Crise de memória RAM expõe nova era de disputa global por chips e IA, com acordos que parecem saídos de Command & Conquer

A indústria de PC enfrenta um problema conhecido: preços altos para componentes essenciais, desta vez a memória RAM, devido a um aumento imprevisto na demanda. Não há luz no fim do túnel em curto prazo, pois a oferta levará um bom tempo para acompanhar a procura. E, como já vimos antes, a situação tende a se repetir, especialmente agora que políticos ao redor do mundo transformaram o setor de semicondutores, antes globalizado, em um tabuleiro de disputas geopolíticas, com acordos e alianças que parecem saídos de um jogo de estratégia como Command & Conquer.

PC
imagem: PcgamerCutting-edge semiconductors that PC gaming is dependent on for many meaningful performance leaps over the years. PC gaming companies are some of the first to make the leap to bleeding-edge technologies, such as AMD when it rushed to utilise TSMC’s 7 nm process for a competitive advantage for its CPUs and GPUs. Crédito da imagem: Лечение Наркомании, Pixabay)Fonte da imagem: PcgamerSo here we’ve got demand, on the one hand, that’s just off the charts

A nova geopolítica dos chips deu origem a grupos com nomes que chamam a atenção: Pax Silica e WAICO. Pax Silica, por exemplo, é uma organização recém-formada que adotou o lema “Assegurando a cadeia de suprimentos de silício”. A entidade reúne países como Estados Unidos, União Europeia, Coreia do Sul, Índia, Israel, Reino Unido, Singapura, Filipinas, Países Baixos, Japão e Catar, com Taiwan participando apenas como “signatário não-membro”, apesar de ser o principal polo de fabricação de chips do mundo.

GPU
Image credit: Лечение Наркомании, Pixabay)Fonte da imagem: PcgamerSo here we’ve got demand, on the one hand, that’s just off the charts. And we’ve got the supply chain that is handicapped by virtue of getting access to materials, very constrained production capacity, and then slow transportation connecting the dots. You add it all up, and that’s where we are right now.

O que motiva essas alianças é a percepção de que o século XXI depende de computação e dos minerais que a alimentam, como afirmou Jacob Helberg, subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos dos EUA. Ele destacou que, se o século XX foi movido a petróleo e aço, o atual é movido a poder computacional e insumos críticos. Essa visão levou a uma corrida por segurança na cadeia de suprimentos de semicondutores, terras raras e fábricas de chips, tudo em nome da inteligência artificial.

A crise atual de memória RAM é apenas o mais recente capítulo de uma história de vulnerabilidades. Em maio, o fechamento do Estreito de Ormuz, após um ataque dos EUA ao Irã, já havia exposto a fragilidade do setor. Especialistas em cadeia de suprimentos ouvidos pelo PC Gamer apontaram impactos em materiais como hélio, ácido sulfúrico, resina PPE, alumínio e nafta, todos usados na fabricação de semicondutores e placas de circuito impresso. Derek Lemke, vice-presidente sênior de Inteligência de Nível de Produto da Exiger, alertou que, em um cenário extremo, a indústria poderia priorizar infraestrutura de IA em detrimento das necessidades dos consumidores.

SK
(Image credit: SeongJoon Cho / Bloomberg via Getty Images (left). SK hynix, Samsung, and Micron signs in front of company buildings.
Fonte da imagem: Pcgamer

Antes disso, a pandemia de covid-19 já havia mostrado como a demanda por computadores e consoles pode explodir quando o mundo se volta para o trabalho remoto. Foi nesse período que os governos começaram a enxergar os semicondutores como um recurso estratégico, levando a administração Biden e a União Europeia a lançarem legislações para atrair a fabricação de chips avançados para seus territórios. No entanto, essas iniciativas tiveram resultados limitados: o CHIPS Act foi renegociado por Donald Trump, e o EU Chips Act foi considerado “excessivamente ambicioso” por auditores do Tribunal de Contas Europeu.

Intel
Intel engineers inspect a lithography machine Crédito da imagem: Лечение Наркомании, Pixabay)Fonte da imagem: PcgamerSo here we’ve got demand, on the one hand, that’s just off the charts

Enquanto isso, o PC gaming enfrentava outro gargalo: a mineração de criptomoedas. Entre 2017 e 2018, e principalmente a partir de 2020, a demanda por placas de vídeo para mineração doméstica, somada aos problemas de oferta da pandemia, tornou quase impossível comprar uma GPU a preço justo. Essa situação só começou a se resolver em 2022, quando a Ethereum migrou do modelo de prova de trabalho para o de prova de participação, encerrando a mineração em hardware de consumo. Para muitos, foi o fim de um dos piores períodos para o PC gaming — até agora.

Razer
Fonte da imagem: Pcgamer. Razer Blade 16 gaming laptop

A história se repete, mas agora com um novo protagonista: a inteligência artificial. A corrida por recursos para alimentar data centers e modelos de IA está pressionando a cadeia de suprimentos de memória e outros componentes, elevando preços e gerando temores de escassez. A pergunta que fica é se os consumidores de PCs serão deixados para trás em um cenário de alocação de recursos, como sugeriu Derek Lemke.

Apesar dos esforços para aumentar a capacidade de produção, a tendência é que a disputa por semicondutores, fábricas e terras raras se intensifique. O alívio de curto prazo pode vir com a entrada de novas fábricas em operação, mas a longo prazo, a geopolítica dos chips promete continuar influenciando — e muitas vezes encarecendo — o hobby que tantos amam. E, no meio disso, nomes como Pax Silica e WAICO podem se tornar tão comuns quanto os clãs de um jogo de estratégia, mas com impactos bem reais no bolso e na disponibilidade de hardware.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/hardware/the-memory-crisis-led-me-down-a-rabbit-hole-into-nations-forming-rival-factions-to-secure-the-flow-of-computer-chips-and-ai-with-names-that-wouldnt-sound-out-of-place-in-a-command-and-conquer-reboot/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-18 16:30:00

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