Três anos depois, Warhammer 40K: Rogue Trader finalmente se redime e se torna um dos grandes RPGs da Owlcat

A Owlcat Games, estúdio conhecido por RPGs ambiciosos como Pathfinder: Kingmaker e Pathfinder: Wrath of the Righteous, tem uma característica marcante: nenhum de seus jogos teve um lançamento totalmente tranquilo. Com Warhammer 40K: Rogue Trader, lançado em dezembro de 2023, não foi diferente. Na época, o editor de fim de semana da PC Gamer, Jody Macgregor, deu ao jogo uma nota de 59% em sua análise, e o autor deste texto, Ted Litchfield, admite que odiou o jogo quando experimentou a versão beta no outono daquele ano. Mas, três anos depois, com o lançamento da expansão Infinite Museion, Litchfield decidiu dar uma segunda chance ao título — e descobriu que Rogue Trader se transformou em um dos melhores RPGs do estúdio, seguindo a trajetória de seus antecessores.

A primeira impressão negativa de Litchfield com a versão beta se devia, em grande parte, à complexidade do sistema de RPG, que é tão intrincado quanto o de Pathfinder, mas sem a familiaridade vinda de mecânicas baseadas em D&D. Para um novato no universo de Warhammer 40K, a estranheza do cenário se somava à dificuldade de entender as mecânicas. O autor chegou a se indignar com o fato de os pontos de vida serem chamados de ferimentos (wounds, no original). Você não é especial, pare de chamá-los assim!, brinca. No entanto, com o tempo, o jogo parece ter conquistado o direito de usar seus termos próprios.

Agora, com a expansão Infinite Museion, Litchfield mergulhou de cabeça no jogo, seguindo o exemplo de Jody Macgregor, que fez o mesmo no ano anterior. A experiência o levou a um dos principais indicadores de qualidade do gênero para ele: ficou tão obcecado com a construção de personagens que, insatisfeito com o primeiro personagem após 20 horas de jogo, criou um novo e zerou o primeiro ato em metade do tempo.

Rogue
Image credit: Owlcat)Fonte da imagem: Pcgamer

No primeiro personagem, Litchfield optou pela build considerada a mais poderosa do jogo, chamada Death World Pyromancer Psyker Blade Dancer Executioner. Essa build se baseia em habilidades que aumentam o poder do personagem conforme ele acumula debuffs de ferimentos, além de poderes que permitem gastar pontos de vida e matar inimigos para ganhar ações extras por turno. Apesar de ser poderosa e de permitir um visual de espadachim com duas lâminas, a build acabou se tornando repetitiva e sem graça com o tempo.

Foi então que Litchfield descobriu uma build muito mais divertida ao controlar o companheiro Abelard, que é praticamente idêntica à build chamada pelo especialista Revan de a mais divertida para novos jogadores. Trata-se da combinação Navy Officer Warrior Arch Militant. Nessa build, o personagem usa uma espada e uma arma de fogo ao mesmo tempo. Ao acertar um acerto crítico ou aparar um ataque inimigo com a espada, ele automaticamente faz um ataque gratuito com a arma. Com o tempo, os ataques com a arma aumentam o poder da espada, e vice-versa. O resultado é um personagem que se torna um tanque relâmpago no meio dos inimigos, eliminando adversários poderosos com uma combinação de golpes e aparando ataques com facilidade.

Litchfield descreve a sensação de usar essa build como incandescente, especialmente ao enfrentar o chefe final do primeiro ato. Sem entrar em muitos detalhes, ele conta que o jogador é emboscado por um Chaos Space Marine com o dobro de ferimentos do inimigo mais forte do ato. O mundo em que o personagem está teve seu sol extinto, e o vilão, além de atacar o grupo com uma metralhadora bolter, ainda explode, um a um, os últimos ônibus espaciais que poderiam tirar o grupo do planeta. Para derrotá-lo sem perder nenhum dos ônibus, Litchfield usou toda a equipe para focar no Space Marine, enquanto Abelard segurava os lacaios. Argenta, uma companheira com uma arma pesada, causou 200 ferimentos com três rajadas de bolter, duas delas em turnos próprios e uma em um turno extra concedido por Cassia. O golpe final veio do próprio Rogue Trader, que eliminou os últimos 100 ferimentos do chefe com uma carga crítica e um tiro de revólver na cara.

Combat
Image credit: Owlcat)Fonte da imagem: PcgamerThat obviously can’t stand, so I had my whole party turn and focus on beef boy, only sending my main man Abellard to tank the annoying support mooks. I knocked off the Space Marine’s first 200 hit points wounds with three bolter salvos from my freaky gun nun companion, Argenta⁠—two on her own, and the third with an extra turn courtesy of fish princess Cassia.

Essa vitória rendeu a Litchfield uma conquista rara, compartilhada por apenas 12,4% dos jogadores, por derrotar o chefe sem perder nenhum dos ônibus. Para ele, essa foi uma das melhores experiências em jogos nos últimos tempos.

Além do combate tático e da construção de personagens, Rogue Trader oferece um RPG completo, com companheiros, romance, habilidades, gerenciamento planetário e elementos de exploração e comércio. Mas, para Litchfield, o combate em turnos e a construção de personagens são a crosta perfeitamente queimada da pizza napolitana do jogo. Ele conclui que Rogue Trader se redimiu e espera que o próximo jogo da Owlcat, Dark Heresy, já chegue com essa mesma qualidade desde o lançamento.

Para quem quiser se aventurar no jogo, Litchfield recomenda o uso de guias, como os de cRPG Bro ou Revan619 no YouTube, especialmente para entender as opções de construção de personagem, que podem ser confusas no início. Ele mesmo está jogando no nível de dificuldade Daring (um acima do normal) e, após 30 horas, já se sente confiante para fazer ajustes por conta própria.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/rpg/one-day-owlcat-will-make-an-rpg-thats-perfect-out-of-the-box-but-3-years-after-launch-its-time-to-get-disgustingly-into-warhammer-40k-rogue-trader/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-02 20:26:00

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