Crítica de The Last House: filme da Netflix com Wagner Moura e Greta Lee se perde em mudanças bruscas de tom e gênero

A mais nova aposta da Netflix em filmes originais, The Last House, chega ao catálogo em 7 de agosto com uma premissa intrigante: uma família de quatro pessoas que, de repente, se vê presa dentro de casa. No entanto, o que poderia ser um suspense psicológico envolvente se transforma em uma experiência confusa e cansativa, de acordo com a crítica do IGN. O longa, dirigido por Louis Leterrier, conhecido por blockbusters como O Incrível Hulk e Fúria de Titãs, parece não encontrar um tom consistente, saltando entre gêneros e emoções de forma brusca e desconexa.

A trama acompanha Jason Delgado, interpretado por Wagner Moura, que abre o filme pescando na costa de Seattle sob uma chuva forte. O patriarca, aparentemente melancólico, reclama da pesca escassa antes de voltar para sua casa suburbana. Em seguida, o espectador é apresentado à sua esposa Riley, vivida por Greta Lee, e aos dois filhos do casal: o mais velho, Graham (Noah Alexander Sosnowski), e a caçula, Ruth (Riley Chung). O que parecia ser um drama familiar comum logo se transforma em algo estranho: as portas e janelas da casa não abrem, e os vizinhos enfrentam o mesmo problema.

Os detalhes do mistério são revelados aos poucos, envolvendo uma chuva repentina e formas misteriosas ao longe, mas o filme não oferece uma construção de suspense adequada. A família, em vez de agir com naturalidade, já parte direto para a hipótese de uma ocorrência sobrenatural ou de um mal à espreita. Esse comportamento, segundo a crítica, faz com que os personagens pareçam mais mecanismos para avançar a trama do que seres humanos reais.

À medida que os dias se transformam em semanas, os Delgado passam a entender melhor o que está acontecendo, mas o filme não permite que os momentos dramáticos respirem. A narrativa começa como uma espécie de reflexo do isolamento da pandemia de COVID-19, depois flerta com um thriller de sobrevivência e, em seguida, muda completamente de direção, incorporando conceitos lovecraftianos sem a atmosfera assustadora que eles exigem. Essa metamorfose constante é descrita como especialmente desajeitada.

Fonte da imagem: IGN

Com quase duas horas de duração, que em alguns momentos parecem intermináveis, The Last House parece ter sido editado de forma abrupta, pulando de conversa em conversa e de evento em evento sem fluidez. O crítico do IGN, Arnold T. Blumberg, aponta que, apesar de o design de produção acompanhar a passagem do tempo, o comportamento dos personagens não reflete essas mudanças de forma intuitiva.

Um dos pontos mais criticados é o desperdício do talento de Wagner Moura e Greta Lee, considerados dois dos melhores atores de sua geração. No filme, eles são transformados em atrações baratas, explodindo em raiva e melodrama praticamente ao acaso. Jason e Riley alternam entre a passividade e a histeria sem motivação clara, o que resulta em atuações ruins a partir de material que poderia ser aproveitável.

A produção ainda tenta inserir uma moralização pesada sobre o lugar da humanidade no mundo, mas isso se manifesta em narrações desajeitadas e dilemas éticos que surgem do nada, com flashbacks de cenas mostradas poucos minutos antes. Leterrier, que nunca foi um contador de histórias particularmente interessante, mas que já entregou filmes coerentes como entretenimento mainstream, agora parece ter perdido o controle. O crítico questiona se a culpa é do diretor ou da Netflix, mas o resultado é um longa que parece montado a partir de cenas e ideias desconexas, mudando de modo narrativo e de emoção de forma tão rápida que é difícil acompanhar.

Em suma, The Last House tem imagens individuais bonitas, mas, quando unidas, tudo parece errado. A falta de consistência tonal e a edição frenética comprometem a experiência, deixando uma sensação de que o filme foi cortado demais, quase sem vida. Para quem esperava um suspense envolvente com um elenco de peso, a recomendação é de cautela. The Last House estreia na Netflix em 7 de agosto.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-last-house-review.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-08-07 07:00:00

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