A id Software, desenvolvedora da série Doom, lançou nesta semana Revelations, uma expansão robusta para Doom: The Dark Ages que adiciona uma nova arma poderosa e novos níveis demoníacos. O que deveria ser um momento de celebração para o estúdio, porém, foi ofuscado por uma série de demissões em massa promovidas pela Xbox como parte de uma reestruturação estratégica.
De acordo com relatos, a id Software perdeu cerca de metade de sua equipe. O site GamesBeat informa que pelo menos 92 dos 185 funcionários presenciais do estúdio foram demitidos, o que representa aproximadamente 50% da força de trabalho. O Game Developer obteve um aviso WARN do Texas indicando que 96 funcionários foram cortados do escritório de Richardson, Texas, e outros 40 trabalhadores remotos vinculados à mesma unidade também foram dispensados. Fontes ouvidas pelo Kotaku acreditam que a equipe responsável pelo motor gráfico proprietário id Tech tenha ficado com apenas um integrante.

Independentemente de como se contabilizem os números, o que se vê é que a id Software de hoje é uma sombra do que era no início da semana. E é justamente nesse contexto que Revelations chega para mostrar exatamente o que tornava o estúdio especial.
The Dark Ages havia expandido a fórmula de Doom, especialmente com um novo escudo que também funcionava como uma serra circular arremessável, mas no processo adicionou algumas mecânicas desnecessárias. Revelations, por sua vez, foca mais no núcleo da experiência Doom: enfrentar ondas atrás de ondas de inimigos, reduzindo significativamente os elementos supérfluos.

A expansão também eleva o nível ao dar ao Slayer uma nova lança. É possível usá-la como uma espada para acertar inimigos próximos, arremessá-la como um gancho para se impulsionar para frente ou, com upgrades, perfurar demônios ou lançá-la como um dardo. Com o escudo, a abordagem era mais de curta distância, combinando spray and pray com parry. Já com a lança, o jogador tende a ficar mais distante, esquivando-se dos inimigos e desferindo golpes punitivos no momento certo. O jogo se torna mais uma dança do que um exercício de força bruta.
Quem curte os Doom modernos provavelmente apreciará o restante de Revelations. Inimigos familiares estão de volta, como o aracnídeo Arachnotron, o voador Revenant e o pesado Mancubus. As batalhas ocorrem em grandes arenas, e durante os combates a sensação é de estar sempre prestes a ficar sem munição, armadura ou vida, até que um abate emocionante concede os recursos necessários para sobreviver. Tudo isso é embalado por uma trilha sonora de metal pulsante que torna a ação ainda mais empolgante.

Se a descrição acima soa como algo que poderia ter sido dito sobre Doom 2016 ou Doom Eternal, é porque a id Software sabe o que um jogo Doom é e o que ele deve ser. Revelations é um dos melhores exemplos do que o Doom moderno pode alcançar. Apesar de ter sido pioneira no gênero FPS, a franquia Doom se mantém distinta de seus contemporâneos ao focar em uma ação brutal e implacável. Essa essência foi explorada e refinada pelo estúdio ao longo de décadas; o Doom original foi lançado em 1993, e suas sequências sempre atualizaram ou expandiram o conceito de alguma forma. Isso sem contar outros jogos que definiram gêneros, como Quake, Wolfenstein 3D e Rage.
O futuro da id Software é incerto. O GamesBeat afirma que o estúdio vinha testando ideias como uma versão multiplayer ou cooperativa de Doom, um jogo no estilo John Wick e até mesmo um novo Perfect Dark. Mas, assim como outros estúdios da Xbox que foram reduzidos, se a id Software for fazer outro Doom, terá que perseguir um objetivo difícil em um estado deteriorado.
Leia mais aqui em inglês: https://www.theverge.com/games/963515/doom-the-dark-ages-revelations-review.
Fonte: The Verge.
Gaming | The Verge.
2026-07-10 12:00:00








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