Por que RPGs não precisam ter mais de 40 horas

Em meio ao calor do feriado prolongado, a equipe do Polygon resolveu soltar uma opinião que pode soar como heresia para os fãs mais ardorosos do gênero: nenhum RPG precisa ser mais longo do que 40 horas. A provocação faz parte da série ‘Spicy Takes Cookout’ do site, que reúne opiniões polêmicas sobre games, e vem acompanhada de uma defesa baseada em economia narrativa, desgaste de sistemas de jogo e na simples constatação de que 40 horas já é um tempo enorme.

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Fonte da imagem: Polygon

Antes de cravar a tese, o editor Giovanni Colantonio reconhece o apelo de um RPG longo. Em uma era em que os jogos chegam a custar 80 dólares, muitos jogadores só podem comprar dois ou três títulos por ano. A ideia de um game que dure meses para ser zerado é tentadora para quem quer o máximo de horas por real investido. O próprio Colantonio admite ter colocado cerca de 90 horas em Persona 5 e sentido que quase nenhum momento foi desperdiçado. Mas ele ressalva que 40 horas não é uma receita única para todos os jogos – e desafia qualquer um a encontrar um título que não melhoraria com uma boa edição.

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Image: Ryu Ga Gotoku Studio/SegaFonte da imagem: Polygon

O primeiro pilar do argumento contra RPGs absurdamente longos é a economia da narrativa. Colantonio defende que uma escrita concisa, que preze pelo ‘menos é mais’, é difícil de sustentar quando se precisa preencher no mínimo 60 horas. Ele cita Bravely Default como exemplo: o jogo começa com um ritmo forte, mas depois se arrasta em diálogos intermináveis que pouco avançam a história ou desenvolvem personagens. O pior, segundo ele, é o infame ato final, que força o jogador a repetir uma parte da aventura várias vezes com pouca recompensa. Na mesma linha, ele aponta Final Fantasy 7 Rebirth e Like a Dragon: Infinite Wealth como culpados – ambos, na opinião do editor, são menos memoráveis que seus antecessores, apesar de entregarem histórias gigantescas.

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Image: DokiDoki Groove Works/Square Enix via PolygonFonte da imagem: Polygon

O segundo problema está nos sistemas de gameplay. Colantonio usa a série Octopath Traveler, da Square Enix, como exemplo: o sistema de classes é profundo e permite muita experimentação em combate, mas a graça se perde depois de 400 batalhas aleatórias repetindo os mesmos movimentos otimizados contra inimigos já vistos centenas de vezes. Em alguns RPGs, a diversão está em montar o grupo perfeito como um quebra-cabeça – mas se o jogador encontra a sinergia ideal cedo demais, passa as próximas 40 horas apenas cumprindo tabela, sem novidades.

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Image: Square EnixFonte da imagem: Polygon

O editor reconhece que muitos fãs argumentam que a duração é justamente o ponto: 80 horas dão espaço para desenvolver builds ao longo do tempo e fazer min-maxing hiperespecífico. Ele cita Elden Ring como um jogo que dificilmente funcionaria tão bem sem sua enormidade. Mas contra-argumenta: 40 horas ainda é um tempo muito longo. É quase o que se leva para assistir Stranger Things do começo ao fim – e maratonar aquela série já parece uma eternidade.

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Fonte da imagem: Polygon

Nos últimos anos, alguns dos RPGs favoritos de Colantonio encontraram sucesso ao enxugar a experiência, em vez de esticá-la sem motivo. Ele destaca Dragon Quest 7 Reimagined, lançado neste ano, que simplifica um dos jogos mais longos do gênero sem perder quase nada. O ritmo ágil e as batalhas rápidas mantêm a história em movimento, criando um RPG adorável que pode ser zerado em 40 horas ou menos. Outro exemplo é Granblue Fantasy Relink, que condensa todo o espetáculo de Final Fantasy 16 em 15 horas enxutas, sem desperdiçar um segundo – tão conciso que o editor mal pode esperar pela expansão Endless Ragnarok, em vez de temê-la. Avowed, por sua vez, manteve a atenção de Colantonio durante toda a campanha, incentivando-o a fazer a maioria das missões secundárias e ainda assim libertando-o em cerca de 40 horas. ‘Esse é o sonho’, resume.

O editor conclui que não está dizendo que um RPG não pode ser mais longo. Apenas não quer sentir que está perdendo tempo com um jogo que só fica bom depois de 40 horas, ou que se transforma em trabalho chato nesse ponto. Ele cita Isaac Brock, vocalista do Modest Mouse, que disse em um álbum ao vivo: ‘A vida é curta demais para tocar ou ouvir Freebird’ – um sentimento que, segundo Colantonio, também se aplica a Xenoblade.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/rpg-game-length-spicy-take/.

Fonte: Polygon.

2026-07-05 18:30:00

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