Hit markers: o vício que tirou a alma dos FPS

O hit marker, aquele ‘X’ que surge na tela ao acertar um tiro, é um dos elementos mais onipresentes dos jogos de tiro modernos. Mas, para o colunista Morgan Park, da PC Gamer, esse recurso virou uma muleta que muitos estúdios usam para compensar a falta de feedback intuitivo. Em sua coluna FOV 90, ele argumenta que o hit marker, embora útil no multiplayer, está sendo usado de forma exagerada e até mesmo atrapalhando a imersão em campanhas singleplayer.

O hit marker não foi inventado por Call of Duty 4: Modern Warfare, mas foi esse jogo que o popularizou. O ‘X’ branco e o som satisfatório de ‘thwip’ se tornaram icônicos na série, mas curiosamente, a maioria das campanhas de Call of Duty não usa esse recurso. A Infinity Ward nunca explicou oficialmente o motivo, mas Park acredita que seja óbvio: na campanha, o hit marker era desnecessário, pois o jogador sabia que tinha matado o inimigo quando ele caía morto.

Revisitando a campanha de Call of Duty 4 hoje, Park afirma que ela continua visualmente clara e natural, e que a adição de hit markers prejudicaria a experiência. Ele argumenta que, no contexto PvP, o hit marker faz sentido por questões de rede e competitividade, mas adiciona uma camada de artificialidade que pode ser feia e distrativa, tornando-se o único feedback visual que o jogador nota durante uma partida.

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appearing in every game with a gun as if it’s always the best form of communication. The mechanic has even penetrated the singleplayer arena, which is weird, because the studio that popularized the hit marker always meant it to be a multiplayer-only concession. Crédito da imagem: Microsoft)Fonte da imagem: Pcgamerign (if Microsoft’s direct presentation from June is any indication)

Comparando o CoD clássico com o recente Black Ops 7, que inclui hit markers e barras de vida nos inimigos, Park aponta que há uma perda de qualidades imersivas. Antes de 2007, os desenvolvedores usavam soluções mais criativas para indicar acertos, como animações de impacto, efeitos de ferimento e jatos de sangue. O alvo reagia ao tiro, em vez de depender da interface. Esse feedback intuitivo é o equivalente nos games ao princípio de ‘mostre, não conte’ do cinema.

Park critica duas franquias que, segundo ele, não precisam de hit markers, mas os adotaram como padrão. Em Halo, a Bungie projetou o jogo original com um feedback diegético claro: o escudo de energia de um Elite brilha, um Grunt morre, o escudo de um Jackal quebra. No entanto, a Halo Studios (antiga 343 Industries) vem injetando hit markers na série desde Halo 4, o que o colunista não aprova.

Gears of War: E-Day também é alvo da crítica. Em 2006, o jogo original usava uma solução elegante e sangrenta: ao atirar em um Locust, jorros de sangue indicavam o acerto. Mas The Coalition, seguindo tendências, adotou hit markers como padrão no multiplayer e na campanha, de acordo com a apresentação da Microsoft em junho. Park admite que eles funcionam no beta multiplayer, mas nota que os jatos de sangue foram reduzidos, tornando-se menos úteis como alternativa.

Call
Image credit: Microsoft)Fonte da imagem: Pcgamerign (if Microsoft’s direct presentation from June is any indication). They work fine in the bits of the multiplayer beta I’ve played, but in turn, they’ve toned down blood spurts and made them less useful as an alternative. Perhaps a downgrade?. Call of Duty 4: Modern Warfare – Full Game Campaign Walkthrough Gameplay (No Commentary) – YouTube

Para Park, a mudança para hit markers deu aos desenvolvedores permissão para economizar no feedback intuitivo. Ele relembra sua experiência com Left 4 Dead 2, que considera o auge do feedback de acerto, e compara com Back 4 Blood, sucessor espiritual da Turtle Rock. A diferença é enorme: as animações, ferimentos e ragdolls dos zumbis em Left 4 Dead 2 continuam impressionantes 17 anos depois, com sangue respingando nas paredes e reações a cada impacto. Já em Back 4 Blood, os zumbis por trás dos ‘X’ piscantes são sem graça e sem peso, o que é irônico, já que muitos líderes do desenvolvimento de Left 4 Dead retornaram para fazer o jogo.

O colunista conclui que os hit markers se tornaram um elemento onipresente no gênero, mas ninguém discute o assunto. Ele convida os leitores a compartilharem suas opiniões sobre o tema, seja nos comentários ou por e-mail ([email protected]). Para ele, os hit markers simplesmente aconteceram, continuaram acontecendo e ficaram, sem que houvesse uma reflexão sobre seu uso.

A crítica de Park ressalta uma tendência na indústria de jogos de priorizar a clareza da interface em detrimento da imersão e do feedback orgânico. Enquanto alguns jogadores podem preferir a objetividade do hit marker, outros sentem falta da satisfação de ver o inimigo reagir ao tiro. A discussão está aberta, e o colunista espera que mais pessoas compartilhem suas perspectivas sobre esse recurso tão comum e, ao mesmo tempo, tão pouco debatido.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/fps/hit-markers-are-an-fps-crutch/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-09 16:00:00

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