Fable 4 vai me deixar realizar os piores impulsos que tive em Fable 3

O novo Fable, anunciado pela Xbox para fevereiro de 2027, promete expandir uma das mecânicas mais controversas e moralmente ambíguas da série: o sistema de propriedades e economia. Em um vídeo de 30 minutos divulgado em 10 de junho, a Playground Games mostrou que os jogadores poderão comprar todos os imóveis e lojas de Albion, definir preços, administrar inquilinos e até expulsá-los para a rua. A notícia é excelente para os fãs, mas um pesadelo para os habitantes do reino, que mais uma vez testemunharão a transformação do herói em algo temível: um proprietário.

A série Fable sempre teve como lema suas escolhas importam. No primeiro jogo, isso se traduzia em chifres de demônio para personagens malignos ou aplausos dos aldeões para os bonzinhos. Fable 2 aprimorou essa base com um mundo mais vasto e dinâmico, introduzindo um sistema econômico completo que permitia comprar quase todos os edifícios e abrir lojas. Mas foi em Fable 3 que a economia, o mercado imobiliário e o dinheiro deixaram de ser meros complementos para se tornarem elementos centrais da narrativa e das decisões difíceis.

Em Fable 3, após o Herói Real derrubar seu irmão tirano Logan, o jogador precisa arrecadar 6,5 milhões de ouro para financiar o exército que defenderá Albion das forças demoníacas do Crawler. A missão final se chama Os Fins Justificam os Meios? e coloca o jogador diante de um dilema moral cruel. Para salvar os cidadãos, a escolha mais eficiente pode ser transformar o orfanato que cuida das crianças pobres em um bordel. O criador original da série, Peter Molyneux, explicou que queria explorar o que acontece depois que o herói vence o vilão e se torna rei – momento em que as consequências das escolhas deixam de ser pessoais e passam a afetar todo o país.

Manter o orfanato aberto e bem cuidado resulta em mais mortes quando o Crawler ataca. Adotar uma postura equilibrada, como manter o orfanato mas aumentar impostos, gera apenas a sensação de indecisão: você irrita algumas pessoas e ainda assim deixa outras morrerem no ataque. O caminho do mal gera dinheiro, mas exige quebrar promessas feitas a pessoas boas na primeira metade do jogo. Há uma opção para manter as asas angelicais e salvar os cidadãos, mas é necessário transferir os fundos pessoais do Herói Real para o tesouro do reino, totalizando 8,5 milhões de ouro – uma quantia quase impossível de acumular sem recorrer à especulação imobiliária agressiva.

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Fonte da imagem: Polygon. image-1.jpg

A estratégia mais confiável para conseguir o dinheiro necessário no final do jogo é começar a comprar propriedades em Albion cedo, antes de chegar ao estágio final, e definir o aluguel no nível mais alto possível. O mesmo vale para lojas e seus preços, já que não há crise habitacional sem inflação. Em uma segunda jogatina, o autor do texto original adotou essa tática e, ao final, percebeu que havia se tornado algo pior que um rei maligno: um capitalista. A reflexão é que a maioria dos especuladores imobiliários milionários da vida real justifica suas ações em nome de um suposto bem maior.

O novo Fable, ambientado em fevereiro de 2027, provavelmente evitará a mesma trama de Fable 3, permitindo que os jogadores se entreguem a manobras de mercado apenas pelo prazer de fazê-lo. Isso convida a uma reflexão sobre o próximo capítulo da série. Os três primeiros jogos se destacaram por expandir verticalmente, focando em profundidade, detalhes e relacionamentos, em vez de oferecer um mundo enorme e genérico como em The Elder Scrolls. A série sempre quis que cada decisão realmente importasse, desde as bobas até as que afetam a trama principal.

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Fonte da imagem: Polygon

Em Fable, para obter a espada mais forte, era preciso matar a própria irmã. Em Fable 2, o jogador podia escolher entre ressuscitar seu cachorro e sua família ou os milhares de inocentes que morreram construindo a Spire. Em Fable 3, era necessário ser um idiota para salvar os súditos. Agora, com a promessa de um Albion que evolui de acordo com as decisões dos jogadores, a nova geração de fãs poderá explorar até onde vão os limites morais do capitalismo virtual – e, quem sabe, refletir sobre os reais.

A Playground Games ainda não revelou detalhes sobre a história principal de Fable 4, mas o vídeo de gameplay sugere que o sistema de relacionamentos com NPCs e formação de família continuará presente, como tradição da série. A grande novidade é a capacidade de comprar todas as propriedades e lojas, ditando preços e gerenciando inquilinos, com a opção de expulsá-los. Resta saber se o jogo trará consequências narrativas tão pesadas quanto as de Fable 3 ou se o mercado imobiliário será apenas uma diversão sádica para os jogadores.

Enquanto isso, os fãs aguardam ansiosamente por fevereiro de 2027, quando poderão mais uma vez provar que, em Albion, o verdadeiro monstro pode ser aquele que detém as chaves de todas as casas.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/fable-2027-will-indulge-my-worst-impulses-from-fable-3/.

Fonte: Polygon.

Polygon.com.

2026-06-14 16:00:00

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