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A palavra grinding costuma despertar reações imediatas na comunidade de jogadores. Para muitos, a ideia de repetir a mesma atividade dezenas de vezes em um MMO é sinônimo de tédio, perda de tempo ou até mesmo de um design preguiçoso. No entanto, o colunista Harvey Randall, do PC Gamer, resolveu defender uma posição controversa: ele não acha que o grinding seja tão ruim assim. Em um artigo publicado em 1º de agosto de 2026, Randall propõe uma reflexão sobre o papel da repetição nos jogos online modernos e questiona se, em doses certas, ela pode até fazer bem — como uma fibra na dieta.
Para começar, o autor reconhece que a resistência ao grinding é grande, especialmente em uma época em que os jogadores têm menos tempo livre do que na era das longas questlines de attunement. Ainda assim, ele argumenta que um MMO não pode ser totalmente livre de grind, já que esses jogos são, em sua essência, RPGs, e RPGs tradicionalmente envolvem níveis e objetivos de longo prazo. Para facilitar a discussão, Randall define grind como uma atividade repetitiva que precisa ser realizada muitas vezes para alcançar um objetivo.
Apesar da evolução dos jogos, o grinding não desapareceu — apenas se transformou. Hoje, ele aparece em trilhas de recompensa estilo battle pass, temporadas, quests mundiais e, no caso de Final Fantasy 14, nas armas relic. Foi justamente uma dessas armas que levou Randall a uma experiência inesperada. Ele precisava avançar em uma etapa da sua arma relic, o que exigia coletar 600 unidades de uma pasta de cristal obtida em masmorras. Para quem não conhece FF14, a explicação é simples: era preciso farmar um item repetidamente para conseguir uma arma poderosa.
Com pressa para aproveitar o novo conteúdo das patches, Randall buscou a maneira mais eficiente de obter o material e descobriu que a melhor opção era repetir masmorras de nível baixo. Ele se acomodou com alguns lanches, colocou uma playlist e, para sua surpresa, acabou se divertindo. A atividade era completamente mecânica, sem exigir nenhuma habilidade técnica, mas, enquanto seguia sua rotação de habilidades 1-2-3 ao som das músicas, ele sentiu uma onda de tranquilidade, uma espécie de névoa mental que o deixou revigorado.
Essa experiência o fez questionar se ele realmente se importava com o grinding. Talvez, pensou, fosse apenas uma questão de mentalidade — ou, como ele brinca, de entrar no grindset certo. No entanto, Randall não chega a defender um retorno aos tempos em que a única forma de evoluir era matar monstros interminavelmente nos mesmos campos abertos, como nos primórdios de EverQuest. Ele admite que não teria tolerância para isso, mas acredita que uma dose moderada de grind pode ser benéfica para um MMO.
O artigo termina com um convite à reflexão: os jogadores gostam de desligar o cérebro e ver números subirem por algumas horas, ou a simples ideia de trabalho repetitivo em um jogo online os enche de raiva? Randall pede que os leitores participem de uma enquete e deixem suas opiniões nos comentários. A discussão fica no ar, mas a provocação é clara: talvez o grinding, tão criticado, tenha um valor que muitos não enxergam.
A publicação também traz informações sobre o autor, Harvey Randall, que começou sua carreira como freelancer e tem uma longa história com MMOs, incluindo uma assinatura de World of Warcraft aos 12 anos e uma queda por Final Fantasy 14. Seus interesses incluem RPGs, soulslikes, roguelikes, deckbuilders e jogos indie, além de uma estante cheia de RPGs de mesa. O texto ainda menciona que Randall tem uma queda pelo personagem G’raha Tia, de FF14, um detalhe que os fãs do jogo certamente apreciarão.
No geral, a coluna de Randall não é apenas uma defesa do grinding, mas uma reflexão sobre como os jogadores se relacionam com a repetição em um gênero que, por definição, é construído em cima dela. Em um mundo onde o tempo é cada vez mais escasso, talvez seja hora de repensar o que realmente torna uma atividade repetitiva suportável — ou até agradável. E, quem sabe, encontrar um pouco de paz em meio a uma rotação de habilidades.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/mmo/question-time-what-makes-a-good-grind-in-an-mmo/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-08-01 15:00:00








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