Associação do varejo critica decisão da Sony de eliminar mídia física nos jogos de PlayStation; petição ultrapassa 300 mil assinaturas

A decisão da Sony de interromper a produção de jogos em disco para PlayStation a partir de janeiro de 2028 gerou forte reação de consumidores e entidades do setor. A medida, que afetará todos os novos lançamentos para PS5 e, quase certamente, o PS6, foi classificada como “um triunfo da conveniência corporativa sobre a escolha do consumidor” pela Associação de Entretenimento Digital e Varejo do Reino Unido (ERA). A entidade, que reúne gigantes como Amazon, GAME e HMV, divulgou um comunicado no qual sua CEO, Kim Bayley, alerta para o impacto negativo da exclusividade digital.

Bayley destacou que, segundo dados da própria ERA, 25% dos jovens com menos de 25 anos ainda utilizam discos para jogar, e que o mercado de jogos físicos movimentou mais de 300 milhões de libras em 2025. “Milhões de jogadores ainda escolhem comprar cópias físicas todos os anos porque valorizam a verdadeira propriedade. Um disco pode ser compartilhado com a família, trocado, colecionado, preservado e, crucialmente, ainda jogado anos depois. Uma licença de download muitas vezes não oferece nenhuma dessas liberdades”, afirmou a executiva.

A pressão pública contra a decisão da Sony continua crescendo. Uma petição online que pede a reversão da medida já ultrapassou 300 mil assinaturas, e usuários do PlayStation têm compartilhado capturas de tela de cancelamentos de assinaturas do PlayStation Plus nas redes sociais. A ERA se junta a esse coro de críticas, mas analistas consultados pelo IGN consideram improvável que a Sony recue.

O Dr. Serkan Toto, CEO da consultoria Kantan Games, especializada no mercado japonês de games, afirmou que a empresa já esperava a reação negativa e está disposta a enfrentá-la. “Eu simpatizo com os fãs de mídia física, mas a Sony não vai reverter essa decisão. Eles sabiam qual seria a reação online e agora esperam a tempestade passar”, disse Toto ao IGN. Ele calcula que, mesmo que 500 mil pessoas cancelem o PlayStation Plus em protesto, isso representaria apenas 1% dos assinantes – um número insuficiente para fazer a Sony repensar sua estratégia.

A motivação financeira por trás da mudança é clara. Com a eliminação dos discos, a Sony aumenta significativamente sua margem de lucro em cada venda. Em um jogo próprio como The Last of Us, a empresa fica com cerca de 65% do valor de uma cópia física, enquanto 30% vão para o varejista e 5% para custos de fabricação. Já em títulos de terceiros, como Call of Duty, a Sony recebe uma taxa de licenciamento de aproximadamente 15%. No formato digital, porém, a fatia é muito maior: 100% da receita em jogos próprios vendidos na PlayStation Store e 30% em jogos de terceiros – cerca de 21 dólares em um título de 70 dólares.

A Sony justifica a decisão com base em mudanças no comportamento do consumidor. Sid Shuman, diretor sênior de comunicações de conteúdo da Sony Interactive Entertainment, afirmou em um post no PlayStation Blog que a medida é “uma resposta às tendências de preferência do consumidor” e que “a preferência geral por mídia digital supera significativamente os discos físicos”. Dados da consultoria Ampere corroboram essa visão: em 2013, no lançamento do PS4, apenas 13% das vendas de jogos completos eram digitais; em 2025, esse número saltou para quase 80%.

Apesar dos argumentos da Sony, a ERA insiste que a eliminação dos discos é prejudicial para o setor. “A indústria deveria abraçar todas as formas legítimas que os consumidores têm de comprar jogos, não restringir suas escolhas. A distribuição digital transformou os games e é imensamente popular, mas deve complementar os formatos físicos, não substituí-los”, afirmou Kim Bayley. A associação também alerta para os riscos à preservação dos jogos, já que licenças de download podem expirar ou ser revogadas, enquanto discos podem ser jogados por décadas.

Para analistas como Robin Zhu, da Bernstein, a oportunidade de reverter a decisão já passou. “Se os jogadores e preservacionistas tivessem comprado mais jogos físicos, a Sony não teria visto as taxas de vendas digitais que justificam essa decisão”, disse ao Financial Times. Ele acrescenta que as margens incrementais das vendas digitais são de praticamente 100%, enquanto os custos com embalagem, frete e margens do varejo podem superar 20% do preço de etiqueta.

Enquanto isso, autoridades governamentais parecem ter pouco poder para intervir. No fim de semana, a União Europeia declarou que não pode impedir a Sony – ou qualquer outra empresa – de eliminar os discos. A decisão, portanto, segue em frente, e os jogadores que ainda preferem a mídia física terão até janeiro de 2028 para se adaptar a um futuro cada vez mais digital.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/a-triumph-of-corporate-convenience-over-consumer-choice-backlash-to-playstation-killing-discs-intensifies-as-retailer-association-slams-sony.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-07-13 13:37:00

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