A estreia de Will Ferrell em uma série de TV como protagonista contínuo, ‘The Hawk’, chega à Netflix em 16 de julho com a expectativa de repetir o sucesso de seus personagens icônicos como Mugatu, Buddy, Ron Burgundy e Ricky Bobby. No entanto, o que se vê ao longo dos dez episódios é uma comédia que raramente engrena, deixando o espectador com a sensação de que algo deu errado no percurso.

Ferrell interpreta Lonnie ‘The Hawk’ Hawkins, um golfista em fim de carreira que tenta um retorno. O personagem carrega as marcas registradas do ator — comportamento infantil, autoconfiança desmedida e propensão a se machucar —, mas esses traços nunca se combinam de forma satisfatória. Lonnie parece uma ideia mal costurada de personagem cômico, e sua presença constante acaba se tornando mais irritante do que engraçada.
A série foi criada por Ferrell ao lado de Harper Steele e Chris Henchy, colaboradores de longa data que escreveram diversos esquetes memoráveis do ‘Saturday Night Live’ estrelados pelo ator. O elenco inclui nomes como Molly Shannon, Chris Parnell e Luke Wilson, além de contar com Andrew Guest, showrunner de ‘Wonder Man’, entre os roteiristas. Apesar de tanto talento reunido, o resultado é surpreendentemente sem graça.

Um dos momentos emblemáticos do tom irregular da série ocorre logo no início, quando Lonnie joga golfe ao som de ‘The Thong Song’, cantando e dançando até revelar que está usando uma tanga. A cena tenta evocar o humor de esquetes clássicos de Ferrell, como o do ‘SNL’ em que ele usava shorts minúsculos para mostrar patriotismo pós-11 de setembro, mas aqui a piada simplesmente não funciona e não é retomada ao longo da trama.

Originalmente, ‘The Hawk’ seria cocriada por Ferrell, Ramy Youssef e Josh Rabinowitz, com Youssef atuando ao lado de Ferrell. A saída da dupla por ‘diferenças criativas’ pode ter tirado a inspiração original do projeto, deixando apenas uma casca oca. Outra hipótese é a chamada ‘maldição da Netflix’, que já vitimou outros astros consagrados com produções medíocres ou as piores de suas carreiras.
A trama central gira em torno da tentativa de Lonnie de se reconectar com o filho Lance (Jimmy Tatro), um golfista profissional de sucesso. O conflito entre pai e filho, que culmina em um confronto no campo de golfe, não consegue ser nem divertido nem envolvente. Tatro, conhecido por roubar a cena em ‘American Vandal’ e ‘Theater Camp’, é reduzido ao papel de homem sério que apenas reage com irritação às trapalhadas do pai.

Molly Shannon faz o que pode como a esposa separada de Lonnie, mas seu personagem tem como principal característica inicial o uso excessivo de palavrões. Subtramas como um possível triângulo amoroso para Lance ou a reconciliação do caddie de Lonnie (Fortune Feimster) com o próprio pai não ganham vida. A exceção fica por conta de Patty Guggenheim, que já havia se destacado em ‘She-Hulk: Defensora de Heróis’ como Madisynn; mesmo com pouco tempo de tela, ela traz um humor irônico que faz falta ao restante da série.
Ao longo dos episódios, algumas piadas isoladas e sequências surreais ocasionais conseguem arrancar risadas, mas são raras demais para sustentar o interesse. ‘The Hawk’ se arrasta por dez episódios sem nunca encontrar o ritmo ou a consistência necessários, deixando a impressão de que, desta vez, Will Ferrell errou o swing.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-hawk-review-netflix-will-ferrell.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-07-16 07:00:00








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