A FuRyu anunciou recentemente CRYMELIGHT, um roguelike de ação que chega em 5 de novembro para PS5, Switch 2 e PC via Steam. Em entrevista ao Gematsu, o produtor e diretor Takumi Isobe detalhou as mudanças em relação aos títulos anteriores da série CRY, a inspiração em Alice no País das Maravilhas e o sistema de construção de deck baseado em pôquer.
Diferente de CRYSTAR e CRYMACHINA, que eram action RPGs, CRYMELIGHT adota o formato roguelike. Isobe explicou que a decisão veio naturalmente: “Em CRYMELIGHT, o conceito de tempo se repetindo está profundamente ligado à história. Quando começamos a pensar em como usar isso na jogabilidade, o formato roguelike pareceu o mais adequado.” Ele também destacou que o gênero se tornou mais popular e acessível para novatos, o que pesou a favor da escolha.
Apesar de fazer parte da família CRY, Isobe ressalta que CRYMELIGHT é um título independente. A equipe sabia que muitos fãs continuavam apoiando os jogos anteriores, e a gratidão por esse apoio motivou a continuidade da série, mas sem amarras diretas com os antecessores.

O universo do jogo é fortemente inspirado em Alice no País das Maravilhas, especialmente na versão sombria de Tim Burton. “Sempre fui fã da história e da atmosfera estranha e escura da adaptação do Burton”, disse Isobe. A equipe combinou essa estética com o apelo feminino característico da empresa, passando por muita tentativa e erro tanto na narrativa quanto na direção de arte.
Embora o jogo envolva batalhas mortais contra as Rainhas de Copas que governam o País das Maravilhas, Isobe faz questão de diferenciar a proposta de um “death game” tradicional como Danganronpa ou Squid Game. “Não é exatamente um ‘jogo de matar’. É uma história centrada em batalhas até a morte com as Rainhas de Copas”, explicou, deixando no ar que há mais camadas na trama.
Os personagens carregam pecados de vidas passadas, mas o design não começou por aí. Isobe revelou que primeiro foram criados perfis básicos, e os pecados surgiram conforme o roteiro avançava. “Fui ajustando as expressões e a atmosfera de cada uma até chegar à forma final.” O conceito de pecado, no entanto, não tem conotação religiosa: “É algo universal, que pode existir no coração de qualquer pessoa.”

O sistema de construção de deck usa cartas de baralho e mãos de pôquer, uma escolha que veio depois da definição visual do jogo. “No começo, focamos em um roguelike de ação tradicional. Quando o mundo e o estilo visual se consolidaram, pareceu natural que os sistemas também refletissem essa atmosfera. Em vez de ‘cartas de habilidade’ genéricas, decidimos usar cartas de baralho”, contou Isobe. O resultado é um dilema constante entre montar uma mão forte ou usar uma habilidade poderosa imediata, misturando estratégia, sorte e risco.
Outro sistema interessante é o Wonder Dimension, no qual os gritos de morte dos inimigos são absorvidos por Alice, que carrega os pecados deles. Ao se confessar e transcender esses pecados, a jogadora obtém itens aprimorados. “Até os inimigos têm seus próprios passados. Alice os derrota e, ao [spoiler] seus gritos, acaba assumindo os pecados deles”, explicou Isobe. A confissão não gera ramificações na história, apenas fortalece a personagem.
O jogo oferece dois modos de câmera: um close-up lateral e uma visão ampla de cima. Isobe disse que a ideia foi dar ao jogador a liberdade de escolher entre priorizar a apresentação dos personagens e a atmosfera ou a visibilidade e a sensação de ação. É possível ajustar também a exibição de HP e danos, e o jogador pode selecionar um modo desde o início, com opções de refinamento posterior.

Com preço de US$ 19,99, CRYMELIGHT é mais barato que os títulos anteriores da série, mas oferece entre 20 e 30 horas de jogo. Isobe justificou: “Nossa maior prioridade foi tornar o jogo acessível ao maior número possível de jogadores. Mesmo sendo muito rico em conteúdo, queríamos que mais pessoas experimentassem este mundo e se apegassem a Alice e às outras.” Ele revelou que a história sozinha ultrapassou 20 horas, muito além das 15 horas inicialmente planejadas, mas a equipe não quis comprometer a narrativa.
O desenvolvimento foi feito em parceria com a Winning Entertainment Group, escolhida por sua especialização na direção de arte, prioridade máxima do projeto. Isobe explicou que, dependendo do foco de cada jogo, a FuRyu busca empresas com habilidades específicas.
Por fim, Isobe deixou um teaser: a arma “Aquamarine Emotions”, inclusa na Edição Digital Deluxe, terá uma surpresa relacionada. Mais detalhes serão divulgados futuramente. Ele também convidou os jogadores a se juntarem ao Discord oficial da comunidade, onde a equipe compartilha bastidores e interage com os fãs.
Leia mais aqui em inglês: https://www.gematsu.com/2026/05/crymelight-interview-with-producer-and-director-takumi-isobe-roguelikes-alice-in-wonderland-and-sins.
Fonte: Gematsu.
Gematsu.
2026-05-26 03:00:00








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