Mídia física em xeque: 34% dos jogos de PS5 e 50% dos de Xbox Series X não funcionam sem download

A Sony já anunciou que vai encerrar a produção de discos de jogos em 2028, o que indica que a mídia física está com os dias contados. Mas um relatório recente mostra que, mesmo comprando um disco, o jogador não tem grande chance de conseguir jogar sem precisar baixar algo. O site Does it Play, especializado em testar versões físicas de jogos para verificar se é possível jogá-los offline ou sem download, divulgou estatísticas que revelam um cenário preocupante para os consoles da atual geração.

De acordo com os dados do Does it Play, divulgados pelo Ars Technica, o PlayStation 5 não vai bem nesse quesito. Foram testados 792 jogos, e apenas 66% deles funcionam completamente sem a necessidade de qualquer download. Outros 17% são considerados ‘completáveis’, mas apresentam muitos bugs ou falta de conteúdo central, enquanto os 17% restantes exigem algum tipo de download para que o jogo possa ser jogado de fato.

O Xbox Series X, da Microsoft, tem um desempenho ainda pior. Dos jogos testados, apenas 50% passaram no teste, ou seja, funcionam plenamente sem download. Cerca de 12% são classificados como ‘completáveis, mas com bugs ou conteúdo ausente’, e 68% precisam de download para funcionar. Vale destacar que a amostra da Microsoft é bem menor: apenas 78 jogos foram analisados, enquanto a Sony teve uma base muito maior. Essa diferença na quantidade de jogos testados faz com que os números do Xbox devam ser vistos com cautela, mas ainda assim indicam uma tendência clara de afastamento dos discos que podem ser jogados sem downloads.

Nintendo
Image credit: Future)Fonte da imagem: Pcgamer

O Nintendo Switch 2, por sua vez, supera os concorrentes: 75% dos jogos testados são completáveis e têm conteúdo completo, embora a amostra seja pequena, com apenas 48 títulos avaliados.

A dependência de downloads para jogar jogos físicos é um problema por vários motivos. Primeiro, jogadores com limites de dados na internet podem não querer gastar sua franquia mensal em um jogo que compraram em disco justamente para evitar isso. Segundo, os servidores da Xbox ficaram fora do ar recentemente, deixando alguns jogadores impossibilitados de acessar seus próprios jogos. Terceiro, e talvez mais importante, isso é um pesadelo para a preservação de jogos.

No futuro, quando os servidores forem desligados, também desaparecerão as oportunidades de baixar arquivos essenciais dos jogos. Quanto mais jogos dependerem de downloads para serem completados, mais trabalho terão os preservacionistas para tentar salvá-los. A preservação digital já é um desafio, e a tendência de exigir downloads para jogos físicos só piora a situação.

Razer
Fonte da imagem: Pcgamer. Razer Blade 16 gaming laptop

O PC, por outro lado, já não tem suporte mainstream a discos há muito tempo. Mas a Sony eliminar as unidades de disco é uma mudança diferente. No PC, se o jogador quiser, pode comprar um drive de disco, adquirir um jogo em mídia física e jogá-lo. Claro, discos mais antigos podem ter problemas de compatibilidade com o Windows moderno, exigindo instaladores de 32/64 bits ou camadas de compatibilidade. Os compradores do PS6, porém, não terão essa opção.

Essa mudança imposta de cima para baixo vai dificultar a vida dos entusiastas da mídia física e também dos preservacionistas, que terão que se esforçar ainda mais para manter viva a história dos videogames. A pergunta que fica é: até quando os discos vão existir, e o que acontecerá com os jogos quando os servidores forem desligados?

A notícia chega em um momento em que a Sony se prepara para encerrar a produção de discos em 2028, e a Microsoft parece seguir o mesmo caminho, ainda que sem uma data oficial. Para os jogadores que ainda preferem ter uma cópia física em suas prateleiras, a realidade é que, cada vez mais, o disco é apenas uma chave de instalação, e o jogo completo está na nuvem ou nos servidores das empresas.

Enquanto isso, os preservacionistas de jogos continuam sua luta para garantir que as obras não se percam no tempo. Com a crescente dependência de downloads, essa tarefa se torna mais árdua, e a comunidade de preservação já alerta para os riscos de uma geração perdida de jogos. O futuro dos videogames pode ser digital, mas é preciso garantir que o passado não seja esquecido.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/hardware/report-shows-34-percent-of-physical-ps5-games-and-50-percent-of-xbox-series-x-games-do-not-work-fully-without-a-download-first/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-07-31 12:09:00

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