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O conceito de early access no Steam é simples: você compra um jogo antes de ele estar pronto, manda feedback e relatórios de bugs para os desenvolvedores e ajuda a moldar o rumo do projeto. Todo mundo sai ganhando — você joga mais cedo e o estúdio arrecada dinheiro para continuar e finalizar o trabalho. Foi assim com jogos como Baldur’s Gate 3 e Palworld. Mas, segundo John Buckley, chefe de comunicação e publicação da Pocketpair, essa lógica está cada vez mais difícil de sustentar.
Em entrevista ao GamesRadar, Buckley afirmou que o early access perdeu o sentido. Ele lembra dos tempos do Steam Greenlight, quando a Valve migrou o sistema para o early access e, por alguns anos, tudo funcionou como o Steam imaginava. Todo mundo sabia no que estava se metendo. As pessoas que compravam jogos em early access sabiam o que esperar. Eram jogadores que queriam se envolver, dar feedback, conversar com os devs. Foi uma era de ouro realmente bonita, disse.
O problema, na visão dele, é que a cultura mudou. Buckley aponta o avanço da cultura mobile hyper-casual, da cultura de jogos hyper-casual e da cultura de live service como responsável por corroer esse entendimento e o acordo entre desenvolvedor e jogador. As pessoas simplesmente compram um jogo em early access como compram um jogo normal e tratam aquilo como se fosse o jogo final, declarou.
Buckley não acha que isso seja necessariamente ruim, mas reconhece que o cenário ficou mais complicado no Steam. Ele também admite que o early access não é ideal para todo jogo e que o sistema é abusado por alguns desenvolvedores. A maior forma de abuso hoje é tipo: ‘Vamos lançar agora porque precisamos de dinheiro’. É uma maneira de contornar os meios tradicionais de financiamento. Virou quase um novo Kickstarter. Coloca a build no ar para conseguir a grana, explicou.
Para evitar dores de cabeça, a recomendação de Buckley é clareza e transparência. Tudo o que podemos fazer é tentar educar as pessoas com jeitinho. Acho que fazemos um trabalho ok. Tentamos ser bem transparentes: ‘Galera, a próxima atualização vai demorar um pouco. Não vai ser pesada em conteúdo, vai focar em qualidade de vida’. Tentamos equilibrar, disse.
A Pocketpair tem seguido essa abordagem com Palworld. Buckley já avisou os fãs para não esperarem demais do patch 1.1, dizendo que o estúdio não planeja passar um ano fazendo uma atualização gigante.
Visão Gamer: Para quem compra jogos em early access, a fala de Buckley serve como um lembrete do que esse modelo realmente significa. A transparência dos desenvolvedores sobre o que esperar de cada atualização — como o caso do patch 1.1 de Palworld — pode ajudar a alinhar expectativas e evitar frustrações com builds em desenvolvimento.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/gaming-industry/game-development/palworld-publishing-chief-worries-early-access-has-lost-its-meaning-as-the-rise-of-hyper-casual-gaming-culture-means-people-often-dont-understand-what-theyre-getting-into/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-09-10 17:22:00








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