O oitavo episódio da quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds, chamado Orders of Magnitude, volta ao formato clássico da série depois de semanas de episódios conceituais. A trama aposta em um dilema moral conhecido dos fãs de Trek: um comandante cada vez mais errático, cujas decisões questionáveis colocam a tripulação em uma saia justa.
Com o capitão Pike (Anson Mount) e sua equipe em missão planetária fora do alcance de comunicação, o lendário almirante Simon Reeger, interpretado por Joe Morton (o eterno Terminator 2), aparece em uma shuttlecraft e anuncia que assume o comando da Enterprise. Ele diz ter descoberto uma forma de rastrear uma nave inimiga camuflada, supostamente responsável pelo que ficou conhecido como Massacre de Vardan, que matou 5 milhões de civis. O método de rastreio? A assinatura de raios gama deixada pelos motores de impulso da nave. Como o tempo é curto, Reeger assume a Enterprise enquanto o rastro ainda está quente.
Não por acaso, o tenente-comandante James T. Kirk (Paul Wesley) está a bordo. O pai dele, George Kirk, foi primeiro oficial de Reeger durante a Guerra Klingon, quando o então capitão comandava a USS Constitution. Foi nesse conflito, na Batalha de Zeta Reticuli, que Reeger virou herói de guerra, enquanto a carreira do pai de Kirk teria travado. Como oficial de maior patente depois de Reeger, Kirk assume interinamente o posto de primeiro oficial na missão de emergência.

Morton convence como Reeger, um sujeito que impõe respeito assim que entra na sala. A tripulação da Enterprise o idolatra, e mesmo quando o plano para destruir a nave inimiga fica cada vez mais questionável, a maioria segue suas ordens. Aos poucos, o episódio planta a dúvida: Reeger sabe o que faz ou está um pouco rachado? A resposta vem quando descobrimos que a família dele estava entre os 5 milhões mortos no Massacre de Vardan.
O problema é se isso justifica destruir as 5 mil pessoas do planeta onde a nave misteriosa se esconde. Kirk não engole a ideia e entra em rota de colisão com Reeger, repetindo o que aconteceu com o próprio pai anos antes na Constitution. No fim, descobrimos que George Kirk foi quem realmente se destacou na batalha, mas foi Reeger quem levou a glória. A história seguiu seu curso, justa ou não.
Wesley já se firmou como Jim Kirk, e sua recusa em simplesmente apertar o gatilho soa coerente com o personagem. O roteiro, porém, pinta o resto da tripulação com cores pouco lisonjeiras: cegos pela devoção ao grande almirante, aceitam eliminar 5 mil possivelmente inocentes, inclusive Spock. A maior decepção fica para o que dá para chamar de cortina de fumaça da cordrazina. O doutor M’Benga (Babs Olusanmokun) afirma ter drogado o antigo capitão, mas depois descobrimos que foi Kirk quem aplicou a substância, levando Reeger à paranoia e à agressão para que a tripulação finalmente o destituísse. Resultado: nunca temos resposta direta se o ataque deveria ou não ter acontecido como planejado.

Enquanto isso, no que mais parece um set de Planeta Inferno, Pike e sua equipe vivem uma aventura decente com piratas orion, dando a Uhura (Celia Rose Gooding) a chance de mostrar seu lado de ação. Ela ainda ganha uma promoção e aprende uma lição valiosa quando a cadete vulcana A’Sha (Bianca Nugara) decide deixar a Frota Estelar. Como Pike diz a Uhura, dá para fazer tudo certo e mesmo assim as coisas não terminarem bem. Foi o que aconteceu com o pai de Kirk, e a trama de Reeger talvez tivesse uma resolução mais interessante se essa lição tivesse sido aplicada com mais clareza.
Entre os detalhes que ficam para os fãs: o Massacre de Vardan levanta a questão de quem seriam os vilões por trás de tal atrocidade e se saberemos mais sobre eles nesta temporada. A cordrazina, aliás, é a mesma droga que deixou o doutor McCoy alterado no clássico episódio The City on the Edge of Forever, da série original. A USS Constitution como nave capitânia da frota já era especulada em livros, quadrinhos e manuais técnicos, mas esta é a primeira confirmação em tela. Já os cruzadores klingons D7 citados como tendo enfrentado a Constitution na guerra são um erro de continuidade, já que essa classe só surgiu depois do conflito, como visto na segunda temporada de Star Trek: Discovery. Vale notar que Strange New Worlds mergulha nos detalhes da Guerra Klingon de um jeito que Discovery, que começou o conflito, abandonou cedo demais.
Visão Gamer: Para quem acompanha a franquia, o episódio entrega um dilema clássico de Trek, com um almirante carismático e questionável no centro da trama. A ausência de uma resposta definitiva sobre o ataque, porém, pode dividir quem esperava um desfecho mais claro para o conflito moral.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/star-trek-strange-new-worlds-season-4-episode-8-recap-and-review.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-09-10 20:25:00








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