O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) classificou as VPNs como ferramentas técnicas lícitas que os usuários podem legitimamente usar em uma decisão histórica proferida em julho. O veredito faz parte de um julgamento mais amplo sobre a publicação online do Diário de Anne Frank, que envolve uma complexa disputa de direitos autorais.
De acordo com a decisão, a Fundação Anne Frank detém os direitos sobre partes dos manuscritos históricos até pelo menos 2037. No entanto, em alguns Estados-membros da UE, como a Bélgica, essas obras já estão em domínio público. A controvérsia gira em torno de uma tradução holandesa dos diários, que foi oferecida gratuitamente online para usuários residentes em países onde os manuscritos já haviam entrado em domínio público — o que, obviamente, pode ser contornado com o uso de uma VPN.
O tribunal precisou decidir se o editor online e o hospedeiro da tradução holandesa eram responsáveis por violação de direitos autorais quando usuários usavam VPN para burlar as restrições geográficas. A corte essencialmente respondeu que não, estabelecendo um precedente legal importante.
Ao se referir às VPNs como ferramentas técnicas lícitas, o julgamento rejeita a ideia de que os usuários só utilizariam essas ferramentas para fins questionáveis. A decisão também afirma que, embora as medidas de bloqueio geográfico possam ser contornadas por VPNs, a possibilidade de tal contorno não pode ser um fator decisivo para considerar essas medidas inadequadas e, portanto, ineficazes.
O acórdão também isenta os provedores de VPN de responsabilidade por violação de direitos autorais. O texto diz que os provedores de VPN não estão dando diretamente aos usuários finais acesso a uma obra protegida e que, mesmo que o provedor tenha conhecimento de que seu serviço pode ser usado para acessar obras protegidas sem o consentimento dos autores, o provedor não está intervindo para esse acesso. A comunicação protegida por direitos autorais é atribuível à pessoa que publicou a obra no site, e não ao provedor da VPN ou serviço similar que permitiu ao usuário contornar uma medida de bloqueio geográfico ineficaz.

As VPNs se tornaram um tema polêmico nos últimos anos. O Reino Unido, por exemplo, aprovou a Lei de Segurança Online em 2023, exigindo que sites implementassem verificações de idade para restringir o acesso de crianças a conteúdo prejudicial. Além de contornar essas verificações de forma criativa, as VPNs são outra opção óbvia. O governo britânico chegou a considerar brevemente a proibição das VPNs, mas depois decidiu não limitar as ferramentas.
Nos Estados Unidos, o estado de Utah tentou aprovar sua própria proibição de VPNs, enquanto Wisconsin reverteu sua decisão de banir as ferramentas. A Electronic Frontier Foundation criticou anteriormente medidas repressivas em nível estadual como essas, por ameaçarem quebrar o acesso a VPN para toda a internet.
A decisão do tribunal europeu pode fazer com que alguns políticos pensem duas vezes antes de propor proibições no futuro. O caso representa um marco importante para a proteção da privacidade e da liberdade online, estabelecendo que o uso de VPNs é legítimo e não deve ser automaticamente associado a atividades ilícitas.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/software/eu-court-rules-that-vpns-are-lawful-technical-tools-as-part-of-larger-copyright-judgement-regarding-the-diary-of-anne-frank/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-07-22 16:24:00








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