Jean Grey de Sadie Sink em Spider-Man: Brand New Day sinaliza nova abordagem dos X-Men no MCU

A estreia de ‘Spider-Man: Brand New Day’ nos cinemas trouxe a confirmação de um dos segredos mais mal guardados do MCU: Sadie Sink interpreta Jean Grey no novo filme do Homem-Aranha. Mais do que isso, o longa marca um passo importante para a introdução de um novo elenco de X-Men no universo cinematográfico da Marvel, ao mesmo tempo em que se despede dos X-Men clássicos da Fox em ‘Vingadores: Doomsday’. A decisão de apresentar a primeira grande mutante do MCU em um filme do Homem-Aranha, e ainda como vilã por boa parte da trama, pode parecer estranha à primeira vista, mas indica que a Marvel não pretende seguir o caminho tradicional com seus X-Men reformulados. E, segundo analistas, isso pode ser uma ótima notícia.

A versão de Jean Grey interpretada por Sadie Sink é bem diferente da personagem que os fãs conhecem dos quadrinhos e das produções anteriores. Em vez de uma adolescente heroína sob a tutela do Professor Charles Xavier, esta Jean é uma fugitiva que não hesita em assumir o controle do corpo de inocentes para conseguir o que quer. No filme, descobrimos que seu objetivo é resgatar a irmã Sara, interpretada por Olivia Booth-Ford, mas ela parece não se importar com os danos colaterais que deixa pelo caminho.

Durante grande parte da projeção, Jean é tratada como a principal vilã. Ela ataca diversas bases do Departamento de Controle de Danos (DODC) e assume o controle de personagens como Escorpião (Michael Mando) e até o Hulk (Mark Ruffalo), forçando o Homem-Aranha de Tom Holland a lidar com problemas gigantescos. A situação só muda quando Jean é capturada por Bill Metzger (Tramell Tillman), supervisor do DODC, e a verdade sobre sua irmã vem à tona, revelando que ela é mais uma vítima do que uma vilã de fato.

No clímax, Jean consegue sobrepujar seus captores e experimenta um aumento massivo de poder, mas chega tarde demais para salvar Sara. É apenas graças a uma conversa psíquica com Peter Parker que ela evita perder o controle e destruir metade de Nova York. Peter chega a levar um tiro para protegê-la, e Jean usa seus poderes para mantê-lo vivo antes de deixar a cidade, presumivelmente rumo a uma certa escola para jovens mutantes no interior do estado.

Essa abordagem contrasta fortemente com a origem tradicional de Jean Grey nos quadrinhos, onde ela é considerada a primeira aluna do Professor Xavier, que a acompanha desde que seus poderes psíquicos se manifestaram na infância. Jean deixa uma família amorosa para se tornar uma dos X-Men fundadores e uma figura importante na luta pela coexistência entre humanos e mutantes. Essa fórmula clássica inspirou os filmes da Fox e a série animada ‘X-Men’.

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ign of how much is being changed for the MCU, and we assume the same will hold true for her fellow X-Men going forward. Fonte da imagem: IGN

Na versão dos quadrinhos, Jean é tipicamente uma personagem íntegra, cujo lado sombrio só aparece na fase adulta, quando se funde com a Força Fênix e ganha poderes divinos. No MCU, no entanto, a personagem já apresenta uma aresta muito mais afiada desde o início. Seus objetivos até podem ser nobres, mas ela não se preocupa com os danos colaterais que causa, nem com o efeito de suas possessões psíquicas sobre as vítimas. Em determinado momento, Jean aparentemente mata um homem ao possuí-lo e ele é atropelado por um táxi.

Essa versão de Jean parece se inspirar na recente série de quadrinhos ‘All-New X-Men’, da Marvel, na qual os cinco X-Men adolescentes originais são trazidos ao presente para conhecer suas versões adultas. A trama aborda justamente a falta de limites de Jean e sua tendência a invadir mentes alheias sem cerimônia. Em uma cena infame dos quadrinhos, Jean expõe a sexualidade de seu colega Homem de Gelo, forçando-o a lidar abruptamente com sua orientação sexual. No filme, Jean age de forma semelhante, roubando a identidade secreta de Peter de sua mente e enganando-o para que acredite que MJ (Zendaya) se lembra dele, além de arruinar a vida de Bruce Banner ao desfazer anos de trabalho para controlar o Hulk.

Apesar de tudo, a Jean de Sink não é uma vilã de fato. Ela simplesmente não teve a orientação moral do Professor Xavier. Ninguém a ensinou a usar seus poderes de forma responsável, o que a torna um exemplo perfeito de por que a escola de Xavier é necessária. Essa abordagem sugere que a Marvel não quer apenas mais um time de super-heróis convivendo com os Vingadores, mas sim explorar mutantes como renegados perigosos em um mundo despreparado para sua chegada.

O filme também estabelece um precedente para o futuro dos X-Men no MCU. Jake Schreier, diretor de ‘Thunderbolts*’, está à frente do reboot, com roteiro de Lee Sung Jin (de ‘Beef’) e Joanna Calo (de ‘The Bear’). Acredita-se que o filme ocupe uma das três datas de lançamento que a Marvel Studios reservou para 2028, e há rumores de que o elenco pode ser anunciado na D23. Além disso, especula-se que o filme não terá um novo Wolverine, com a Marvel aparentemente disposta a continuar usando Hugh Jackman no papel, dado o sucesso de ‘Deadpool & Wolverine’ em 2024. Em vez disso, o filme de Schreier deve focar em um pequeno grupo de jovens mutantes, incluindo Jean, Ciclope, Tempestade e Vampira, com Mister Sinister (possivelmente interpretado por Adam Driver) como vilão principal.

Essa decisão de minimizar Wolverine é mais uma prova de que a Marvel está disposta a repensar os X-Men de forma fundamental, dando espaço para personagens que foram subutilizados nos filmes da Fox, como Jean, Ciclope e Vampira. Para os fãs, isso é empolgante, especialmente considerando o que ‘Brand New Day’ estabelece: a Marvel parece interessada em explorar o medo e o ódio que os mutantes despertam no público, algo que os quadrinhos sempre abordaram, mas que o MCU ainda não teve a chance de desenvolver. Se a Jean de Sink é um indicativo, podemos esperar abordagens não convencionais e inventivas para os X-Men, o que é muito mais atraente do que recontar as mesmas histórias de Chris Claremont já vistas no cinema. Não precisamos de outra Saga da Fênix Negra ou Dias de um Futuro Esquecido, mas sim de filmes centrados nos personagens, que explorem o que realmente significa ser um mutante em um mundo que os odeia e teme. Com ‘Vingadores: Guerras Secretas’ se aproximando e a especulação de que a próxima fase do MCU será chamada de ‘A Saga Mutante’, a Marvel tem a oportunidade de ousar e repensar esses personagens de forma fundamental. E, com base em ‘Brand New Day’, há motivos para otimismo.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/mcu-different-x-men-spider-man-brand-new-day-sadie-sink.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-08-01 13:00:00

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