O quinto episódio da terceira temporada de ‘House of the Dragon’ mergulha fundo na paranoia que assola os personagens centrais, especialmente Rhaenyra Targaryen. A rainha, que já enfrenta ameaças concretas de todos os lados, começa a questionar se há forças ocultas tramando contra ela — e a resposta, como o episódio mostra, é sim, mas o problema é que a desconfiança excessiva pode cegá-la para os perigos reais. A trama mantém o nível de tensão elevado, rivalizando com os melhores momentos de ‘Game of Thrones’.
O episódio abre com Lord Oscar Tully (Archie Barnes) frustrado por não conseguir levar seu exército dos Homens do Rio até Tumbleton, já que Criston Cole (Fabian Frankel) e seus guerreiros de guerrilha queimam pontes ao longo do caminho. Cole ataca o acampamento dos Homens do Rio durante a noite, mas a situação rapidamente se volta contra ele. Os Nortenhos, mais ágeis, espalham estrepes (caltrops) na estrada para Stony Sept, a próxima travessia do rio, forçando Cole, Gwayne Hightower (Freddie Fox) e seus homens a abandonar os cavalos e avançar por florestas e pântanos, sob chuva e sanguessugas. Gwayne desiste no final, mas Cole permanece determinado a deixar sua marca. ‘Não vou deixar que me diminuam agora… Sou o maior guerreiro do reino e morrerei como tal, de olhos abertos, ereto, glorioso em batalha, e não a serviço deles, finalmente, mas a meu próprio serviço. E eles cantarão canções sobre isso, e a rainha Alicent as ouvirá’, declara Cole, em um momento de arrogância que, surpreendentemente, o torna mais cativante do que antes — após passar toda a temporada passada se lamentando, o personagem agora se mostra fascinante.
Em Harrenhal, Alys (Gayle Rankin) continua afirmando aos caçadores de recompensas que nada sabe sobre Aemond (Ewan Mitchell), mas nos aposentos superiores ela o trata e lhe oferece o afeto que o pequeno monstro tanto deseja. O episódio explora um contraste interessante: Aemond é atormentado por visões de seu irmão Aegon (Tom Glynn-Carney) morrendo e está convencido de que sua família não o ama, enquanto Aegon reclama das injustiças sofridas por parte do irmão e também se sente desamado. Alys conforta Aemond, enquanto Larys (Matthew Needham) confronta Aegon com a verdade — em ambos os casos, a reação parece adequada, mas não está claro se será suficiente para mudar o comportamento de nenhum dos dois. Pelo menos Aegon e Larys se reencontram com Tyland Lannister (Jefferson Hall), e Aegon mata seu algoz Janos (Oliver Coopersmith) para esconder sua identidade e por vingança. É um retorno à forma após sua recente impotência, mesmo que ‘forma’ signifique ‘violência sanguinária’. Aemond também já saiu do leito de doente e está brandindo uma espada, prenunciando novos problemas.
A situação é ainda mais difícil para a rainha Rhaenyra, pressionada de todos os lados. O episódio também dedica atenção especial a Helaena (Phia Saban), irmã e esposa de Aegon. Ela se recusa a beber o abortivo que sua mãe, Alicent, consegue com o Grande Meistre Orwyle (Kurt Egyiawan), pois não quer abrir mão do bebê, apesar do realismo político de Alicent. Helaena fala com confiança sobre o paradeiro misterioso de Aemond e luta para escapar da Fortaleza Vermelha — mas apenas se puder levar sua filha pequena Jaehaera e o bebê que ainda não nasceu. Alicent, por sua vez, trabalha incansavelmente para manter a filha viva, às vezes contra a vontade da própria Helaena. Ao final do episódio, Alicent toma a poção ela mesma, abandona o símbolo de sua fé para facilitar a fuga, convence Mysaria (Sonoya Mizuno) a guardar segredo e acaba presa em uma passagem secreta dentro do castelo, tentando fugir.
Enquanto isso, Rhaenyra continua sendo assediada. Lady Frey (Sarah Woodward) chega a Porto Real para se juntar ao conselho e criticá-la por ter prometido Harrenhal a outra pessoa. Addam (Clinton Liberty) e Baela (Bethany Antonia) estão em busca de Vhagar e, pelo menos da parte de Addam, flertam descaradamente para tentar animá-la — Baela ainda se sente culpada pela morte de Jace no Golfo. No conselho, reina o caos: Mysaria fala pelo povo, Daemon defende a força policial das Capas Douradas, e Rhaenyra só pensa em Aemond. Todos estão em desacordo. Rhaenyra tenta conter Daemon, mas ele argumenta que não há pressa para encontrar Vhagar e que existem outras prioridades. Após um debate teológico no Grande Septo, a divergência entre eles fica mais clara: ela acredita que os deuses a fizeram rainha e não entende por que agora parecem abandoná-la; ele se mostra perplexo diante dessa fé fatalista. No entanto, Daemon tem sua própria fé: em um discurso para as Capas Douradas, ele fala em transformar os Sete Reinos em ‘Nove Reinos, Doze, a nova Valíria’, revelando um vislumbre de seu sistema de crenças.
Rhaenyra, porém, está perdendo o chão e a perspectiva. Não consegue passar tempo com seu filho mais novo, Joffrey, e está convencida de que há um poder sombrio conspirando contra ela. Sua visão de túnel está se tornando um problema; falta-lhe a flexibilidade mental para enxergar problemas além de seu próprio status e de sua própria família. Essa limitação fica evidente no final do episódio, quando Daemon — que manteve as Capas Douradas ao seu lado com discursos inflamados e promessas de pagamento em dobro no futuro — retorna ao quartel-general e encontra um massacre, com os corpos dispostos em uma grotesca composição.
Por trás de tudo, Lord Ormund Hightower (James Norton) tem menos destaque neste episódio, mas aparece em uma cena significativa. Ele recebe mensagens dos assassinos das Capas Douradas e continua aterrorizando/orientando seu sobrinho Daeron (Benjamin Evan Ainsworth), desta vez com histórias sobre a liderança militar de Meria Martell, a ‘Sapa Amarela’ que desafiou Aegon I e a Conquista de Westeros. Tão distraído fica com a lição de história que perde sua partida de cyvasse (não xadrez), aterrorizando Daeron. Mas Ormund está misericordioso, satisfeito com sua guerra nas sombras e com as moedas que mandou cunhar com o rosto de Daeron, usadas para pagar seus assassinos. Tudo ainda está nos eixos para ele — se ao menos conseguisse encontrar Vhagar. O dragão gigante parece ser o curinga que todos esperam, o elemento que mantém todos parados. Resta esperar que, no próximo episódio, Vhagar apareça mais do que como uma sombra e uma pegada.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/house-of-the-dragon-season-3-episode-5-recap-review.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-07-20 02:00:00








Deixe um comentário