switch 2, em um momento em que as plataformas dedicadas de jogos enfrentam dificuldades. Há riscos, como o exemplo de FBC: Firebreak, da Remedy, que tentou algo semelhante e não obteve sucesso. The Duskbloods também tem o desafio de ser um exclusivo do Switch 2, uma plataforma ainda não associada a esse tipo de experiência multiplayer.
Apesar dos riscos, é justamente essa ousadia que torna The Duskbloods tão fascinante. O jogo é diferente de tudo no catálogo do Switch 2 e pode ajudar a Nintendo a alcançar jogadores que vão além dos fãs de Zelda e Mario.
Leia mais aqui em inglês: https://www.nintendo.co.jp/ir/en/finance/software/index.html.
Fonte: nintendo.co.jp.
Gaming | The Verge.
2026-08-20 14:00:00








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