Há quase 11 anos, quando seu filho nasceu, John Higgins, jornalista do The Verge, imaginou que um dia compartilharia com ele sua paixão por videogames. O menino, ainda pequeno, sentava ao lado do pai enquanto ele jogava Sea of Thieves com amigos, usando um headset grande demais para sua cabeça e dando instruções sobre para onde ir. Hoje, a cena se inverteu: é o filho quem enfrenta Calamity Ganon em Breath of the Wild, enquanto o pai observa. Mas a grande surpresa veio de onde Higgins não esperava: a conexão que sua esposa construiu com o garoto por meio de um jogo recém-lançado, Blue Prince, disponível para Nintendo Switch 2.
A esposa de Higgins nunca foi tão fã de Minecraft, o jogo preferido do filho por anos, mas fazia questão de entrar nos mundos dele de vez em quando. Quando uma amiga sugeriu Blue Prince para os dois, ela não hesitou em comprá-lo. Desde então, mãe e filho têm se dedicado ao jogo em todas as oportunidades que têm juntos — e já ultrapassaram a própria amiga que recomendou a aventura.
Blue Prince é um roguelike de resolução de quebra-cabeças ambientado em uma mansão de 45 cômodos. A cada novo dia, os quartos se reorganizam, e o objetivo é chegar ao misterioso quarto de número 46 para garantir uma herança. O jogo exige raciocínio detalhado e a capacidade de conectar uma história maior, o que torna a parceria entre mãe e filho especialmente eficaz.
O menino, que está prestes a completar 11 anos, possui uma inteligência espacial impressionante. Ele se lembra de direções com exatidão, corrige a mãe quando ela segue o caminho errado e resolve rapidamente puzzles que exigem alinhar peças ou acionar interruptores em uma ordem específica. Muitas vezes, a mãe entrega o controle a ele para que resolva o enigma, já que é mais rápido do que tentar explicar como fazer.
A esposa de Higgins, por sua vez, é especialista em enxergar o quadro geral e conectar os temas da narrativa. Puzzles baseados em palavras, especialmente os que envolvem simbolismo, são fáceis para ela, enquanto frustram o filho — seja por causa da idade ou porque ele pensa de forma mais literal do que metafórica. Blue Prince, nesse sentido, proporciona momentos de aprendizado: a mãe expande a forma de pensar do garoto ao explicar o raciocínio por trás de cada quebra-cabeça lógico.
O que mais emociona Higgins, porém, é o entusiasmo que o jogo despertou no filho. O menino passa o dia pensando em como as coisas podem se conectar na história. Apesar de ter dificuldades com leitura e escrita, ele criou um caderno próprio para categorizar as descobertas e está escrevendo tudo — algo que antes era um grande desafio. Para o pai, ver o filho superar o medo e a resistência de colocar ideias no papel é motivo de orgulho e emoção.
Higgins reconhece que o filho passa mais tempo em frente a telas do que deveria — algo que a família está tentando equilibrar. Mas a interação entre mãe e filho proporcionada por Blue Prince, e a forma como a empolgação do garoto o ajudou a ultrapassar limites normais, tornam o tempo extra na tela um preço que vale a pena pagar. Para ele, jogos como Blue Prince não são apenas uma distração, mas uma maneira de expandir como o cérebro processa informações e resolve problemas — habilidades que o menino pode levar para a vida cotidiana.
Leia mais aqui em inglês: https://www.theverge.com/games/964262/blue-prince-family-bonding.
Fonte: The Verge.
Gaming | The Verge.
2026-07-12 13:00:00








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