Star Trek: Strange New Worlds repete fórmula de episódios temáticos e entrega noir em preto e branco

A quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds segue apostando em episódios temáticos, e o quarto capítulo, intitulado “A Case of Chiaroscuro”, não foge à regra. Desta vez, a série mergulha no universo do cinema noir e de clássicos como Casablanca, apresentando um planeta em preto e branco e uma trama que mistura espionagem, resistência e dilemas morais. Apesar do visual caprichado, a crítica aponta que a fórmula já cansou e que o episódio peca no desenvolvimento emocional da protagonista.

A trama começa quando a recém-promovida Comandante Una Chin-Riley (Rebecca Romijn) lidera uma equipe de desembarque composta pelo Dr. M’Benga (Babs Olusanmokun) e pela Alferes Uhura (Celia Rose Gooding) para recuperar uma sonda que se desviou para o espaço Klingon. Ao chegar ao planeta Mat’aar XII, o grupo fica preso em um mundo que, devido a uma radiação infravermelha do sistema, aparece em preto e branco para os visitantes. Para se misturar aos locais, eles precisam se vestir como personagens de filmes de gângster, em uma referência direta à era de ouro de Hollywood.

A ideia, segundo a crítica, é até simpática — a série original também visitou um planeta de gângsteres — e os visuais são elogiados. No entanto, o episódio acaba soando como um trabalho de faculdade de Cinema 101, cumprindo todos os clichês do gênero: fotografia em preto e branco de alto contraste, personagens duplos, um bar central onde conspiradores e inimigos se encontram, e autoridades locais corruptas. A mistura entre o noir e o filme de guerra/romance, no entanto, não convence, criando uma colagem que não se integra naturalmente.

Uhura
When a newly promoted Commander Una Chin-Riley (Rebecca Romijn) leads an away team of Dr. M’Benga (Babs Olusanmokun) and Ensign Uhura (Celia Rose Gooding) to retrieve a probe that’s strayed into Klingon space, the group find themselves stuck on Mat’aar XII, where not only does everything appear to be black and white to our heroes (due to the infrared something something radiation of the system), but also you have to dress up like knock-off Humphrey Bogarts and Carmen Sandiegos in order to fit in. Fonte da imagem: IGN

O maior problema, aponta a análise, é que o conflito interno de Una não é explorado a fundo. Ela se vê dividida entre ajudar os resistentes locais que lutam contra a ocupação Klingon e seu juramento à Frota Estelar. Essa tensão ganha contornos pessoais porque, quando criança, a Federação era vista como ocupante por alguns de seus colegas illyrianos. Ainda assim, falta profundidade para que o público se conecte com o dilema da personagem.

Quem rouba a cena mais uma vez é o Dr. M’Benga, mesmo sem ter um enredo próprio. O médico, que também é um guerreiro habilidoso e um espião competente, atua como conselheiro de Una e Uhura. Ele orienta a jovem alferes a navegar por aquele mundo estranho e lembra Una de que sua responsabilidade com a resistência não pode se sobrepor ao seu dever com a Frota Estelar. Sua melhor fala resume o conflito: “Minha vocação é a medicina, curar pessoas. É o grande mistério da minha vida que algumas das minhas habilidades mais fortes se opõem a essa vocação.”

Enquanto isso, a trama secundária acompanha La’an (Christina Chong), que passa a temporada obcecada com a possibilidade de haver um traidor a bordo da Enterprise. Ela encontra pistas, mas ninguém leva suas teorias a sério, nem mesmo Spock (Ethan Peck), seu amigo com benefícios que, na prática, é seu namorado. A história, considerada de baixo impacto, termina com uma revelação: La’an não está louca, mas mente para o Capitão Pike (Anson Mount) para esconder a verdade. Pike parece desconfiar, mas decide confiar na oficial.

Christina
aptain Pike (Anson Mount) to cover up the truth. Pike seems to maybe know there’s more going on here, and trusts La’an to do the right thing, but still… Fonte da imagem: IGN

O episódio também traz referências para os fãs mais atentos. O principal Klingon da trama é Kor, que supostamente seria o mesmo personagem de The Original Series e Deep Space Nine, interpretado pelo saudoso John Colicos. A Casa de Kor também apareceu em Star Trek: Discovery, embora o próprio Kor não tenha sido mostrado. Além disso, a lançadeira usada por Una e sua equipe, chamada Cervantes, é uma nave do tipo Stamets, de acordo com o Memory Alpha. O nome pode ser uma homenagem ao Paul Stamets de Discovery, considerado desaparecido na linha do tempo, ou ao micologista real Paul Stamets, que inspirou o personagem.

Outro ponto levantado é a fala de Una no log de abertura, em que ela menciona o risco de “recomeçar uma Guerra Fria”. A crítica questiona se o termo correto não seria “recomeçar uma guerra quente”, já que, na época de Kirk, a Federação e os Klingons estão em um estado de Guerra Fria, presumivelmente desde o fim da guerra mostrada em Star Trek: Discovery.

A pergunta que fica é: com Una promovida a Comandante, quanto tempo até ela ganhar sua própria nave e deixar a Enterprise de vez? A série, até agora, não deu sinais de que isso acontecerá, mas a possibilidade permanece no ar.

No balanço geral, “A Case of Chiaroscuro” é mais um episódio que se apoia em um conceito visual interessante, mas que falha em entregar uma narrativa emocionalmente envolvente. Para os fãs que esperavam uma volta às aventuras semanais tradicionais, a frustração é ainda maior. Ainda assim, o capítulo tem seus méritos, especialmente nas atuações e nas referências nostálgicas, mas fica aquém do potencial da série.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/star-trek-strange-new-worlds-season-4-episode-4-recap-and-review.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-08-13 13:00:00

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