O evento anual D23, realizado em Anaheim, na Califórnia, terminou, mas não antes de trazer uma série de anúncios empolgantes para os fãs de Star Wars, incluindo novidades sobre o jogo Star Wars: Starfighter. No entanto, a revelação mais aguardada foi o trailer e a data de estreia da segunda temporada de Ahsoka. Já se passaram três anos desde que vimos Ahsoka Tano (Rosario Dawson) e sua aprendiz mandaloriana Sabine Wren (Natasha Liu Bordizzo) viajarem para o planeta Peridea em busca de Ezra Bridger (Eman Esfandi) e do oficial mais astuto do Império, o Grande Almirante Thrawn (Lars Mikkelsen). Enquanto Ezra e Thrawn conseguiram escapar de volta para a galáxia conhecida, Ahsoka e Sabine ficaram para trás, isoladas.

O trailer da segunda temporada de Ahsoka revela as consequências desses eventos: Thrawn está de volta e declarou guerra à Aliança Rebelde. Quem assistiu à animação Rebels ou leu os romances do Thrawn sabe que ele não é alguém com quem se deva brincar. Isso levou alguns fãs a coçarem a cabeça diante da declaração de Thrawn. Se a Nova República estava ciente das intenções do almirante, como é que eles estavam tão despreparados para as facções e simpatizantes imperiais na era das sequências? E se uma guerra galáctica está prestes a acontecer, os personagens da trilogia sequela não deveriam mencioná-la pelo menos uma vez ao longo dos três filmes? Em outras palavras: a sequência live-action de Rebels, dirigida por Dave Filoni, estaria quebrando o cânone de Star Wars sem querer? Não exatamente, mas o motivo por trás disso revela uma conspiração ainda maior na saga.
A Disney e a Lucasfilm vêm preparando o retorno de Thrawn há algum tempo. Thrawn e Ezra desapareceram em 1 ABY (Antes da Batalha de Yavin), quando Ezra usou a Força para se comunicar com os Purgills (baleias espaciais) e transportar a si mesmo e a Thrawn para uma galáxia distante. Mesmo com o desaparecimento de Thrawn e a derrota do Império em 5 DBY (Depois da Batalha de Yavin), senhores da guerra remanescentes do Império continuaram conspirando em segredo para destruir a Nova República e restaurar o Império à sua antiga glória — tudo parte do plano de contingência do Imperador Palpatine para retornar e governar. Os fãs interessados em saber mais sobre esse plano podem conferir a campanha single-player de Star Wars: Battlefront 2, da EA, lançado em 2017.

Como vimos nas temporadas 2 e 3 de The Mandalorian, esses remanescentes, como Brendol Hux, acreditavam que só poderiam alcançar seus objetivos com o retorno de Thrawn. Quanto a Thrawn, sua ausência da galáxia conhecida não foi suficiente para impedi-lo de planejar. Nos anos desde que chegou a Peridea, ele forjou uma aliança com as Irmãs da Noite para usar sua magia e conseguir voltar, além de trabalhar na restauração de seu Star Destroyer. Ao final da primeira temporada de Ahsoka, Thrawn conseguiu retornar e está pronto para assumir seu título de ‘Herdeiro do Império’.

O trailer da segunda temporada de Ahsoka mostra várias cenas fascinantes que nos levam a acreditar que o retorno de Thrawn é considerado uma grande ameaça tanto para a Nova República quanto para personagens importantes como Hera Syndulla (Mary Elizabeth Winstead), Garazeb Orrelios (Steve Blum) e Ezra Bridger. Embora não saibamos como a segunda temporada vai se desenrolar, sabemos que Thrawn não é mencionado na trilogia sequela e, até onde a população em geral sabe, a galáxia está em paz, com a certeza de que o Império e seus simpatizantes são coisa do passado. Mas como isso é possível se Thrawn declarou guerra?
Há o argumento de que o planejamento deficiente da trilogia sequela por parte da Disney e da Lucasfilm contribuiu para a falta de menção aos senhores da guerra e simpatizantes imperiais. Afinal, como mencionar algo que não foi planejado? No entanto, há um ponto crucial: The Force Awakens já estabeleceu que a Nova República era complacente, no mínimo. Além de lidar com o desarmamento e o desmonte do Império, o novo governo também enfrentava problemas com piratas e mercenários. Quando os filmes da trilogia sequela começam, a Resistência, liderada por Leia Organa, é o único grupo disposto a enfrentar a Primeira Ordem, uma organização composta por simpatizantes, oficiais, cientistas e outros sobreviventes do Império. Na verdade, a Nova República está tão despreparada que, quando a Primeira Ordem usa a Base Starkiller para destruir a sede do governo em Hosnian Prime, toda a sua rede de defesa entra em colapso.

A complacência da Nova República é ainda mais evidenciada em Ahsoka, The Mandalorian e em vários livros, incluindo Bloodline, de Claudia Gray, e a trilogia Aftermath, de Chuck Wendig. Nos livros Aftermath, a derrota do Império deixa o novo governo confiante demais de que a ameaça acabou, permitindo que os remanescentes imperiais escapem pelas brechas. Em Ahsoka, senadores da Nova República se recusam a acreditar no retorno de Thrawn. Em The Mandalorian, infiltrados imperiais se aproveitam do programa de Anistia para se infiltrar no governo. Em Bloodline, a verdadeira linhagem de Leia a força a renunciar ao cargo na Nova República e revela que o governo se tornou corrupto demais para lidar com a ameaça da Primeira Ordem. Ela terá que lidar com isso formando a Resistência.
Com tudo isso em mente, o retorno de Thrawn na segunda temporada de Ahsoka e sua declaração de guerra podem muito bem inspirar a mesma confiança que permitiu que os imperiais escapassem do controle da Nova República em primeiro lugar. Não é garantido que isso aconteça — ainda não sabemos o que vai ocorrer na segunda temporada —, mas pelo que vimos até agora, não há nada fora do lugar no retorno de Thrawn que indique uma retcon do que a trilogia sequela estabeleceu em The Force Awakens. A segunda temporada de Ahsoka estreia em 20 de janeiro de 2027.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/ahsoka-season-2-star-wars-canon/.
Fonte: Polygon.
2026-08-18 18:56:00








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