Durante o Summer Game Fest 2026, a NetEase apresentou Sea of Remnants com um trailer que mais parecia um videoclipe do que uma prévia de gameplay. A música “Make it Loud” dominava a cena, com personagens dançando em espaços liminares coloridos e apenas alguns segundos de ação pirata. Quem esperava algo próximo de Assassin’s Creed: Black Flag Resynced, que também foi mostrado no mesmo segmento, saiu sem entender direito o que o jogo oferecia. Após 45 minutos de demonstração no último dia do evento, o repórter Tomas Franzese, do Polygon, conseguiu finalmente entender por que o trailer era tão enganoso: Sea of Remnants tenta ser tantas coisas ao mesmo tempo que mal consegue definir sua própria identidade.

O jogo promete exploração em mundo aberto com navegação, coleta de tripulação no estilo gacha, combate por turnos, uma narrativa extensa que alterna entre cutscenes de alta produção e diálogos no estilo visual novel, além de elementos roguelite. A ambição é clara: atrair tanto fãs de Sea of Thieves quanto de Honkai: Star Rail. Mas, segundo a impressão do jornalista, o equilíbrio parece difícil de alcançar.
A demo começa de forma inesperadamente calma: o jogador precisa remar lentamente em direção a uma luz. Logo depois, o ritmo dispara. Em cerca de 15 minutos, o protagonista enfrenta um monstro marinho gigante a bordo de um navio totalmente equipado, perde a batalha (que parece propositalmente impossível), e então precisa criar seu próprio personagem antes de acordar em um laboratório científico. A montagem frenética fez com que, na metade da demonstração, ainda não estivesse claro que jogo era aquele.

Finalmente, o jogador é solto na ilha de Orbtopia, o hub central do jogo. Após uma breve e confusa perseguição a uma galinha, o destino leva o personagem a um bar. É ali que os créditos de abertura rolam e a trama apresenta R.S., uma jovem pirata irreverente que não tem medo de ser ela mesma nem de roubar quem estiver por perto. Acidentalmente, o jogador faz com que ela tropece, o que resulta em uma briga com um malandro do bar. Nesse momento, a demo revela sua mecânica central: quando não está em exploração ou navegação, Sea of Remnants é um RPG de turnos.

O combate tutorial é simples, mas quem já jogou títulos gacha como Honkai: Star Rail reconhece imediatamente o sistema. O jornalista do Polygon considera essa revelação um tanto decepcionante, o que talvez explique por que a NetEase optou por não mostrar o combate no trailer do Summer Game Fest. A partir daí, a demonstração continua com tutoriais e desenvolvimento da história, levando o jogador ao esconderijo de R.S., onde um personagem permite armazenar itens e enviá-los de volta a Orbtopia.
A confusão narrativa persiste. O repórter percebeu que era hora de encerrar a demo quando entrou em um mundo onírico que parecia ser o portal para adquirir novos tripulantes no estilo gacha. De acordo com um comunicado à imprensa, o jogo final contará com mais de 400 tripulantes, o que sugere uma grande variedade de conteúdo.

Ao final da experiência, o jornalista ficou dividido. Por um lado, a demo mal mostrou os elementos que devem compor a maior parte da aventura: combates por turno, navegação, mecânicas roguelite e coleta de tripulação. Por outro, os visuais vibrantes e a apresentação eclética são bastante representativos da natureza dispersa de Sea of Remnants.
O ano de 2026 está sendo promissor para jogos de pirata, com títulos como Windrose e o relançamento Assassin’s Creed: Black Flag Resynced. Sea of Remnants pode surfar essa onda e conquistar jogadores justamente por oferecer muitos sistemas diferentes em um só pacote. No entanto, após a demo no Summer Game Fest, a sensação deixada foi de sobrecarga, sem que nenhuma mecânica se destacasse particularmente bem. O jogo está em desenvolvimento para PlayStation 5 e PC Windows.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/sea-of-remnants-summer-game-fest-preview/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-06-12 19:30:00








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