O futuro de Dragon Age parece cada vez mais incerto. Após o lançamento de Dragon Age: The Veilguard em 2024, que recebeu críticas mistas e uma resposta comercial morna, a EA demitiu dezenas de funcionários da BioWare, e vários ex-desenvolvedores já declararam publicamente que acreditam que a série está, provavelmente, morta. Mas, enquanto um novo jogo da franquia parece distante, fãs ainda se perguntam se a EA poderia ao menos relançar os títulos antigos, como fez com a trilogia Mass Effect em sua Legendary Edition, lançada em 2021.
A ideia de um pacote remasterizado de Dragon Age: Origins, Dragon Age 2 e Dragon Age: Inquisition, no entanto, esbarra em um obstáculo tecnológico quase intransponível, segundo Mark Darrah, ex-produtor da série. Em entrevista ao site FRVR, Darrah revelou que, em algum momento, chegou a imaginar uma edição especial chamada ‘Champions Edition’, que seria o equivalente a Dragon Age da Legendary Edition de Mass Effect. Mas, agora, ele acredita que as chances de isso acontecer são mínimas.
O principal problema, explica Darrah, é a tecnologia por trás dos jogos. Enquanto os três Mass Effect foram desenvolvidos na Unreal Engine, uma tecnologia amplamente difundida e dominada por muitos estúdios, cada um dos três Dragon Age utilizou um motor gráfico diferente. Dragon Age: Origins rodou no Eclipse Engine, uma versão aprimorada do Aurora Engine, que também foi usado pela CD Projekt para o primeiro The Witcher. Já Dragon Age 2 utilizou o Lycium Engine, uma evolução do Eclipse, e Dragon Age: Inquisition foi construído sobre a Frostbite, da DICE.
Essa fragmentação técnica torna qualquer esforço de remasterização extremamente complicado. Não há basicamente ninguém na BioWare que ainda entenda o Aurora Engine, afirmou Darrah. Não há basicamente ninguém fora da BioWare que entenda o Aurora Engine. Então, ao contrário de Mass Effect, que é Unreal, não há empresas que possam ajudar. A falta de especialistas familiarizados com essas tecnologias antigas é um dos maiores entraves para um projeto desse tipo.
Além da questão técnica, Darrah também aponta um problema estrutural dentro da EA. Ele acredita que um remaster exigiria a formação de uma nova equipe, mas a empresa não parece disposta a contratar mais funcionários. A EA não gosta de ter funcionários, disse Darrah. Então, se você for fazer isso, terá que fazer dentro do guarda-chuva da BioWare, o que significa que essas pessoas não estariam trabalhando em outra coisa. Ou seja, qualquer esforço de remasterização desviaria recursos de outros projetos em andamento no estúdio.

Apesar das dificuldades, Darrah acredita que um remaster do primeiro Dragon Age teria bom potencial comercial, principalmente porque o jogo envelheceu mal visualmente. Dragon Age: Origins não era o jogo mais bonito, comentou. Há muito que se poderia fazer para melhorar sua aparência. Essa percepção de que o título original poderia se beneficiar de uma repaginada visual é um ponto a favor de uma eventual remasterização, mas, por enquanto, parece improvável que a EA invista nisso.
O cenário atual da franquia é desolador. Com a série dada como morta por vários ex-desenvolvedores, a possibilidade de um novo jogo é remota. E, quanto a uma coletânea remasterizada, as barreiras técnicas e administrativas parecem intransponíveis. Os fãs de Dragon Age, que já enfrentam a falta de novidades desde o lançamento de The Veilguard, agora precisam lidar com a realidade de que nem mesmo os jogos clássicos devem ganhar uma nova roupagem tão cedo.
Enquanto isso, a BioWare segue focada em outros projetos, e a EA não demonstra interesse em mexer em franquias adormecidas. A situação de Dragon Age contrasta com a de Mass Effect, que recebeu tratamento de luxo com a Legendary Edition e ainda tem um novo título em desenvolvimento, embora os desenvolvedores estejam ocupados demais para falar sobre ele.
Para os jogadores que sonham em revisitar Ferelden, Kirkwall e Thedas com gráficos modernos, a esperança é cada vez menor. A declaração de Darrah reforça a ideia de que, no atual cenário da indústria, a tecnologia e a gestão de recursos são fatores decisivos para a viabilidade de projetos de remasterização. E, no caso de Dragon Age, esses fatores apontam para um futuro incerto, para dizer o mínimo.
Ainda assim, a vontade dos fãs é clara, e o apelo comercial de um remaster de Origins é evidente, como o próprio Darrah reconheceu. Mas, até que a EA mude de postura ou encontre uma solução técnica viável, a franquia parece destinada a permanecer no passado, sem o mesmo tratamento que Mass Effect recebeu. Resta aos jogadores acompanhar os próximos capítulos dessa história, torcendo para que, um dia, a velha Ferelden volte a brilhar.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/rpg/dragon-ages-former-producer-had-envisioned-a-champions-edition-equivalent-to-mass-effects-legendary-edition-but-he-doesnt-think-it-will-happen-anymore-there-are-basically-no-companies-that-could-help-you/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-08-01 13:00:00








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