Quando o primeiro trailer de O Despertar da Força chegou à internet, uma onda de entusiasmo tomou conta dos fãs. Uma nova trilogia estava a caminho, liderada por talentos frescos como Daisy Ridley (Rey), John Boyega, Oscar Isaac e Adam Driver, que se juntariam a ícones consagrados como Mark Hamill, Carrie Fisher e Harrison Ford. A esperança era de uma nova era de grandeza para a amada franquia. Hoje, porém, a trilogia sequencial dirigida por J.J. Abrams e Rian Johnson é algo que a maioria dos fãs prefere não lembrar, junto com as muitas perguntas que levantou. As tentativas de responder a essas questões em materiais expandidos foram, em grande parte, insatisfatórias.
Publicado pela Random House Worlds, Star Wars: Legacy é um romance de Madeleine Roux, autora best-seller do New York Times e USA Today nos gêneros paranormal, ficção científica e fantasia gótica, que busca responder a algumas das perguntas mais urgentes. O livro também enfrenta o elefante na sala: a cena de A Ascensão Skywalker em que Rey, na residência Lars em Tatooine — o berço da franquia Star Wars —, adota o sobrenome Skywalker como seu. Com um nome como Legacy (Legado), não surpreende que a obra de Roux lide com herança e identidade.

Apesar das muitas inconsistências e desvios narrativos da trilogia sequencial, uma coisa permaneceu constante: as tentativas desesperadas de Rey de encontrar respostas sobre quem ela realmente é, enquanto carrega o peso de ser uma Jedi sem ideia do que fazer depois de Os Últimos Jedi. Ela está à deriva, sem orientação além do vínculo sombrio que compartilha com Kylo Ren e dos textos Jedi que Luke deixou após sua morte. Para piorar, seu sabre de luz, originalmente de Anakin Skywalker e depois de Luke, está danificado. Quando A Ascensão Skywalker começa, Rey está mais confiante do que da última vez que a vimos, mas como ela chega a esse ponto?
Para responder a essa pergunta, Roux destaca a importância do vínculo entre Rey e uma personagem cujo potencial Jedi nunca vimos por completo (no cânone, pelo menos): Leia Organa. Situado entre Os Últimos Jedi e A Ascensão Skywalker, Star Wars: Legacy mostra Rey em busca de uma maneira de curar o cristal kyber de seu sabre de luz, enquanto lida com as cicatrizes de seu passado. Sua pesquisa a leva ao planeta Tython, onde uma forja Jedi especial estaria localizada. Para sua surpresa, Leia se junta a ela na missão, acompanhada por Chewbacca, R2D2 e C3PO.

Tython sempre teve um papel significativo para os Jedi. Fãs de The Mandalorian lembram que foi o planeta para onde Din Djarin levou Grogu para meditar em busca de outros Jedi, alertando Luke Skywalker sobre a existência do pequeno ser. Luke retornaria ao planeta muitos anos depois, no romance Shadows of the Sith, para aprender mais sobre os Sith Eternos no Force-henge, um templo Jedi. Não é surpresa, então, que Rey encontre ali uma conexão profunda, descobrindo um templo Jedi e gravações que detalham uma comunidade Jedi perdida no tempo.
A determinação de Rey em resolver tudo sozinha é alimentada por uma vida de isolamento e abandono. Seu desejo de encontrar comunidade e pertencimento a leva a passar grande parte de Legacy tentando esconder sua escuridão, sufocando-a e fingindo que ela não existe. Leia, sendo filha de Darth Vader, conhece bem o medo da própria escuridão interior e assume o papel de Mestre que Luke deixou para tentar conter a tempestade que se forma dentro de sua conflituosa aprendiz. Isso vem com suas próprias dificuldades.

Descobre-se que não é apenas Rey que está se segurando. Leia foi forjada pela guerra desde jovem, e as perdas que sofreu — Han, Luke e Ben — a deixaram tão machucada e solitária quanto Rey. Enquanto Rey anseia pelo pertencimento que vem com a identidade, ela rejeita as partes de si mesma que não gosta. Por outro lado, Leia sonha com uma vida em que não rejeita seu treinamento Jedi com Luke e salva a galáxia da Primeira Ordem antes de perder as pessoas que mais significam para ela. O resultado são duas mulheres muito diferentes, unidas pelo conhecimento de que devem a si mesmas — e aos que perderam — abraçar quem são, com todos os defeitos, em vez de lamentar quem poderiam ser.
A lição que Rey e Leia compartilham dá à cena final de A Ascensão Skywalker um significado ainda maior do que já tinha. Embora o filme tenha revelado que Leia estava ensinando Rey após a morte de Luke, não sabíamos o quão importante era o vínculo entre elas. Descobre-se que, sem a paciência e a disposição de Leia em compartilhar seus arrependimentos e vulnerabilidades, a descida de Rey ao Lado Sombrio poderia ter sido garantida.
A relação entre Rey e Leia é complexa, mas o amor entre elas é impossível de ignorar, e tão maternal em sua natureza que dá mais peso à declaração de Rey de que ela é uma Skywalker. Luke pode ter empurrado Rey na direção certa, mas, como Legacy revela, Leia prova ser a mestra superior. Star Wars: Legacy será lançado em 28 de julho.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/star-wars-legacy-novel-review/.
Fonte: Polygon.
2026-07-14 11:30:00








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