Não é raro encontrar, hoje em dia, lojas virtuais repletas de jogos de aventura em 3D. Mas houve um tempo em que esse gênero era bem menos familiar. Os desenvolvedores precisavam encontrar maneiras convincentes de guiar os jogadores por ambientes intimidadores enquanto ensinavam uma nova forma de jogar. A inovação era abundante, e quase tudo era novo — inclusive uma fada prestativa chamada Navi, que guiou os jogadores pela maravilha que foi The Legend of Zelda: Ocarina of Time. A Nintendo anunciou um remake do clássico do N64 no mês passado, e os desenvolvedores dessa recriação não deveriam mexer na perfeição.

É bem claro que nem todo mundo ama Navi, especialmente hoje. Quando as pessoas mencionam a fada, frequentemente falam dos aspectos mais irritantes de sua existência. Não estamos aqui para descartar essas críticas inteiramente. Apenas achamos que algumas objeções recebem mais ênfase do que deveriam, especialmente quando se consideram os dons que a personagem trouxe ao jogo.
No início de Ocarina of Time, a câmera seguia a pequena fada enquanto ela voava até uma cabana na Floresta Kokiri, onde um Link adormecido não fazia ideia de como sua vida estava prestes a mudar. Esse é o mesmo momento que a Nintendo destacou em seu trailer recente do remake, embora Navi não tenha aparecido. Desde o momento em que Link acordou naquela manhã fatídica, ele teve uma aliada confiável que dividiria os jogadores. Ela primeiro o guiou até a Grande Árvore Deku, o que o colocou em sua missão de salvar Hyrule do maléfico Ganondorf. Ao longo do caminho, Navi ofereceu encorajamento, ajudou-o a mirar inimigos em combate e explicou a variedade de lore que ele encontrava no mundo. Ela permaneceu ao seu lado do início ao fim do jogo, ajudando sempre que as coisas ficavam sombrias ou confusas. Ainda assim, alguns jogadores não gostam dela.

É verdade que Navi podia ser irritante. No jogo original, às vezes ela aparecia para gritar a mesma frase cansativa justamente quando os jogadores tentavam realizar algo difícil, convocada por um pressionamento acidental de botão. Ou ela se aproximava de um objeto distante, interrompendo Link enquanto ele se preparava para lidar com esqueletos (ou pior). E não havia muita variedade no que ela dizia. Mas tais falhas são perdoáveis.

Cada vez que Link mirava um inimigo, travando nele para poder se mover lateralmente, Navi tornava isso possível. O combate, portanto, era razoavelmente elegante, especialmente considerando a época. As câmeras 3D nos jogos ainda tinham muito desenvolvimento pela frente. Sem um sistema de mira, os jogadores poderiam facilmente se perder entre os arbustos enquanto inimigos perigosos os atacavam. Tente jogar sem ele e veja por si mesmo. A mecânica permitia que Link e seus inimigos circulassem um ao outro, se movessem lateralmente, pulassem para fora do caminho de ataques e procurassem brechas, em vez de admirar texturas de parede borradas ao redor. Quaisquer que fossem suas falhas, Navi melhorou a câmera do jogo.
Às vezes, durante a exploração, Link avistava um objeto distante de interesse potencial. Ao focar nele e pressionar o botão apropriado, ele podia enviar Navi para investigar e dar um relatório. Essa mecânica frequentemente ajudava a destacar características notáveis da área ao redor que, de outra forma, poderiam passar despercebidas, incluindo saliências mais altas ou mais baixas que davam às masmorras sua sensação de verticalidade. Esse elemento de design cuidadoso, implementado ao longo de uma grande aventura, fez Hyrule parecer mais vibrante e interativa.

Um garoto Kokiri e sua aliada fada formavam uma ótima dupla. A conexão deles estava no coração do jogo. Quando Link acordou após uma viagem no tempo, quem estava esperando por ele sete anos depois? Navi. Quando Link lutou contra Ganon perto do fim de sua jornada, quem o monstro separou do herói? Navi. E, na conclusão do jogo, quando Navi voou para longe por uma janela aberta, parecia que algo importante havia sido perdido. O vínculo que havia carregado herói e fada através do jogo foi rompido. A jornada deles juntos havia terminado não apenas porque Ganondorf fora derrotado, mas porque Link não precisava mais de Navi para guiá-lo. Ele havia superado a necessidade dela.

Mas será que ele realmente superou? Majora’s Mask, a sequência surpresa, encontrou Link vagando por uma terra desconhecida em busca de um amigo querido e inestimável. A missão rapidamente se voltou para assuntos mais pesados, como a lua ameaçadora que estava prestes a colidir com o planeta. Muitos jogadores, compreensivelmente, esquecem a trama do amigo desaparecido e se concentram nos três dias que tinham para evitar uma colisão cataclísmica. Mesmo quando o jogo terminava, o reencontro esperado nunca acontecia. Link simplesmente partia para renovar sua busca. Então, quem era aquele amigo que ele procurava tão desesperadamente? Há todas as razões para acreditar que era Navi. Quem mais Link havia se aproximado tanto durante sua aventura anterior?
Navi não era perfeita. Em um nível, ela era simplesmente um mini-tutorial que os jogadores podiam convocar com o apertar de um botão. Mas os desenvolvedores da Nintendo a transformaram em algo muito melhor. Deram a ela asas minúsculas, uma voz digital e lealdade inabalável que ajudou Zelda a fazer a transição para a terceira dimensão com sucesso exemplar. Ela merece mais do que desdém; ela merece nossa gratidão.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/zelda-ocarina-of-time-navi-underrated/.
Fonte: Polygon.
2026-07-05 16:00:00








Deixe um comentário