A Netflix lançou seu mais novo jogo de terror, Unhinged, com uma proposta ousada: fazer o jogador usar o próprio smartphone como controle. A ideia é imergir o público na pele de Ava, protagonista que foge de um assassino coberto de sangue em um prédio semiabandonado após um furacão devastador. O jogo, dirigido por Zach Cregger e David Fincher, dura cerca de 30 minutos e está disponível para assinantes da plataforma, que precisam baixar o aplicativo de controle da Netflix.

A mecânica transforma o celular do jogador no telefone de Ava, permitindo que ela se comunique com a amiga Claire (voz de Sadie Sink) por mensagens e chamadas. A ideia é criar uma sensação de realismo, já que o jogador usa a lanterna do aparelho para iluminar corredores escuros e interage com o ambiente por toques na tela. No entanto, a execução nem sempre funciona como esperado.
Um dos problemas apontados é justamente o excesso de notificações durante o jogo. Claire liga repetidamente para Ava, mesmo quando o assassino está a poucos metros de distância. A situação irritou a jornalista Elie Gould, do PC Gamer, que chegou a colocar o próprio celular no modo ‘não perturbe’ para tentar resolver o incômodo. ‘Por que Claire estava me ligando quando o assassino estava a alguns passos? Mais importante, por que Ava não colocou o telefone no silencioso?’, questionou.
Outro ponto crítico é o uso do celular como mouse para apontar e clicar. A precisão é baixa, especialmente nos eventos de quick time (QTEs), nos quais o jogador precisa escapar ou pegar um objeto para se defender rapidamente. A ferramenta se mostrou temperamental, dificultando a imersão em momentos cruciais. ‘Se você vai fazer as pessoas usarem algo diferente de um controle ou teclado, tem que haver uma razão melhor do que ‘é legal’, e tem que funcionar tão bem ou melhor’, criticou Gould.

Apesar dos problemas técnicos, Unhinged se destaca pelo elenco de peso. Zoë Kravitz dá voz à protagonista Ava, enquanto Sadie Sink interpreta Claire e Troy Baker vive o assassino. As atuações foram elogiadas como o ponto alto da experiência, conseguindo imergir o jogador na história de forma mais eficiente que o próprio controle. ‘Todas as performances foram absolutamente incríveis e fizeram um trabalho muito melhor em me imergir na história do que meu substituto de telefone/controle’, escreveu Gould.

O cenário do jogo também recebeu elogios, descrito como adequadamente assustador, embora a curta duração impeça a construção de suspense mais profundo. ‘Não foi uma experiência imperdoavelmente horrível, mas se você vai fazer as pessoas usarem algo diferente de um controle ou teclado, tem que haver uma razão melhor do que ‘é legal”, reforçou a jornalista.

No fim das contas, Unhinged é uma experiência agradável para quem tem 30 minutos livres, uma assinatura da Netflix e disposição para baixar o aplicativo de controle. A recomendação é feita com ressalvas: se o jogo tivesse maior duração e permitisse o uso de teclado e mouse, os elogios seriam mais altos. Ainda assim, para um jogo de terror curto, ele cumpre o que promete, especialmente graças ao talento do elenco.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/horror/netflix-has-finally-figured-out-how-to-get-viewers-off-their-phones-with-its-newest-horror-game-but-it-doesnt-quite-stick-the-landing/.
Fonte: PC Gamer.
PCGamer latest.
2026-07-01 16:28:00








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