O mercado de games vive uma era de remakes, remasterizações e reimaginações. Estúdios de todo o mundo têm lançado versões novas e aprimoradas de clássicos, de modernizações fiéis como o remake de Resident Evil 4, da Capcom, à ambiciosa e expandida trilogia de Final Fantasy 7 Remake, da Square Enix. Mas nem todo jogo antigo precisa de uma repaginada para continuar brilhando décadas depois. Pensando nisso, selecionamos sete JRPGs que envelheceram como vinho: eles podem ter recebido ports para plataformas mais novas ou leves remasterizações, mas seguem com visual e jogabilidade praticamente idênticos aos originais.

A lista abre com Earthbound, um dos RPGs mais queridos e influentes de todos os tempos. Disponível no catálogo de Super Nintendo do Nintendo Switch Online, o jogo, lançado na América do Norte em 1995 como Mother 2, é uma aventura de salvar o mundo em uma versão distorcida da pequena cidade americana. Com designs de inimigos engenhosos — como pilhas de vômito, hippies irritantes e um quinteto de toupeiras disputando o terceiro lugar —, Earthbound é consistentemente estranho, maravilhoso e engraçado. A visão atemporal de Shigesato Itoi não precisa de nenhuma atualização para continuar sendo uma experiência fantástica em 2026.

Na sequência, Final Fantasy 9, lançado no fim da era PlayStation 1, marca uma virada inesperada da Square, que deixou de lado o estilo steampunk de Final Fantasy 7 e 8 para retornar à fantasia medieval clássica. Com um herói otimista e uma princesa espirituosa que deseja escapar das amarras da vida real, o jogo é uma reflexão sobre amor, vida e mortalidade, além de uma carta de amor ao gênero. Os rumores de um remake circulam há anos, mas o 25º aniversário, celebrado recentemente, passou sem anúncio. E, na opinião de muitos, FF9 nem precisa de remake: os visuais e a música, impressionantes em 2000, seguem lindos até hoje.

Chrono Trigger, outro clássico da Square Enix, é um épico de viagem no tempo que atravessa seis períodos históricos. O elenco memorável inclui um sapo guerreiro, uma mulher das cavernas e um robô gigante e gentil, em uma missão para mudar a história e impedir o fim do mundo por uma entidade alienígena maligna. O jogo é resultado da colaboração única do dream team: Hironobu Sakaguchi, criador de Final Fantasy; Yuji Horii, criador de Dragon Quest; e Akira Toriyama, criador de Dragon Ball. Desde o primeiro trailer de Octopath Traveler, em 2018, os fãs pedem um remake em HD-2D, mas Chrono Trigger já é praticamente perfeito. Ainda assim, o jogo não está disponível no Nintendo Switch, então, para quem não joga no PC, as opções legítimas são consoles retrô como SNES, PS1 e 3DS.

Lunar: Silver Star Story, um produto da era dos CDs, antes das cutscenes renderizadas se tornarem padrão, combinou a estética pixel art dos RPGs de SNES com cutscenes de anime e música original. A história, um pouco clichê para os padrões atuais, tem elementos para todos os fãs de JRPG: uma academia de magia flutuante, gatos mal-humorados e um romance entre uma sacerdotisa determinada e um mercenário de língua afiada. O jogo, lançado originalmente para Sega CD em 1993, recebeu várias remasterizações e ports ao longo dos anos, mas nenhuma eliminou o charme da estética original. Ele está amplamente disponível em um pacote com sua sequência, Lunar: Eternal Blue.

A lista também inclui The Legend of Zelda: A Link to the Past, de 1991, para Super Nintendo. Para quem conheceu a série com Breath of the Wild e Tears of the Kingdom, o jogo mostra como muitos elementos centrais da franquia já existiam desde o início, como a imponente Montanha da Morte, os Zoras acumuladores de equipamento de mergulho e as fadas voluptuosas. O jogo está disponível no Nintendo Switch Online, e a dica é usar a função de rebobinar para não refazer uma dungeon inteira ao morrer.

Suikoden 2, de 1998, é considerado o melhor da série. A história acompanha dois amigos de infância que se encontram em lados opostos de uma guerra que atravessa o continente. Durante a jornada, o jogador recruta 108 aliados e constrói um castelo para todos eles, enquanto tenta impedir um maníaco genocida de conquistar todas as cidades. A remasterização da Konami, lançada em 2025, reúne os dois primeiros jogos da série e preserva a estética e o ritmo dos originais de PS1, com melhorias de qualidade de vida, como gráficos em HD, widescreen e localização aprimorada.

Fechando a lista, Golden Sun, de 2001, para Game Boy Advance, trouxe quebra-cabeças desafiadores e opções profundas de personalização para o esquadrão de heróis. A história segue Isaac e Garet, dois amigos de infância que investigam a causa sobrenatural da tragédia que atingiu sua vila anos antes. No caminho, eles encontram monstros marinhos, árvores falantes que drogam uma vila inteira e um lugar que lembra a Atlântida. Tanto Golden Sun quanto sua sequência, The Lost Age, de 2002, estão disponíveis no catálogo de GBA do Nintendo Switch Online + Expansion Pack.

Esses sete jogos mostram que, às vezes, a melhor forma de preservar um clássico é deixá-lo como está. Eles continuam acessíveis em plataformas atuais, seja por assinatura, ports ou remasterizações leves, e provam que grandes histórias e mecânicas bem construídas nunca envelhecem.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/classic-jrpgs-no-remake/.
Fonte: Polygon.
2026-08-11 10:00:00








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