Há 30 anos, em 3 de julho de 1996, estreava nos cinemas americanos Independence Day, uma invasão alienígena que se tornaria um dos maiores sucessos da década. O filme, com efeitos visuais deslumbrantes, cenas memoráveis e um dos discursos presidenciais mais icônicos do cinema, não apenas arrecadou bilheterias astronômicas, mas também fez algo que os blockbusters de hoje raramente conseguem: transformou Will Smith em um dos maiores astros do planeta, justamente quando Hollywood começava a apostar cada vez mais em franquias do que em rostos.

Na época, o nome mais importante de um pôster de cinema não era o título, mas o ator — Harrison Ford, Arnold Schwarzenegger, Julia Roberts, Tom Cruise, Bruce Willis. O público comprava ingressos para passar duas horas com artistas que já amava. Hoje, o marketing de blockbusters funciona ao contrário: a franquia vem primeiro, e os atores são secundários. Independence Day provou que um blockbuster original ainda podia criar uma estrela, mesmo enquanto a indústria começava a se mover em outra direção.
Smith já era conhecido por The Fresh Prince of Bel-Air e tinha co-estrelado Bad Boys, mas Independence Day o catapultou para um patamar em que o público o seguiria em qualquer coisa — inclusive em Men in Black, no ano seguinte. Seu carisma definiu o filme, mas também brilharam Jeff Goldblum como o neurótico e brilhante David Levinson e Bill Pullman como o inesperadamente icônico presidente Thomas J. Whitmore. Os espectadores saíam das salas citando falas como Welcome to Earth! e vibravam com Smith e o discurso de Pullman muito depois dos créditos finais. O filme não foi lembrado apenas por explodir a Casa Branca: ele criou estrelas de cinema.

Essa costumava ser uma das maiores forças de Hollywood. Blockbusters originais não apenas geravam dinheiro: transformavam atores relativamente desconhecidos em nomes de primeira linha. Bruce Willis era astro de TV antes de Duro de Matar. Keanu Reeves já tinha carreira antes de Velocidade Máxima. Ambos emergiram desses filmes como os tipos de protagonistas que o público seguiria de um filme a outro. Mas, com o tempo, os maiores blockbusters de Hollywood pararam de funcionar assim.
Hoje, o público compra ingressos para Marvel, Jurassic Park, Avatar ou Star Wars. Chris Hemsworth se tornou estrela porque interpretou Thor. O mesmo vale para Tom Holland como Homem-Aranha ou Daisy Ridley como Rey em Star Wars. Todos construíram carreiras além desses papéis, mas, diferentemente de Will Smith após Independence Day, suas trajetórias permanecem fortemente ligadas aos universos que os apresentaram. Isso não é necessariamente ruim: franquias criam eventos culturais compartilhados e dão a atores talentosos plataformas enormes. Mas também mudam a relação entre público e intérprete. Nos anos 1990, um sucesso arrebatador deixava os espectadores ansiosos para ver o próximo passo do ator. Hoje, o público muitas vezes está mais investido no próximo capítulo da franquia do que no próximo capítulo da carreira do ator. A franquia Jurassic Park já teve Sam Neill, Jeff Goldblum, Laura Dern, Chris Pratt, Bryce Dallas Howard e agora Scarlett Johansson — a constante nunca foram as estrelas, mas os dinossauros.

Claro que astros de cinema não desapareceram. Tom Cruise ainda abre um blockbuster com a força de seu nome, enquanto Leonardo DiCaprio, Denzel Washington, Sandra Bullock e alguns outros continuam sendo exemplos raros de atores cuja reputação vende um filme. A diferença é que Hollywood não produz mais estrelas do mesmo jeito. Há 30 anos, Independence Day lançou Will Smith a uma estratosfera completamente diferente. Isso quase nunca mais acontece.
É isso que torna revisitar Independence Day em seu 30º aniversário tão fascinante. O filme não foi responsável pela virada de Hollywood em direção ao cinema de franquias, mas chegou no exato momento em que a indústria começava a mudar. Ele provou que um blockbuster original podia dominar o verão, apresentou uma das estrelas definidoras de sua geração e, em seguida, viu Hollywood passar as três décadas seguintes investindo mais em marcas reconhecíveis do que em rostos reconhecíveis. Em retrospecto, Independence Day parece menos o início da era das franquias do que a ponte entre duas versões diferentes de Hollywood: uma que ainda acreditava que um blockbuster poderia criar sua próxima grande estrela, e outra que passou a confiar cada vez mais que o público apareceria pelo logotipo antes de aparecer pela pessoa que está embaixo dele.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/independence-day-30th-anniversary-changed-hollywood-forever/.
Fonte: Polygon.
2026-07-03 13:00:00








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