O estúdio WIT, conhecido por adaptar gigantes como Attack on Titan, Vinland Saga e o vindouro remake de One Piece, anunciou um projeto que foge à regra das adaptações que dominam a indústria. Trata-se de LONA (sigla para Laboratory of Optics and Neural Analysis), um anime original com previsão de estreia para a primavera de 2027. A trama acompanha uma equipe de pesquisadores que investiga os pensamentos dos mortos após uma série de ataques cometidos por pessoas que não deveriam estar vivas.
A premissa se destaca em meio à enxurrada de aventuras fantásticas (como Frieren: Beyond Journey’s End e Sentenced to be a Hero) e thrillers cyberpunk (Ghost in the Shell e Psycho Pass) que dominam o cenário atual. Em vez de perguntar o que acontece quando máquinas se tornam humanas, LONA parece mais interessada na consciência em si. Se memórias podem sobreviver à morte, o que isso significa para a ciência e para a ética de estudar esse fenômeno? O que isso revela sobre o conceito de alma?

Essas questões permitem que LONA explore temas filosóficos densos através das lentes da neurociência, algo raro no anime. Embora foque em ciência dura, a atmosfera é filosófica e até metafísica — uma colisão entre Neon Genesis Evangelion e O Problema dos Três Corpos, sem alienígenas ou robôs gigantes. Enquanto a ficção científica no anime sempre se interessou por inteligência artificial e futuros distópicos, histórias centradas nos mistérios do cérebro continuam surpreendentemente incomuns.
Visualmente, o projeto entrega o que se espera da WIT. O primeiro material divulgado em 28 de junho mostra iluminação cinematográfica, ambientes ricos em detalhes, atuação sutil dos personagens, psicologia de cores madura e a animação meticulosa que se tornou marca registrada do estúdio. Cada tomada comunica escala sem ser ostentosa, usando atmosfera com tanta eficácia quanto espetáculo. O trailer soa como um lembrete de por que a WIT ainda é uma das principais contadoras de histórias visuais do anime. Até os pôsteres impressionam, com mistura única de cores, ângulos ousados, personagens intrigantes e um cenário que lembra o CERN.

A reputação da WIT foi construída ao longo da última década com séries como Attack on Titan, Vinland Saga, Ranking of Kings e a coanimação de Spy x Family com a CloverWorks (Bocchi the Rock!, My Dress-Up Darling). Esses projetos a estabeleceram como um dos nomes mais confiáveis para adaptações ambiciosas, mas são apenas parte de sua identidade. O estúdio também investe em projetos originais, continuando a buscar novas ideias mesmo enquanto a indústria se apoia cada vez mais em propriedades intelectuais reconhecíveis. Isso faz de LONA menos uma exceção e mais uma declaração de princípios.
Enquanto muitos estúdios priorizam adaptações com público cativo, a WIT segue abrindo espaço para histórias que precisam conquistar sua audiência do zero, como Bubble, Kabaneri of the Iron Fortress, Great Pretender e Vivy: Fluorite Eye’s Song — esta última com participação do diretor de LONA, Takashi Katagiri. Produzir uma propriedade original é sempre um risco, mas também é um dos motivos pelos quais a WIT permanece criativamente interessante.

A equipe criativa de LONA reforça essa filosofia. O roteiro original fica a cargo de Akiko Nogi, cuja carreira é marcada mais por dramas live-action aclamados do que por anime, como The Diamond Sleeping Sea (2024) e Fence (2023). Seu roteiro para Inu-Oh provou que ela consegue traduzir essa sensibilidade para a animação sem perder a precisão emocional de seu trabalho em live-action. LONA parece pronta para ir além, combinando instintos dramáticos realistas com uma premissa ambiciosa de ficção científica.
Katagiri, mais conhecido por Spy x Family Code: White, será o diretor da série. Ainda no início de sua carreira, seu filme de Spy x Family demonstrou domínio confiante da animação cinematográfica. Uma série original como LONA lhe dá a oportunidade de definir uma linguagem visual do zero, em vez de herdar uma de uma franquia existente.
LONA não é apenas mais uma série bonita de um dos estúdios mais respeitados do anime, mas um lembrete de que alguns dos maiores voos criativos do meio ainda vêm de histórias que ninguém ouviu falar antes. Ninguém sabe para onde essa história pode ir. Não há um mangá best-seller para os leitores estudarem, nenhuma mitologia pré-existente para recriar fielmente e nenhum discurso online já estragando cada grande reviravolta. Num momento em que o anime é cada vez mais construído em torno de nomes familiares e sucessos comprovados, a WIT está apostando em um mistério de neurociência totalmente original com produção de alto nível. Se suas ideias forem tão convincentes quanto seus visuais, LONA não será apenas um dos animes mais empolgantes da primavera de 2027, mas a prova de que ainda há espaço para os maiores estúdios da indústria nos surpreenderem.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/attack-on-titan-wit-studio-new-anime-lona-trailer-announcement/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-06-30 17:28:00








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