SteamOS 3.8.20 beta melhora desempenho em GPUs com pouca VRAM; Steam Deck não deve sentir ganhos

A Valve lançou a versão beta 3.8.20 do SteamOS, e a grande novidade é um conjunto de otimizações na gestão de memória gráfica que promete dar mais fôlego a dispositivos com placas de vídeo dedicadas e pouca VRAM. A atualização implementa soluções desenvolvidas pela engenheira Natalie Vock, contratada independente da Valve para trabalhar no driver RADV — o driver Vulkan open source para GPUs AMD —, em parceria com Maarten Lankhorst, da Intel, e Maxime Ripard, da Red Hat.

O problema atacado pela atualização é conhecido de quem joga em PCs com placa de vídeo com pouca memória dedicada: quando a VRAM fica cheia, o sistema operacional começa a fazer evicções, movendo dados entre a memória dedicada e a memória do sistema. No Linux, essa movimentação é feita por meio da Graphics Translation Table (GTT), uma área da memória RAM que o enxerga como se fosse VRAM, mas que é acessada via interface PCIe — com largura de banda muito menor e latência maior. O resultado são engasgos e pausas longas em jogos.

Vock já havia publicado um blog post no início do ano detalhando uma abordagem para melhorar a alocação de VRAM no Linux. Em vez de tratar a VRAM como o único destino aceitável para alocações gráficas, a proposta era permitir que cada requisição especificasse tanto VRAM quanto GTT como possíveis domínios, com preferência pela VRAM. Assim, se não houver espaço na VRAM, o kernel aceita a GTT como fallback sem tentar expulsar outros dados da VRAM para abrir espaço.

Durante testes com Cyberpunk 2077 em uma GPU com 8 GB de VRAM, Vock descobriu que o sistema estava usando 1.370 MB da GTT mesmo com o jogo consumindo apenas 6.105 MB de VRAM. Outros aplicativos em segundo plano também ocupavam parte da VRAM, mas o Linux não estava sendo rigoroso o suficiente para garantir que quase toda a memória dedicada fosse alocada para o jogo.

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eferred, but if there was no space, GTT was an acceptable fallback and the kernel wouldn’t try to kick out other VRAM memory to make space. Crédito da imagem: Gamers Nexus)Fonte da imagem: PcgamerYou can probably see why evictions are the real problem here

A solução veio com os control groups (cgroups) do kernel Linux, que permitem gerenciar de forma fina a alocação de recursos para grupos de processos. Faltava, porém, um controlador específico para VRAM. O grupo formado por Vock, Lankhorst e Ripard desenvolveu um patch para o kernel — auxiliado pela ferramenta dmemcg-booster — que cria esse controlador e também inclui patches adicionais para ajudar o kernel a entender melhor cenários de jogos do ponto de vista da memória.

Os resultados práticos são expressivos: nos testes com Cyberpunk 2077, o uso de VRAM saltou de 6.105 MB para 7.395 MB, enquanto o uso da GTT caiu de 1.370 MB para 650 MB. Com mais dados alocados na memória mais rápida, o jogo fica menos sujeito a microtravamentos e pausas.

Apesar do avanço, usuários do Steam Deck não devem esperar ganhos significativos. O handheld da Valve utiliza GPU integrada, o que significa que tanto a VRAM quanto a GTT residem na mesma memória do sistema. Embora possa haver alguma melhoria marginal por não precisar mover ponteiros de memória entre pools distintos, o impacto será pequeno.

Já para quem possui um Steam Machine — ou qualquer outro dispositivo rodando SteamOS com placa de vídeo dedicada — a atualização é uma excelente notícia. O trabalho de Vock e seus colegas representa um avanço concreto na gestão de memória gráfica no Linux, algo que muitos gostariam de ver também em outros sistemas operacionais.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/software/operating-systems/the-latest-steamos-beta-update-includes-a-performance-boost-for-gpus-with-limited-vram-though-devices-with-igpus-probably-wont-see-any-gains/.

Fonte: PC Gamer.

PCGamer latest.

2026-06-30 15:34:00

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