De Robin Williams a Brendan Fraser: quatro atores, um só Eisenhower — e nenhuma semelhança entre eles

Quando se pensa em atores que interpretaram o mesmo personagem histórico, é natural imaginar que eles compartilhem algum traço físico ou de personalidade. Mas no caso de Dwight D. Eisenhower, o general que comandou os Aliados na Segunda Guerra Mundial e depois se tornou o 34º presidente dos Estados Unidos, a regra parece não valer. Robin Williams, Robert Duvall, Tom Selleck e Brendan Fraser — quatro intérpretes com estilos radicalmente diferentes — vestiram a pele de Ike em produções distintas, e o resultado é uma prova de que o ex-presidente funcionou como uma tela em branco para o cinema.

O mais recente a encarar o desafio é Brendan Fraser, que vive Eisenhower no filme Pressure, previsto para estrear nos cinemas em 29 de maio de 2026. A trama se concentra nas 72 horas que antecederam o Dia D, quando o mau tempo ameaçou cancelar a operação que levaria à derrota dos nazistas. Fraser, conhecido por papéis cômicos na franquia A Múmia e em George, o Rei da Floresta, antes de vencer o Oscar de melhor ator por A Baleia, admitiu que não tinha referências sobre a personalidade de Eisenhower. O que me impressionou instantaneamente foi que eu não tinha nenhuma referência de quem Ike era como personalidade, disse Fraser nas notas de produção do filme. Mas Eisenhower, pelo que entendi, era a palavra final em todas as decisões que foram tomadas, e ele colocou essa responsabilidade diretamente sobre seus próprios ombros.

A declaração de Fraser ecoa a de Robin Williams, que interpretou Eisenhower no filme O Mordomo da Casa Branca (2013), de Lee Daniels. Na ocasião, Williams reconheceu que o papel era difícil para ele, justamente por ter de conter seu estilo habitual de atuação. Foi um trabalho duro para mim, disse o ator em um featurette promocional, elogiando Ike como um ego quieto entre grandes egos. Williams, conhecido por sua energia maníaca, deu a Eisenhower o que chamou de força tranquila, e o filme mostra o presidente usando sua autoridade executiva para defender e implementar a dessegregação racial.

Antes deles, Robert Duvall encarnou o general na minissérie de TV Ike: The War Years (1979), que destaca o relacionamento próximo com a tenente Kay Summersby (Lee Remick), sua motorista e secretária pessoal. A produção mostra como Eisenhower, que nunca havia visto combate em sua longa carreira no Exército, finalmente conseguiu sair de trás de uma mesa e ir para o campo de batalha, brilhando nas operações Tocha e Overlord. Duvall trouxe para o papel a mesma masculinidade viril de seus personagens em Apocalypse Now e O Grande Santini, embora mais sóbrio e circunspecto, graças ao efeito suavizante de Kay sobre sua personalidade rude. A minissérie insinua um romance entre Ike e Kay, mas a relação foi posteriormente desacreditada.

Já Tom Selleck, astro de Magnum, P.I., raspou a cabeça e seu icônico bigode para viver Eisenhower no telefilme Ike: Countdown to D-Day (2004). Assim como Robin Williams, Selleck disse em uma entrevista promocional que não sei se teria me escalado como Ike. O roteirista e produtor executivo Lionel Chetwynd explicou que Selleck foi escolhido pelas qualidades que compartilhava com Eisenhower: aquela confiança, aquela decência interior, aquele auto-respeito e respeito pelos outros que só vem com o auto-respeito, aquela capacidade de liderar sem dominar. Apesar de ser alto demais e ter um rosto bonito de protagonista, Selleck traz uma americanidade rústica e uma autoridade silenciosa ao seu Eisenhower, que precisa navegar pelos egos e pela política envolvidos na formação da coalizão internacional para planejar e executar a invasão do Dia D.

O que une essas quatro interpretações tão distintas é justamente a falta de traços marcantes de Eisenhower. Diferentemente de John F. Kennedy, Abraham Lincoln ou Franklin D. Roosevelt — que têm características físicas e vocais facilmente reconhecíveis —, Ike era, nas palavras do autor do artigo original, muito baunilha. Além de sua careca e de seu sorriso largo, Eisenhower não possuía traços notáveis gravados na consciência pública, nem uma voz marcante que ajudasse a torná-lo alvo de imitações. Para o público moderno que não é estudioso da Segunda Guerra Mundial, Eisenhower talvez seja mais conhecido por seu discurso de despedida alertando sobre o complexo militar-industrial, visto em imagens de arquivo famosamente utilizadas no filme JFK, de Oliver Stone. Mas mesmo nisso, o verdadeiro Eisenhower é emocionalmente contido e fisicamente comum.

Essa ordinariedade, no entanto, permitiu que cada ator explorasse a vida interior do personagem de maneiras diferentes. Eisenhower pode não ter tido o carisma de JFK ou a gravitas de FDR, mas sua própria ordinariedade e força de caráter permitiram que quatro atores radicalmente diferentes criassem retratos distintos dele, escreveu o crítico Jim Vejvoda. Para Fraser, o que o atraiu foi a responsabilidade que Eisenhower assumia: ele havia escrito cartas famosas, uma para o sucesso e outra para o fracasso. Na de sucesso, agradecia às tropas e dizia ‘Estamos apenas começando’. Na de fracasso, assumia a culpa: ‘Se há alguma razão para isso não ter dado certo, a culpa é minha e somente minha’. Foi isso que falou com Fraser, que se jogou de cabeça no papel.

Com estreia marcada para maio de 2026, Pressure promete ser mais um capítulo na história de como atores tão diferentes encontraram em Eisenhower um personagem que, justamente por sua simplicidade, permite abordagens tão diversas. Seja com a virilidade de Duvall, a seriedade de Selleck, a força contida de Williams ou a entrega de Fraser, o general-presidente continua a provar que, no cinema, às vezes o mais importante não é a imitação exata, mas a capacidade de conectar o público a momentos decisivos da história.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/actors-who-played-dwight-eisenhower-williams-fraser.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-05-25 14:00:00

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