Fãs de longa data lideram o renascimento de EverQuest com servidor oficial nostálgico

Em meio a um cenário de incertezas para jogos como serviço, com estúdios sendo fechados e promessas grandiosas de publishers se mostrando duvidosas, um dos títulos que ajudou a definir o gênero está de volta. EverQuest, o MMORPG original que estreou em 1999, ganha uma nova versão oficial chamada EverQuest Legends, que chega em 28 de julho. O projeto, atualmente em pré-venda com beta aberto, é uma recriação do jogo como ele era em seu ano de lançamento, antes de décadas de expansões, e foi inspirado diretamente pelo trabalho de fãs dedicados que mantiveram viva a experiência clássica por meio de emuladores.

A equipe por trás de Legends inclui veteranos da comunidade de emulação, especialmente do Project 1999, um servidor não oficial criado no final dos anos 2000 por fãs nostálgicos para capturar a versão original do jogo entre 1999 e 2001. O Project 1999 não é afiliado à publisher Daybreak Game Company, mas tem o aval da empresa. Foi desse projeto que saiu Sean “Rogean” Norton, que atuava como gerente de projeto, administrador de servidor e programador no emulador e agora é engenheiro sênior em Legends.

Norton comentou sobre a transição do trabalho voluntário para o oficial: “No emulador, estávamos acostumados a lidar com tudo nós mesmos, desde gestão de comunidade até atualizações de site e atendimento ao cliente. Poder focar a maior parte do tempo no desenvolvimento do jogo em si tem sido um alívio”. Ele ressaltou que as ferramentas oficiais da EverQuest são bastante diferentes das do emulador, mas que conseguiu aprender e se adaptar.

O espírito nostálgico do Project 1999 está presente em Legends, e isso ficou claro durante uma demonstração do jogo na Summer Game Fest, em junho. A equipe — formada por Norton, o produtor executivo David Youssefi e o designer líder de conteúdo Eric Wellman — demonstrou ser composta por fãs do EverQuest clássico, o que influenciou decisões de design. A preservação do jogo original foi um dos pilares do projeto.

“A versão de Norrath que os jogadores verão em EQ Legends não existia há mais de vinte anos, e estamos sendo o mais fiéis possível à aparência e sensação originais”, afirmou Youssefi. Ele explicou que grande parte do conteúdo original estava prestes a ser perdido para sempre e foi redescoberto por meio de buscas em diretórios antigos de servidores, CDs e clientes de Mac. Exemplos de elementos reintroduzidos incluem a música MIDI original, efeitos de magia, modelos de personagens e a cidade de Freeport.

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Fonte da imagem: The Verge

Essas descobertas são uma vitória para a preservação de jogos, tarefa que se torna cada vez mais difícil com o avanço dos títulos digitais. Andrew Borman, diretor de preservação digital do The Strong National Museum of Play, destacou que a conectividade online obrigatória e as atualizações frequentes são desafios para a preservação digital. MMOs como EverQuest são especialmente vulneráveis a esses problemas.

Legends não é apenas um projeto de preservação: a equipe implementou melhorias de qualidade de vida e novos conteúdos, mas muitas dessas mudanças são imperceptíveis para quem não conhece o original a fundo. Youssefi afirmou que, ao adicionar conteúdo novo, a equipe se esforça para manter a coesão com o estilo artístico e a sensação do EverQuest clássico. Sobre as decisões de quais aspectos preservar, ele disse que não removeram nenhuma melhoria planejada, mas ajustaram algumas para manter elementos-chave do original. Por exemplo, adicionaram a habilidade Gather Party para facilitar a reunião de grupos, mas aumentaram o tempo de recarga para que viagens a pé, portais e barcos continuassem sendo modos de locomoção significativos.

Dores de cabeça do passado, como a recuperação de cadáveres e o tedioso processo de buffar novamente, foram resolvidas. No jogo original, morrer e não recuperar o corpo a tempo significava perder todo o equipamento, que poderia levar semanas para ser obtido. Em Legends, isso não é mais necessário. A viagem, que antes podia levar horas apenas caminhando por zonas e esperando barcos, foi facilitada: até a zona tutorial oferece botas que concedem um efeito similar ao Spirit of Wolf, uma magia que antes exigia implorar a um druida. A dificuldade do passado agora serve como oportunidade para criar laços entre os jogadores, que compartilham memórias dos chamados “hell levels” — falhas no código que tornavam a progressão extremamente lenta.

O objetivo das melhorias parece ser remover as maiores barreiras para aproveitar EverQuest: tempo e tédio. Um exemplo é a Plane of Fear, uma zona de raide do endgame que originalmente exigia mais de 70 pessoas trabalhando juntas. Agora é possível enfrentá-la sozinho. Youssefi explicou que querem evitar a sensação de que existe uma “corda de veludo” separando jogadores casuais dos hardcore. “É muito importante para nós que jogadores casuais sempre sintam que podem jogar do jeito que quiserem e, com o tempo, aproveitar tudo o que o jogo oferece”, disse.

Apesar das mudanças, Legends mantém a fidelidade ao visual de 1999, o que pode dificultar a atração de novos jogadores em 2026. Mas o jogo não parece tentar conquistar o público mais amplo possível; em vez disso, parece que os maiores fãs de EverQuest mudaram apenas o suficiente para que outras pessoas também possam amá-lo — especialmente aqueles que queriam jogar no passado, mas não tinham 12 horas seguidas para se dedicar. Dessa forma, Legends preserva a sensação do EverQuest clássico mesmo quando não preserva diretamente o jogo em si. O projeto é fascinante, mas resta saber qual será o tamanho de seu público e se ele será suficiente para sustentá-lo.

EverQuest Legends será lançado em 28 de julho, com pré-vendas já abertas. A versão base inclui uma assinatura de um mês e custa US$ 19,99 — uma homenagem ao ano de lançamento do jogo original.

Leia mais aqui em inglês: https://www.theverge.com/games/965112/everquest-legends-project-1999-fan-developers.

Fonte: The Verge.

Gaming | The Verge.

2026-07-14 13:00:00

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