No dia 29 de maio, os cinemas recebem um dos fenômenos de terror mais peculiares da internet: o filme The Backrooms, dirigido pelo jovem cineasta Kane Parsons, que começou sua carreira no YouTube e no Blender. A produção, distribuída pela A24, leva às telonas o conceito de espaços liminares que nasceu em um fórum anônimo e se transformou em uma franquia de horror com milhões de seguidores. O longa acompanha um dono de loja de móveis (interpretado por Chiwetel Ejiofor) que descobre uma entrada para os Backrooms no porão de seu estabelecimento e decide compartilhar o segredo com sua terapeuta (Renate Reinsve). Para explorar o local, ele contrata adolescentes, o que resulta em consequências aterrorizantes.
Tudo começou em maio de 2019, no 4chan. Um usuário anônimo postou uma imagem perturbadora de uma sala vazia, com paredes de papel de parede estampado e um tom amarelado doentio, no quadro paranormal do site. A foto, que mais tarde se descobriu ser um registro da reforma de 2003 de uma loja HobbyTown em Oshkosh, Wisconsin, foi acompanhada por um parágrafo que se tornou viral: Se você não tomar cuidado e noclippar para fora da realidade nas áreas erradas, vai parar nos Backrooms, onde não há nada além do cheiro de carpete velho e úmido, a loucura do mono-amarelo, o zumbido infinito das luzes fluorescentes e aproximadamente seiscentos milhões de milhas quadradas de salas vazias segmentadas aleatoriamente para ficar preso. Deus te salve se você ouvir algo vagando por perto, porque com certeza ele ouviu você. O termo noclipping vem dos videogames, quando um personagem atravessa uma parede ou objeto por um bug.
A comunidade online abraçou a ideia com entusiasmo. No Reddit, surgiu o subreddit r/Backrooms, onde fãs começaram a expandir o conceito com diferentes níveis — como as Playrooms (salas de ginástica) e as Poolrooms (salas de azulejos infinitos) — e entidades que habitariam esses espaços. Essa expansão gerou divergências: parte dos fãs preferia o lore original, sem acréscimos, e criou o r/TrueBackrooms para manter a essência da primeira descrição. Mesmo assim, o fenômeno cresceu, migrando para jogos independentes, TikTok, Twitter e, principalmente, YouTube.
Em janeiro de 2022, Kane Parsons, então com 16 anos e usando o canal KanePixels, publicou The Backrooms (Found Footage), um curta-metragem em estilo found footage que se passava nos anos 1990. O vídeo mostrava um jovem que noclipava para os Backrooms enquanto filmava com amigos. Com 77 milhões de visualizações, o curta se destacou pela atmosfera realista, combinando dublagem, Blender e After Effects para recriar a estética de fitas VHS. Parsons expandiu o curta para uma série de 22 vídeos, introduzindo o Async Research Institute, uma empresa privada que descobre os Backrooms (chamados de Complexo na série) como parte do Projeto KV31. O objetivo do Async era usar o espaço infinito para resolver problemas de superpopulação na Terra, mas a exploração não sai como planejado: funcionários voluntários enfrentam uma entidade de natureza bacteriana, tão senciente quanto aterrorizante.
O filme de 2026 se passa no mesmo universo da série, mas conta uma história independente. Parsons já havia adiantado que a produção está conectada ao lore do Async, e há indícios disso nos trailers. Por exemplo, um recorte de papelão de um homem das cavernas, que apareceu no vídeo Found Footage #3 (setembro de 2024), também surge nas mãos do personagem de Ejiofor. O primeiro teaser do filme mostra diferentes níveis dos Backrooms se transformando uns nos outros, enquanto o protagonista sugere que o espaço se lembra das coisas, mas, quanto mais lembra, mais as distorce. A trama parece equilibrar horror psicológico e a presença de uma entidade — seja a já conhecida da série ou uma nova —, algo que divide os fãs: uns acreditam que um monstro diminui o terror da solidão, outros que ele aumenta a tensão.
Se o filme for bem-sucedido nas bilheterias, é provável que o universo dos Backrooms se expanda em novas produções, talvez explorando mais a fundo o Async Research Institute e suas tentativas de domesticar o Complexo. Por enquanto, o futuro da franquia — tanto a versão de Kane Parsons quanto o conceito aberto original — é tão ilimitado quanto os próprios corredores amarelos. O longa promete ser uma porta de entrada tanto para os fãs de longa data quanto para quem nunca ouviu falar dos Backrooms, mantendo o mistério e o desconforto que fizeram do fenômeno um marco do terror moderno.
https://www.youtube.com/watch?v=H4dGpz6cnHou0026list=PLVAh-MgDVqvDUEq6qDXqORBioE4Yhol_zu0026index=2
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-backrooms-movie-explained-exploring-the-liminal-horror-legend.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-05-28 10:00:00








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