O diretor Boots Riley, conhecido pelo cultuado ‘Sorry to Bother You’, retorna aos cinemas com ‘I Love Boosters’, uma comédia absurda que funciona como um tratado marxista de 105 minutos sobre a luta de classes, o valor do trabalho e o poder da ação coletiva. O filme, que chega aos cinemas em 22 de maio, acompanha a gangue Velvet Gang – formada por Corvette (Keke Palmer), Mariah (Taylour Paige) e Sade (Naomi Ackie) –, um grupo de ‘boosters’ que roubam roupas de grife para revender a preços baixos, numa prática que elas chamam de ‘filantropia fashion’.
A trama se passa em um universo liminar entre o real e o surreal, marca registrada de Riley. Um arranha-céu de luxo inclinado tem cômodos em ângulos íngremes, Mariah consegue prender a respiração para se transformar em uma versão de pele mais clara (interpretada por Robin Thede), e a física de desenho animado dá um tom de ‘Tom e Jerry encontra capitalismo’. A trilha sonora eclética da dupla Tune-Yards pontua a comédia de forma quase perfeita.
Visualmente, o filme é um banquete para os olhos, com piadas visuais e figurinos coloridos e cuidadosamente selecionados. A produção de Christopher Glass (‘Ms. Marvel’, ‘Mogli – O Menino Lobo’), os figurinos de Shirley Kurata (‘Opus’, ‘Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo’) e a decoração de cenário de Lizbeth Ayala (‘Guerra Civil’, ‘Atlanta’) estão no auge. Penas, cetins, sedas e maximalismo de vanguarda contrastam com os cenários monocromáticos das lojas fictícias Metro Designers, que as personagens ao mesmo tempo desprezam e almejam.
Riley, mais uma vez, embala críticas sociais em um pacote tão insano, excêntrico e ao mesmo tempo sincero que é impossível não se divertir. O filme sugere que os frutos do trabalho pertencem às massas que os produzem – há uma cena inteira dedicada a explicar o materialismo dialético. ‘I Love Boosters’ é uma melhora em relação a ‘Sorry to Bother You’, com menos híbridos de homem-cavalo no terceiro ato, mas com abundantes críticas à classe bilionária e sua manipulação da opinião pública para fins políticos. Há até um think tank maligno.
Riley não está interessado em condenar o roubo da Velvet Gang. Em vez disso, ele usa o filme para sugerir uma ligação entre a ‘filantropia fashion’ do grupo e os crescentes esforços de sindicalização global. A gangue encontra a revoltada funcionária do varejo Violeta (Eiza González), a determinada operária Jianhu (Poppy Liu), a estilista bilionária Christie Smith (Demi Moore) e o misterioso Pinky Ring Guy (LaKeith Stanfield), além de várias participações especiais.
Se há uma crítica, é que o filme ocasionalmente se perde em seu próprio mundo. O personagem Pinky Ring Guy, por exemplo, apesar da atuação enigmática de Stanfield, acaba não passando de uma piada interna sobre sexo oral – funciona, mas só. No entanto, o núcleo principal – a Velvet Gang e Jianhu – tem uma química excelente, equilibrando o absurdo com a credibilidade dentro do universo criado por Riley. A chegada de Jianhu é o catalisador da segunda metade do filme, e Poppy Liu se insere com habilidade na dinâmica já estabelecida por Palmer, Paige e Ackie.
Keke Palmer, como protagonista, é o coração do filme. Sua Corvette é uma personagem tão identificável em suas ansiedades, inseguranças e aspirações que tempera a loucura e mantém o filme com os pés no chão quando necessário. ‘I Love Boosters’ parece o equivalente cinematográfico de uma ‘música do verão’, algo com potencial para definir culturalmente a era em que vivemos. É incisivo, mas não desesperançoso; em vez disso, tece uma tapeçaria de esperança enraizada na comunidade e na ação coletiva.
IGN Articles.
2026-05-20 19:34:00
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/i-love-boosters-review.
Fonte: IGN.








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