Roma Antiga pode ser o cenário ideal para um novo Assassins Creed

A franquia Assassin’s Creed pode estar precisando de um novo rumo. Para o escritor Tim Brinkhof, especialista em arte e história, o anúncio do remake de Black Flag, intitulado Resynced, é um sinal de que a série luta para recuperar a qualidade e relevância cultural dos primeiros títulos. Black Flag foi, segundo ele, o último grande sucesso da franquia, amado por quase todos e tratado como um evento genuíno. A Ubisoft poderia seguir os passos da Disney e dar ‘facelifts digitais’ em clássicos, mas eventualmente ficará sem jogos para refazer e terá que criar algo original que capture a magia da era Ezio. A pergunta é: qual seria esse jogo? Brinkhof defende que a resposta está na Roma Antiga, mais especificamente no ano 64 d.C., sob o reinado do imperador Nero.

A Netflix já anunciou uma série de TV de Assassin’s Creed ambientada nesse período, estrelada por Sandra Guldberg-Kamp (de Foundation) e Youssef Kerkour (de A Knight of the Seven Kingdoms). A trama se passa durante o Grande Incêndio de Roma, que destruiu mais da metade da cidade. Embora Brinkhof tenha pouca fé na série – um dos showrunners trabalhou em Westworld e o outro veio da adaptação de Halo – ele acredita que o cenário é fértil para um jogo, capturando o espírito original da franquia sem depender de nostalgia.

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(Thalis in Apple TV’s Foundation adaptation) Crédito da imagem: UbisoftThis setup is not as crazy as it sounds
Fonte da imagem: IGN

A Itália já foi explorada em Assassin’s Creed, mas sempre durante a Renascença. Nunca vimos os próprios romanos. Origins deu um vislumbre ao apresentar Júlio César, mas um jogo na época de Nero, bisneto de Augusto, retomaria a narrativa de onde Origins parou. Além disso, a Roma antiga permitiria à Ubisoft recriar a cidade de forma mais viva do que em Brotherhood, que, apesar de aclamado em 2010, não se compara a Paris em Unity.

Para reconstruir a Roma de Nero, a Ubisoft poderia usar o famoso Plastico di Roma Antica, uma maquete detalhada da cidade na época de Constantino I (século IV), e trabalhar de volta até Nero. Muitos marcos famosos, como a Coluna de Trajano e o Coliseu, não existiriam, pois foram construídos por sucessores de Nero. Em seu lugar, a desenvolvedora poderia recriar projetos megalomaníacos perdidos, como o Colosso – uma estátua de 36 metros à imagem do imperador – e a Domus Aurea, seu palácio dourado erguido após o incêndio. Esses locais seriam pontos de observação icônicos.

A série da Netflix, segundo rumores, mergulhará nas conspirações em torno do incêndio. Historiadores modernos acreditam que foi um acidente, mas fontes antigas sugerem que Nero ordenou o fogo para limpar terreno para seu palácio. O imperador culpou os cristãos, crucificando-os como punição. Esse mistério forma um pano de fundo ideal para o conflito entre Assassinos e Templários – na época, chamados de Ocultos e Ordem dos Anciãos. Em Origins, César e Augusto eram membros da Ordem, enquanto os assassinos republicanos se aliaram aos Ocultos. Com base nisso, a Ordem apoiaria Nero e o Império, enquanto os Ocultos lutariam pelos cristãos e pela restauração da República.

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Image credit: UbisoftThis setup is not as crazy as it sounds. Despite his reputation as a bloodthirsty tyrant, there’s reason to believe that Nero was actually a fairly decent emperor. He lowered taxes for the working poor, banned capital punishment, and allowed slaves to sue their masters when mistreated.
Fonte da imagem: IGN

No entanto, Brinkhof sugere que o jogo poderia subverter expectativas ao colocar o jogador do lado de Nero. Apesar da reputação de tirano sanguinário, há evidências de que Nero foi um imperador razoável: reduziu impostos para os pobres, aboliu a pena de morte e permitiu que escravos processassem seus senhores. Ele também não tocou lira enquanto Roma queimava – o instrumento não existia, e ele estava em outra cidade, retornando para organizar os esforços de socorro. A memória de Nero como monstro pode ser resultado de calúnia e propaganda. Um jogo poderia mostrar sua gradual decadência, de um governante problemático, mas bem-intencionado, ao monstro lembrado, criando um dilema moral para o Oculto que controlamos.

Os melhores jogos de Assassin’s Creed, na opinião de Brinkhof, são aqueles que forçam os Assassinos a questionar sua própria causa. Ele cita Connor em Assassin’s Creed 3, debatendo com Haytham e rompendo com George Washington, ou Edward Kenway em Black Flag, traçando seu próprio caminho longe de Assassinos e Templários. Um jogo na Roma de Nero faria ambos os lados reavaliarem suas crenças: os apoiadores do imperador se arrependeriam quando ele perdesse o controle, e os que tentam matá-lo descobririam que sua morte leva a uma guerra civil de um ano, dando origem a outra dinastia imperial.

Para Brinkhof, a imersão em Assassin’s Creed não vem da ausência de bugs ou de elementos de RPG, mas de uma história original com reviravoltas imprevisíveis, que leva o jogador por uma jornada histórica e pessoal. Black Flag já fez isso com Edward, e gráficos melhores ou missões de perseguição reduzidas não tornarão o jogo mais memorável do que foi no PS3. ‘No fim das contas, eu prefiro uma viagem à Roma Antiga a um segundo cruzeiro pelo Caribe’, conclui o escritor.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/assassins-creed-is-going-to-ancient-rome-on-netflix-but-itd-make-a-better-video-game.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-05-26 11:00:00

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